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A Alameda da Carvalha recebe, de 5 a 7 de agosto, a terceira edição do Provart, Festival de Cerveja Artesanal. O festival nasceu do gosto pessoal por estas cervejas, a par das boas condições existentes na Sertã. Com o passar do tempo nota-se um crescente interesse e o festival já fidelizou clientes e marcas. Estranhou-se e entranhou-se no gosto dos de cá e dos de fora e já marca o panorama nacional dos festivais temáticos.

A Celinda, cerveja artesanal sertaginense dá as boas vindas aos apreciadores e o arranque para três dias diferentes neste concelho.
O evento apresenta-se como uma iniciativa de mostra de cerveja artesanal que visa o intercâmbio de experiências e sabores entre os vários produtores presentes e os visitantes.
Este é um evento com entrada gratuita e aberto a todas a faixas etárias, onde apenas serão cobrados os valores do copo oficial e dos produtos consumidos.
A Rádio Condestável esteve à conversa com Carla Rodrigues, da organização do Provart e com Bruno Dias, produtor da Celinda.

Rádio Condestável (RC) – O III Provart acontece de sexta a domingo, de 5 a 7 de agosto, na Alameda da Carvalha na Sertã. Como surguiu este festival?
Carla Rodrigues (CR) – Surgiu através de uma paixão pela cerveja artesanal, da minha parte e do Bruno Dias. O Bruno, como produtor e fazendo algumas cervejas e eu como organizadora de eventos, tivemos esta vontade de criar um festival com a temática da cerveja artesanal.

RC – O Provart só existe na Sertã?
CR – Sim. Houve esse interesse, muito por causa da envolvência do espaço.

RC – Desde a primeira edição até hoje, como têm sentido a envolvência, a reação e a recetividade das pessoas?
CR – Tem sido muito boa. Conseguimos criar um bom ambiente, que acaba por trazer todas as faixas etárias ao festival e que ali acorrem não só pela cerveja mas também pelo programa paralelo. Ver esse acumular de pessoas de várias idades e regiões é muito bom.
Bruno Dias (BD) – Também é interessante ver o feedback de muitas pessoas que não conheciam o concelho e a região, para além de ficarem encantadas com a Carvalha e restante ambiente e com a boa cerveja artesanal que temos conseguido ter. Essas pessoas adoraram e sabemos que já voltaram mais que uma vez e que aproveitaram para fazer algum turismo rural e conhecer melhor as nossa praias fluviais. Isso tem sido um retorno bastante interessante e que sai do conceito da cerveja artesanal mas que é bom para o turismo e reconhecimento da nossa região.
CR – Também tivemos indicações de pessoas que vieram ao festival e que voltaram depois para conhecerem melhor e explorar o que está em redor.

RC – No início foi difícil cativar produtores de cerveja para estarem presentes?
BD – No primeiro ano tudo era uma novidade, não tínhamos um histórico e os produtores desconheciam se ia ou não ser um festival interessante. Alguns foi difícil convencer e tivemos que puxar por eles. Mas depois disso eles reconheceram que o primeiro festival foi bom e a partir daí tem sido mais fácil cativar os produtores a virem à Sertã.
CR – Também existe o facto de no primeiro ano os produtores serem poucos, mas apesar disso conseguimos trazê-los quase todos e agora já existem imensos mas também acaba por ser difícil, em termos logísticos e de dimensão, trazê-los todos. Temos que selecionar os que têm mesmo boas cervejas.
BD – Nos três anos tem havido rotatividades de marcas. Há os repetentes mas outros vão rodando e isso faz com que haja criatividade e inovação e mais interesse para o consumidor.

RC - Quantos vão estar este ano?
CR – Vamos ter 16 produtores, sendo um deles representante de várias cervejas estrangeiras, incluindo uma da Escócia (Brewdog) e de Espanha (Domus). Nacionais teremos 14.

RC – Então estará por aqui a nata da cerveja artesanal nacional e internacional!
BD – Sim. A verdade é que conseguimos ter produtores com bastante qualidade e o próprio festival tem sido reconhecido a nível nacional. Temos tido um bom feedback, não só de consumidores como de produtores, que vêem no Provart e na Sertã um modo de divulgar as suas marcas e de as fazer crescer. Crescemos todos, bem como o conceito da cerveja artesanal.

RC – A cerveja Celinda nasceu na Sertã pela mão do Bruno. Aconteceu a par do festival ou já existia?
BD – Na altura eu produzia cerveja em casa, para consumo próprio e para os amigos. Com o desenrolar do festival quisemos criar uma cerveja que conseguisse dar algum ênfase ao concelho e decidimos chamar-lhe Celinda. Agora é a cerveja oficial do festival. Depois do primeiro evento achámos interessante continuar a produção. Ainda não estamos em fase cruzeiro mas tem sido interessante. Desenvolvo as receitas e o feedback tem sido bastante positivo.

RC – Onde está a Celinda?
BD – Estamos de momento no Centro de Inovação e Competências da Floresta, o SerQ e estamos em processo de legalização do espaço mas contamos ter, até fim do ano, todo o processo terminado.

RC – Para os leigos, o que é uma cerveja artesanal. O que a distingue de uma industrial?
BD – Não há uma definição fácil. O que é verdade é que os ingredientes são mais naturais, não há adições de químicos durante a produção, durante a formação. A cerveja tipicamente não é pasteurizada ou filtrada e isso faz com que cada cerveja artesanal seja única e apesar de estar engarrafada contínua a desenvolver-se na garrafa. Dependendo dos estilos, há cervejas com tendência a terem que estagiar em garrafa ou barril durante muito tempo, há outras que se devem beber em pouco tempo, depois de serem engarrafadas. A cerveja industrial é mais neutra, é pasteurizada, e em garrafa o seu sabor não vai ser alterado, pois tem muitos aditivos e processos que a estabilizam.

RC – Talvez por isso a cerveja artesanal seja mais cara!
BD – Sim. Os ingredientes com uma qualidade superior e o carinho empregue fazem a diferença, e mesmo a produção é muito inferior à industrial. Tudo isso reverte no valor final, que não compete com a industrial. São dois mercados diferentes.

RC – O Bruno é então um cozinheiro de cerveja?
BD – Sim. Pode dizer-se que sim. Fazer cerveja é como fazer um bolo em casa. Desenvolvemos receitas da mesma forma que se desenvolvem para um bolo ou refogado, depois chega-se a um produto final que se vai desenvolvendo com o tempo.

RC – Quais são os ingredientes de uma cerveja artesanal?
BD – Tem quatro ingredientes base, a água, o lúpulo, o malte e a levedura e de uma forma geral todas os levam. O que diferencia, no caso da Celinda, é a escolha dos maltes. Nesta edição teremos uma receita nova que é à base de trigo.

RC – Que ingredientes dão para fazer cerveja?
BD – Tudo que seja maltado, todos os cereais dão. Um bom exemplo que distingue a cereja artesanal da industrial é que esta última utiliza muito o milho e o arroz na produção e a artesanal é mais cevada, o trigo ou o centeio.

RC – A Celinda também vai a outros festivais?
CR – Já estivemos em Lisboa, no Pátio da Cerveja. Este ano ainda não pois estamos em processo de legalização. Não tínhamos produção suficiente mas a intenção será acompanhar, cada vez mais festivais e eventos.

RC – Qual tem sido a recetividade relativamente à Celinda?
CR – Bastante boa. Na primeira edição fizemos uma boa aposta na cerveja que apresentámos. Era leve e fácil de beber e esgotámos a produção. No domingo já não tínhamos nada. O ano passado arriscámos numa cerveja com mais densidade no sabor, mas queremos ir fazendo experiências para ir mostrando variedade. Este ano voltamos com uma cerveja leve e fácil de beber.
BD – Sendo que é a cerveja que é oferecida no início do festival, juntamente com o copo, não podemos criar uma cerveja que choque o consumidor e para muitos será o primeiro contacto com a cerveja artesanal. Desenvolvemos até agora três receitas diferentes para a Celinda e quisemos desenvolver receitas que, apesar de diferentes fossem fáceis de beber, frescas e não muito encorpadas. Também queremos que a diferença para a industrial não seja abismal.

RC – Neste Provart, o que podemos encontrar além dos stands da cerveja?
CR – Teremos algum artesanato. Criamos uma parceria com a Aproser e teremos também demostrações ao vivo de artesanato. Na parte da cerveja temos provas comentadas com a Brewdog da Escócia. Esta fará uma apresentação e indicará as caracteristica ao degustar s da mesma. Outra será a apresentação de várias cervejas do mundo e as suas características.
Teremos ainda dois Workshops, um de produção de cerveja artesanal, em que um produtor estará seis horas a produzir ao vivo. Outro workshop será de Glass Craft Beer Tasting. Queremos mostrar o poder de cada copo nos vários estilos de cerveja, como acontece com o vinho.  
Além destas atividades teremos concertos e animação de rua. Os Kumpanhia Algazarra serão cabeças de cartaz e atuam dia 5 juntamente com Texabilly Rockets e NightMare & The Wolfman Trio. Dia 6 haverá espetáculo de rua com Leo, Belita e Filhos e concertos com Lazy Funkers e Chapa Dux. No último dia o palco pertence à banda Menos Óbvio e o Dj Odir.

RC – Para todo este cartaz e atividades é necessário um grande apoio!
CR – Sim. A câmara dá-nos um apoio grande e sem ele não conseguíamos ter este cartaz. O festival ganha muito com os concertos e é isso que faz a diferença em relação a outros festivais do género.
BD – Todo o ambiente que se desenvolve e o espaço em si fazem com que as pessoas acorram e voltem ao Provart.

RC – Como está o mercado da cerveja artesanal?
CR – A crescer muito. Já se perdeu a conta aos produtores cervejeiros no país e a quantidade de cervejas criadas. Quando o Provart surgiu contavam-se cerda de 20 produtores, agora chega à centena. Em três anos houve uma evolução brutal da cerveja artesanal, não só em quantidade mas também em qualidade. As cervejas estão mais bem desenvolvidas e estamos a chegar a níveis de outros países que, supostamente estão anos mais à frente.
CR – Temos alguns produtores que criam uma gama fixa e também edições especiais, mais elaboradas e com mais sabor. Algumas delas até fazem estágio em barricas de carvalho e de vinho do porto, ou aguardente.
E são experiências com resultados fantásticos e vamos ter algumas no Provart. No workshop vamos ter uma prova com uma cerveja que tem estágio em barricas de Vinho do Porto.

RC – O preço pode ser um entrave à sua expansão?
BD – Na verdade, na primeira edição, tivemos queixas de que era cara mas depois desse ano e de se quebrar a barreira inicial, as pessoas começaram a perceber que, sendo um produto com alguma exclusividade e diferenciado, tem que se pagar por ele. O preço em relação à industrial é diferente mas a experiência e a qualidade também são outras, logo essa barreira torna-se mais ténue.  

RC – O Provart estranhou-se e está a entranhar-se?
CR – Sim. Conseguimos cumprir o objetivo inicial que era sermos uma referência a nível nacional. Concretizámos os objetivos junto dos produtores e visitantes que vêm de outras regiões, e antes de fazermos o lançamento da data já querem saber e depois confirmam a presença.
BD – Entranhou-se devido ao nosso trabalho e a outros apoios e parceiros que ajudam a que o festival vá para a frente com qualidade reconhecida. O objetivo é crescer e ter sempre um bom produto e boas atividades a acompanhar o festival.

RC – O que se pode dizer a alguém que nunca tenha provado uma cerveja artesanal.
BD – Não sabem o que estão a perder,
CR – Dias 5, 6 e 7 de agosto são os melhores dias para provarem cerveja artesanal na Sertã.


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