Imprimir

Fez balanço positivo de três anos de mandato… Passaram três anos desde as últimas eleições autárquicas em que, na Câmara Municipal de Oleiros, Fernando Jorge sucedeu no cargo a José Marques, homem que liderou os destinos daquele concelho durante mais de duas décadas. 

No entender do atual presidente foi fácil continuar o trabalho feito pelo seu antecessor. No seu gabinete, onde a porta está sempre aberta para receber todos, fez um balanço muito positivo destes três anos, principalmente por ter ajudado a resolver alguns problemas das pessoas pois, são elas quem interessa e é por elas que estes cargos fazem sentido.

Rádio Condestável (RC) – Passados três anos como vê o concelho de Oleiros?

Fernando Jorge (FJ) – Viemos para Oleiros para continuar um trabalho que vinha de trás e penso que foi isso que conseguimos fazer, mantendo Oleiros na crista da onda. Trabalhámos muito nestes três anos. Tivemos, da parte das pessoas, uma aceitação muito boa e isso levou-me a apresentar a recandidatura.

RC – Sentiu o peso de ter vindo substituir um homem que marcou este concelho durante mais de duas décadas?
FJ – Sem dúvida. O presidente José Marques fez um trabalho excelente no concelho e só não vê quem não quer. Se corrermos o concelho vimos que está rasgado de estradas alcatroadas. Era um concelho que não tinha luz elétrica, saneamento básico e água ao domicílio e hoje particamente toda a gente tem. Ainda há quem não tenha mas, paulatinamente vamos conseguindo completar o trabalho que ele iniciou.

RC – Foi difícil impor o seu ritmo?
FJ – Somos pessoas diferentes e temos maneiras de estar diferentes mas completamo-nos um ao outro. Continuei um trabalho que ele iniciou e estamos a fazer de Oleiros uma terra onde dá gosto viver.

RC – Tem conseguido algumas obras, mas houve outras lutas que não conseguiu, como sendo trazer a fábrica NGCR?
FJ – Sim, na vida não conseguimos tudo mas quando conseguimos uma percentagem, já é bom. Estivemos nestes três anos sem podermos recorrer a fundos estruturais mas, mesmo assim, com alguma arte e engenho ainda conseguimos reabilitar o Jardim Municipal de Oleiros e aproveitámos todas as oportunidades através dos overbookings. Temos conseguido a aprovação de todas as candidaturas.

RC – Ter conseguido ir ao overbooking deve-se a uma boa almofada financeira?
FJ – A câmara de Oleiros foi bem gerida pelo presidente José Marques e a verdade é que recebemos a câmara estável. Para recorrer ao overbooking tivemos de fazer um empréstimo, suficiente para fazer as obras e pagar à banca.

RC – Consegue ter, atualmente fundos para candidatar projetos ao Portugal 2020?
FJ – Sim. Já conseguimos uma aprovação para a reabilitação do novo Parque de Feiras e uma verba para a reabilitação das Devesas Altas e iremos conseguir outras para obras estruturantes do concelho.

RC – Falando das ARU’s. Oleiros foi o primeiro concelho da região a aderir. Já têm projetos?
FJ – Sim, fomos o primeiro concelho a ter uma Área de Reabilitação Urbana (ARU) e uma Opereração de Regeneração Urbana (ORU) aprovadas e isso permitiu que o Município agora se possa candidatar a determinados fundos, como a ter condições para os particulares e empresas poderem reabilitar imóveis e com grandes benefícios fiscais.

RC - Do lado da câmara existe a disponibilidade de fazer obra, agora cabe aos particulares fazerem a sua parte. Como sente o espírito das pessoas?
FJ - As pessoas têm toda a vantagem em fazê-lo e há algumas boas vontades. Quem reabilitar ficará isento de IMI, quem não reabilitar terá agravamento. É uma oportunidade única.

RC – Que obras vai a câmara levar a efeito nesta matéria?
FJ – Vamos reabilitar a zona envolvente da Igreja Matriz, construindo aí uma casa polivalente, que vai servir para a área religiosa, e vamos ainda criar estacionamento. Pretendemos fazer um auditório e a reabilitação da biblioteca e das Devesas Altas com um pavilhão multiusos e mudar o Parque das Feiras. No fundo, mudar este Centro Histórico de Oleiros.

RC – São obras para mais quatro anos?
FJ – Vou-me recandidatar mas não sei se serei eleito… De qualquer modo, a maior parte das obras estão lançadas e outras sê-lo-ão no início do ano e seria um gosto levá-las até ao fim.

RC – É um gosto poder deixar uma marca profunda no concelho?
FJ – Não sei se é marca profunda, mas tem havido um esforço grande da parte de todos os membros do executivo. Há áreas onde se vê que Oleiros mexe. Se não houver juventude isto tende a acabar e é fundamental apostar neles e por isso implementámos diversos programas no início do mandato como por exemplo o “Oleiros Jovem”. Estamos a terminar um loteamento com preços simbólicos para construção. O apoio de 5 mil euros a quem compre habitação é importante para quem queira aqui iniciar a sua vida. É importante as famílias saberem que não pagam transportes escolares, alimentação, os livros são oferecidos deste o primeiro ano até ao 12º, uma medida que tem três anos. É dinheiro que fica no bolso das famílias e que é importante para a economia local. Também os nascimentos têm uma verba destinada para casais, com a condição de que sejam verbas consumidas no comércio local. Apoiamos as famílias e o comércio local.

RC – E quanto à criação de emprego. Esta área tem sido mais difícil mas continua a existir vontade de trazer empresas?
FJ – Tudo isto funciona como “uma pescadinha de rabo na boca”. Se não houver isto também não há aquilo. O que acontece é que, apesar de termos um concelho que sofreu com a saída da Steiff e que criou desemprego, temos uma taxa de 4% de desemprego, ou seja, das mais baixas do país. Se somarmos uma população reduzida, temos poucos desempregados em Oleiros. Parece que é bom mas não, pois uma empresa para se instalar quer saber a taxa de desemprego e as profissões das pessoas desempregadas. Uma baixa taxa de desemprego pode não facilitar a instalação de determinado tipo de empresas. Por outro lado, concelhos como o de Oleiros, com a população que tem, não sei se há grandes vantagens em termos unidades multinacionais. Temos é que apostar nos que já cá estão e motivá-los. Se for eleito, uma das minhas apostas é apoiar essas empresas para que criem empregos. Se temos esta taxa de desemprego, com um pouco de esforço conseguimos empregar esta população que está de momento sem emprego.
Temos entretanto uma ou duas apostas que podem ser estruturantes e que fixaríam pessoas. Ainda na semana passada reunimos em Lisboa com a Unidade de Missão e com o Ministério da Saúde, e se entenderem que este interior não é para desertificar mas sim para ajudar a economia nacional, então podemos ter um significativo aumento de postos de trabalho.

RC – Que avaliação faz do trabalho da Unidade de Missão para a Valorização do Interior?
FJ – A Unidade de Missão já apresentou um esqueleto do que quer fazer mas está numa fase inicial. Sinto que as pessoas que estão à frente estão empenhadas em poder desenvolver o interior, mas sabemos que os ministérios estão sem dinheiro e como diz o povo, “sem ovos não se fazem omeletes”. Tenho situações concertas em que, apesar de termos, por escrito, determinado investimento, nunca nos dizem que não. Acontece que esse investimento era para ter sido feito em 2016 e não é pois não há dinheiro. Andamos nisto desde fevereiro.

RC – Estamos a falar da Unidade de Duplo Diagnóstico para Deficientes com Doença Mental?
FJ – Sim. Ainda não desistimos de a trazer para Oleiros. O projeto de construção e de infraestruturas está aprovado, a cedência do terreno também e temos uma carta conforto do Ministério da Saúde para contratualizar com a empresa mas falta apoio comunitário para a edificação da infraestrutura. Neste momento há um mapeamento para estas unidades e vamos ver se ela é elegível ou não.

RC – O primeiro piso do Centro de Saúde está livre. É seu desejo tentar reabilitar aquele espaço.
FJ – Sim e é uma pena que aquele espaço continue assim, mas acontecem situações neste país que são estranhas. O edifício é do Ministério da Saúde e havia vontade dos responsáveis anteriores e atuais em cederem as instalações e pessoas disponíveis para cederem equipamentos para serem utilizados em benefício das populações, mas o edifício está em tribunal e não é possível fazer uma cedência enquanto o edifício não for do ministério. Tanto quanto sei, nestes três anos o processo esteve parado.

RC – Sendo um homem ligado à saúde, mas no privado, lidar com a questão pública é complicado?
FJ – Bastante. Eu estava habituado a que, quando queria fazer uma obra, e se não tivesse dinheiro negociava com o banco e fazia-a. Agora isso não pode ser assim e demora muito tempo. Se quiser fazer um empréstimo tenho que pedir orçamento a três bancos, levar o assunto a reunião do executivo e assembleia municipal para ser aprovado. Depois vai para o Tribunal de Contas que até pode pedir mais papéis e só depois de vir a autorização é que podemos começar a tratar de tudo para efetivar esse empréstimo. O que se resolveria num dia pode agora demorar meses e perdem-se oportunidades, mas a vida é assim…

RC – Há mais de duas décadas que Oleiros não tinha um médico residente mas a situação está resolvida!
FJ – Na área social temos tido algumas iniciativas pioneiras em Portugal. Quando me candidatei algumas freguesias não tinham médico há vários meses e da minha parte tinha havido o compromisso de que iria trabalhar afincadamente para que essas freguesias viessem a ter médico e isso aconteceu. Nos quinze dias após a nossa eleição conseguimos que um médico passasse a dar consultas nessas freguesias. Também as pessoas de Oleiros queriam ter um médico residente. Não foi fácil mas conseguimos. Sou médico e tenho alguns conhecimentos do que se vai passando no país e Oleiros tem um corpo clínico que me satisfaz plenamente e responde às necessidades da população, é competente e trabalhador. Tiro o chapéu aos médicos que aqui estão.

RC – Uma iniciativa inédita é a Unidade de Apoio ao Luto. Já trazia essa ideia?
FJ – Não. As coisas surgem pelas necessidades que notamos nas populações. A própria Unidade de Saúde Domiciliária que vai às freguesias medir parâmetros vitais é importante e também a Viatura de Apoio às Pessoas Enlutadas vem dar uma ajuda e minimizar o sofrimento em alturas difíceis. Nestas situações o dinheiro é bem aplicado.

RC – Este trabalho é feito por pessoas jovens. É objetivo que se fixem em Oleiros?
FJ – Tudo aponta que estas são pessoas que aqui vão ficar, por muitos anos, assim espero.

RC – Uma aposta, caso venha a ser eleito, é olhar pelos mais velhos!
FJ – Não tenho a menor dúvida que, se não tratarmos bem as pessoas com mais uns anos, não estamos aqui a fazer nada e por isso temos uma preocupação acrescida para com eles.
O envelhecimento ativo é importantíssimo e há dias assinámos um protocolo com o Instituto Politécnico de Castelo Branco para fazer um programa, a longo prazo, para que tenhamos um envelhecimento com qualidade em Oleiros e para que as pessoas se sintam bem em estar aqui. A própria Universidade Sénior, que abrimos, vem dar motivação às pessoas e criar dinamismo e saber. Acredito que este plano gerontológico possa ser positivo para anos vindouros. Quem quiser fazer política tem que pensar mais além. Fizemos um investimento nas pessoas que quisessem estudar medicina, em Portugal ou no estrangeiro, mas a condição do apoio é que regressem a Oleiros e aqui se fixem. Isto teve frutos pois uma estudante está no quarto ano de medicina, é financiada pelo Município e quando se licenciar fixará residência aqui. Isto só virá a ter efeitos práticos em quatro ou cinco anos. Com o dinheiro aplicado nestas pessoas podíamos ter construído mais uma rotunda, mas fizemos esta opção a pensar no futuro.

RC – Oleiros tem aqui o chamado petróleo verde mas que continua a ser desperdiçado. Para além da boa vontade da câmara, o que pode ainda ser feito?
FJ – Estamos a falar de incêndios e do nemátodo. Oleiros é dos que melhor cobertura tem, a nível nacional, com câmaras de apoio à decisão, (câmaras de vigilância). Também a limpeza da floresta está a ser feita em centenas de quilómetros num investimento grande. Sabemos que tudo isto é pouco tendo em conta a problemática que existe no interior do país. Também apresentámos, juntamente com as câmaras da Sertã, Mortágua e de Vouzela e a Universidade de Coimbra, um grande projeto para reorganização florestal. Veremos se o Governo e a CCDR aprovam este projeto intermunicipal.

RC – Criaram o Gabinete de Apoio ao Investimento para apoiar os jovens e os empreendedores. Está a dar frutos?
FJ – Sim. Os projetos chegam e no gabinete tem havido um trabalho exaustivo e os próprios técnicos têm-se deslocado às empresas e tem havido muitas candidaturas. Tem sido uma área que nos surpreendeu pela positiva, não só pela eficiência do gabinete como pela adesão das pessoas. Gostaríamos que ela fosse maior mas também há muitas pessoas à espera de candidaturas.

RC – O turismo tem sido outra aposta. A Feira do Pinhal e a Mostra do Medronho e da Castanha são dois eventos que marcam a promoção do concelho?
FJ – São dois eventos que promovem o concelho e que levam o nome de Oleiros para todo o lado e isso tem-se refletido, bem como outras iniciativas da câmara, em que todos os fins-de-semana e todas as semanas vem aqui gente procurar os nossos produtos e isso é bom para a economia local. Nestes três anos o número de dormidas quadruplicou. Com frequência vimos pessoas de países longínquos aqui. Hoje a comunicação é fácil e o Trilho dos Apalaches foi uma aposta ganha. Há pessoas do Oriente a vir aqui fazer o percurso.

RC – Era um diamante que estava por lapidar?
FJ – Sim, mas não só em Oleiros. Em toda esta região do interior do país tem havido uma aposta firme no turismo de natureza e cada concelho tem a sua beleza e paisagens magníficas. O Zêzere, alguns miradouros e cascatas são emblemáticos aqui. Não somos melhores ou piores mas temos coisas que os outros não têm. O importante é que cada um potencie a suas belezas para que cada vez venha mais gente.

RC – Há uns dias falava-se numa conferência em Proença-a-Nova na importância de união entre municípios para chamar turistas. É apologista desta medida?
FJ – Defendo isso há bastante tempo. Achava que, sendo uma zona pouco povoada mas com uma quantidade de quilómetros quadrados significativa, se todo este território do pinhal interior norte e sul estivesse unido numa comunidade, tínhamos força, porque tínhamos terreno. Podíamos ser bem mais reivindicativos do que estarmos ligados a grandes centros populacionais onde há mais gente e votos e o poder político vai beneficiando locais onde há votos para continuar no poder. Com esta junção teríamos mais força do que estarmos ligados aos grandes centros. Eles são importantes mas nós seríamos mais beneficiados, assim prometem muito mas o que chega aqui são migalhas, comparativamente a outras zonas mais desenvolvidas.

RC – Está empenhado nesta reeleição?
FJ – Sim. Gosto muito das pessoas de Oleiros. Têm-me tratado bem e eu estou sempre disponível para todos. A minha porta na câmara está sempre aberta e o meu contacto com a população é diário e não deixo de ouvir as pessoas e de tentar ajudar no que me é humanamente possível.

RC – Com a sua chegada, chegou também uma oposição mais firme. Como tem sido a coabitação no executivo?
FJ – Quanto menor é o meio, maior é a pressão e aqui, de certa maneira, isso acontece. Relativamente à oposição, ela é construtiva. 99% ou mais das propostas apresentadas são aprovadas. Se a oposição apresenta propostas que são devidamente conversadas, não temos problemas em modificar as nossas. Eu sinto-me confortável com ela e nem sinto que a tenho.

 

Este sábado, dia 26 de novembro Fernando Jorge apresentará a sua recandidatura, bem como os cabeças de lista pelas freguesias. A cerimónia contará com a presença do presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, onde serão também homenageados os autarcas que, ao longo destes 40 anos, ajudaram na consolidação da democracia e do poder autárquico no concelho de Oleiros.


Av. Dr. Abílio Marçal, Lote 1 B 6100-267 Cernache do Bonjardim

geral@radiocondestavel.pt

Telefone: Geral: 274 800 020

Redacção: 274 800 028/7

Tempo Cernache Do Bonjardim


Estatísticas

Hoje
4410
Ontem
8643
Este mês
333911
Total
10297034
Visitantes Online
13