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Ao fim de três anos de mandato, Ricardo Aires falou com a Rádio Condestável onde se referiu a um projeto autárquico para 12 anos, um projeto que tem a marca do PSD e que está a ser semeado.

Não desvendando se é de novo candidato às próximas autárquicas, Ricardo Aires gostaria de ver este projeto continuado nos próximos anos.
Os apoios à natalidade, na educação e na ação social, a aposta na indústria e no turismo, são pontos-chave, tendo por base sempre as pessoas, foram alguns dos pontos abordados nesta conversa.


Rádio Condestável (RC) – Que balanço faz destes três anos de mandato à frente da Câmara Municipal de Vila de Rei?
Ricardo Aires (RA) – Estarmos a falar de nós próprios é difícil e penso que deve ser a população a fazer esses diagnósticos. Eu faço sempre as coisas pelo melhor. Tenho a consciência limpa pois fazemos o melhor pelas pessoas. Penso que em Vila de Rei, nos últimos três anos andámos a semear e espero que em 2017, em que o orçamento aumentou cerca de 700 mil euros, possamos colher alguns frutos. Andámos a fazer os alicerces de um projeto que temos para Vila de Rei onde o objetivo central são as pessoas e a qualidade de vida para elas. Estamos a fazer obra e esperamos colhê-la no futuro.

RC – Espera ser o presidente a colher essa sementeira?
RA – O projeto do PSD tem vários anos e neste caso temos um projeto de 12 anos. Seja eu ou outro, que seja o PSD. Penso que se vierem outras pessoas, do PSD, irão pegar neste projeto, tal como eu peguei no projeto que o partido trazia. Temos uma ideologia que é “as pessoas primeiro”. De certeza que a próxima câmara escolhida, e se for o PSD, continuará com os nossos projetos e ideias, ou pelo menos com alguns que neste momento temos em mão.

RC – E pelo PSD, é de novo candidato?
RA – Ainda não lhe posso dizer nada pois a Concelhia ainda não escolheu o nome.

RC – Mas está disposto?
RA – Estou disponível mas a concelhia é que manda.

RC – Vila de Rei é conhecido como o concelho do apoio à natalidade, Continuaram com as medidas antigas mas introduziram novas!
RA – Continuámos com os apoios que vêm desde 1998 mas implementámos o apoio à fertilização in-vitro. Na situação em que os pais tenham dificuldade em ter filhos, têm na mesma o apoio ao nascimento e mais este. Aumentámos assim os apoios à natalidade.

RC – Têm neste momento um casal a ser apoiado.
RA – Sim. Houve um casal já apoiado. No próximo dia 19 de setembro de 2017 veremos se há necessidade de apoiar mais algum.

RC – Acredita que esta medida tem vindo a contribuir para a fixação de pessoas ou elas passado algum tempo vão-se embora?
RA – Tivemos dois casos que ao fim de algum tempo se foram embora. 98% dos casais ficaram no concelho. As pessoas não têm filhos só por causa do nosso apoio. Ele serve simplesmente como prenda porque hoje para um jovem estar no interior do país, é preciso ter coragem para ter filhos, já que têm mais dificuldades para encontrar emprego. Esta é uma forma de lhes dizermos que estamos cá, não só para este mas também para outros apoios.
RC – E que apoios são esses?
RA – Hoje um menino na creche municipal e no jardim-de-infância não paga nada, os transportes, tempos livres, ATL e férias desportivas também não. Se começarmos a somar, quem tem filhos fica com uma quantia boa no bolso para outras coisas. Vale a pena viver em Vila de Rei.

RC – E no orçamento da Câmara, estamos a falar em que quantias?
RA – Nas funções sociais que abarcam a educação estamos a falar em cerca de um milhão de euros.

RC – Investem assim um milhão de euros nas pessoas?
RA – Sim. Por isso é que eu digo que este orçamento é virado para as pessoas. Hoje construir um edifício ou uma rua é um valor astronómico Para mim ter estes apoios são uma obra.

RC – Contrariando a tendência nacional, Vila de Rei não tem perdido população. Tal deve-se a quê?
RA – É uma conjuntura global. Com estes apoios e com a aposta no social, uma ideia posterior aos incêndios em que mudámos da estratégia do turismo para o social, estamos agora a colher os frutos. Há décadas que o concelho vinha a perder pessoas e neste momento não estamos a perder. Deve-se ao social e às medidas que temos para acolher jovens, uns de Vila de Rei e outros que para aqui vieram trabalhar.

RC - Vila de Rei tem apelado ao recenseamento das pessoas. Têm tido resultados?
RA – Foi uma das primeiras medidas que tomei porque notámos que tínhamos muitas pessoas a morar no concelho mas que não eram aqui recenseadas. Tal devia-se ao médico, rendas e afins que tinham em Lisboa. Para mim tudo isso é ultrapassável e quem gosta da sua terra tem que ser recenseado no seu concelho. Por isso fiz este desafio que tem dado alguns frutos, porque fizemos ver que assim vem mais dinheiro. Ainda vai demorar a dar outros resultados mas vai funcionar e no futuro vai haver mais recenseados no concelho.

RC – Outra das apostas é então na área social. Têm vindo a lutar por uma Unidade de Saúde Mental. Como está o processo?
RA – Fui recebido pelo chefe de gabinete do Secretário de Estado da Saúde e também na Unidade de Missão para a Valorização do Interior e aí obtive esperança. Espero que este Governo nos dê também uma carta conforto para que esta unidade exista aqui. Na governação PSD não nos deram por dar, mas sim porque viram que era necessário. Há muitos idosos que estão nos lares mas que já deveriam estar nestas unidades e no distrito de Castelo Branco e Médio Tejo não existe nenhuma do género. Na altura o PSD viu que o projeto que tínhamos, em parceria com a CERCITOP era viável e tinha todo o cabimento vir para aqui, já que vinha atuar sobre os nossos idosos e colmatar necessidades de outros concelhos. Acho que este governo deve continuar o que o outro tinha em mão. Mesmo assim faço o desafio para que o PS cumpra o que o PSD/CDS estavam para fazer neste concelho.
RC – Esta unidade receberia pessoas do concelho e de fora dele?
RA – Claro. E como há uma lista de espera tão grande no país, as vagas ficariam logo preenchidas. Neste momento a CERCITOP está à espera que haja vontade do governo.

RC – A Câmara Municipal de Vila de Rei, a Santa Casa da Misericórdia de Vila de Rei e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa têm um protocolo para a construção de outras valências. Como está esse processo?
RA – Neste momento está a ser construído um Cento Geriátrico a cerca de um quilómetro da sede de concelho. O projeto são três blocos e neste momento está a ser construído um bloco central com camas. No futuro serão construídos mais dois lotes se tudo correr bem, como penso que vai correr. Com os dois provedores em funções o projeto vai em frente e no primeiro trimestre de 2017 a obra desta fase estará a ser inaugurada. É uma mais-valia para o nosso concelho.
RC – Ter um nome como o de Irene Barata por detrás destes processos ajuda?
RA – Sim. Toda a gente ajuda, seja a Irene, sejam outras pessoas. O presidente da câmara sozinho nada consegue fazer e todos juntos construímos Vila de Rei.

RC – Uma das lutas destes concelhos é a atração de investimento e a criação de emprego. A área do social emprega muita gente no concelho?
RA – Neste momento todas as unidades sociais deverão empregar cerca de 400 mulheres. Se após os incêndios esta aposta não tivesse existido, pergunto o que estariam elas a fazer?
A aposta foi assim muito benéfica para o concelho. Mas nem só o social emprega pessoas. Nas atividades económicas dos enchidos e da madeira temos uma boa projeção de emprego pois estão em desenvolvimento. Por exemplo, uma das indústrias da madeira fará um reforço da sua atividade económica em Vila de Rei e vão ser criados mais empregos. Lembro também a indústria do vidro, o que muito nos orgulha ter por cá.

RC – Entretanto a câmara também aprovou um regulamento de apoio ao investidor?
RA – Sim, foi em outubro. Destina-se a pessoas que já estão implementadas e ao empreendedor. Com os apoios do governo e de Vila de Rei, penso que iremos aumentar os números nesta área e estou com uma expetativa elevada para 2017.

RC – Sabemos que todos os municípios querem as empresas para os seus territórios. Onde é que Vila de Rei pode inovar?
RA – Pode ser diferente nos seus produtos endógenos e na agricultura. Construímos o lagar e a destilaria ficará pronta esta semana. Estamos a incentivar ao cultivo, manutenção e ampliação de oliveiras e medronheiros. Queremos que haja outra floresta e ao mesmo tempo estamos a proteger a existente. Se houver descontinuidade na floresta os fogos serão menores. Também no Regulamento de Apoio ao Empresário existem apoios para cultivo de outras espécies. É uma ferramenta de que o produtor pode usufruir. Temos cerca de 50 mil euros para apoio ao empresário e Deus queira que eu tenha que reforçar essa verba. Podemos apostar em rebanhos e a Acripinhal também apoia nesse aspeto.

RC – A autarquia já deu o exemplo de investimento nas oliveiras e nos medronheiros. Existem pessoas a seguir esse exemplo?
RA – Sim. Na zona de S. João do Peso, há pessoas a investir no medronho. Nas oliveiras, muitas já não as tratavam e estão a fazer a manutenção dos olivais. Espero que os jovens tenham expetativas nestas áreas. Se formos empreendedores podemos encontrar um trabalho que não pensávamos ter antes. E porque não ser também um hobby depois da hora de trabalho.

RC – E para quem se quiser instalar nas Zonas Industriais, também existem apoios?
RA – Sim. O lote é vendido a 0,2 cêntimos o metro quadrado. Temos a água mais barata comparando com os concelhos em redor. Temos isenção de derrama e cada comerciante que contrate um posto de trabalho recebe 500 euros, fora benefícios do Centro de Emprego. Quem quiser implementar a sua indústria tem aqui boas razões para o fazer.

RC – O Governo aprovou recentemente medidas relativamente à floresta. Como está esta área?
RA – O problema é sério. Já outros governos fizeram o que este está a fazer e não deu em nada, mas espero que desta vez se vá até ao fim e se consigam implementar estas ideias. Penso que são boas ideias mas não se pode cair no esquecimento e as leis têm que ser aplicadas.

RC – Acha que algumas medidas sobrarão para as câmaras?
RA – As câmaras serão gestoras mas temos que ter uma ferramenta por detrás e terá de ser financeira, caso contrário será impossível as câmaras atuarem. Só com uma boa almofada financeira será possível fazer algo.

RC – Outra das apostas do concelho é o turismo. Como vê a união dos municípios do Pinhal para atraírem turistas? O que é que Vila de Rei pode oferecer para esta união e atração?
RA – O turismo também está na nossa mente. Apesar de termos passado a apostar mais no social, não esquecemos o turismo. O que andámos a semear nestes três anos resultou na Bandeira Azul para a Praia Fluvial do Bostelim. Temos dois projetos de passadiços para Fernandaires e Penedo Furado. Se as candidaturas forem aprovadas faremos esse projeto.
Não é só Vila de Rei que tem que pensar no turismo de forma individual e a ideia de união está num turismo diferente. Só termos praias fluviais, passeios pedestres e paisagens não dá e já tivemos uma reunião (os cinco presidentes dos Municípios que compõem a Pinhal Maior) nesse sentido. Essa diferença poderá ser, por exemplo, andar de carroça. Tem de ser um turismo para que as pessoas vejam o que tínhamos antigamente. Penso que a ideia é boa e estou com uma expetativa no futuro.
Mas mesmo tendo as praias, os passeios pedestres e outros aspetos já conseguimos algo bom para Vila de Rei mas queremos mais e queremos um turismo que tenha dinheiro.

RC – Considera que é necessário que o turista que chega a Lisboa se desloque ao interior de Portugal?
RA – Se as agências de viagens e agentes turísticos derem a conhecer este turismo diferente de que falei anteriormente, o turista vem. Esse turismo vem porque vende.

RC – O Tuk-Tuk ainda promove o concelho em Lisboa?
RA – Sim, ainda continua. Foi uma semente que lançámos e que penso que deu frutos. Houve muitas pessoas que vieram à aventura. Foi uma aposta ganha.

RC – Ainda no turismo, que investimentos privados estão previstos para o concelho?
RA – Neste momento temos os investidores da Herdade Foz da Represa. O processo foi desbloqueado. Foram três anos de luta com o governo e penso que em breve esse projeto será concretizado na zona de Cabeçinha. O Município tem também a intenção de fazer, em Fernandaires, um Parque de Campismo com bungalows. Consideramos que, com a estância do Wakeboard e a Grande Rota do Zêzere a passar ali, tem que haver algo para o turista. O Plano de Ordenamento da Albufeira de Castelo de Bode está aprovado. Estamos a falar com a população e alguns estão a compreender, se não teremos que fazer expropriações, caso seja a câmara a fazer o investimento. É um benefício para o concelho. Como presidente estou a pensar no concelho como um todo. Penso que será uma mais-valia para Fernandaires que tem boas condições para gerar riqueza para Vila de Rei. Existe uma verba que poderá ser candidatada mas até lá estamos a ver se algum privado quer pegar nesta ideia.

RC – Ter aderido à Associação dos Municípios da Rota da EN ajudará no turismo?
RA – É mais um complemento e é uma parceria. Se estivermos sozinhos não conseguimos fazer nada. Com esta parceria tenho a certeza que vamos conseguir mais turistas. Aumentando esse número mostramos que temos potencial.

RC – Para onde é que Vila de Rei pode caminhar nos próximos anos?
RA – Para mim as áreas onde tem que continuar a apostar é no social, educação e atividade económica endógena.  Estas três áreas são muito importantes para continuarmos na senda do progresso. Se tivermos qualidade de vida para os vilarregenses, se dermos um bom apoio pedagógico para os jovens serem os homens e as mulheres do futuro e ao mesmo tempo conseguirem empreender no seu concelho, vamos gerar riqueza e se os alunos forem bem preparados Vila de Rei vencerá.


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