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O concelho da Sertã sempre foi um pilar estratégico na região. Tem sido liderado por José Farinha Nunes que, ao longo destes últimos anos, tudo tem feito para consolidar as contas da autarquia e definir estratégias para os próximos anos.

Apostas no turismo, lutas na educação e na saúde, nas infraestruturas com a EN 238 a encabeçar a lista e apostas nos produtos endógenos e numa economia cinzenta têm marcado os últimos três anos de mandato autárquico na Sertã.

Rádio Condestável (RC) – Presidente José Farinha Nunes, que balanço faz destes três anos mandato?
José Farinha Nunes (JFN) – Para a câmara o balanço é sempre positivo. Temos que ouvir mais a população e o que me chega das pessoas é positivo e isso obriga-nos a trabalhar cada vez mais e melhor. Ao ouvirmos a população chegamos à conclusão que o trabalho tem sido ao gosto e de acordo com as exigências e necessidades das pessoas. Ficamos satisfeitos quando ouvimos este retorno.

RC – As queixas dos autarcas para com este Quadro Comunitário de Apoio têm sido uma constante. A Sertã sente dificuldades na abertura de candidaturas?
JFN – Sim. É sempre uma preocupação de qualquer autarca querer fazer obras pois são indispensáveis ao desenvolvimento do concelho. Não termos esses meios obriga-nos a uma certa ginástica e somos obrigados a não cumprir a nossa missão que é criar condições para que as pessoas se sintam bem nos concelhos e freguesias. Isso obriga-nos a ir ao encontro do Poder Central para tentar desbloquear determinadas situações e as candidaturas são um exemplo. Neste momento está a chegar a abertura de candidaturas, felizmente, em diversas áreas como por exemplo na reabilitação urbana, na eficiência energética, na área do ambiente.
Tentamos aproveitar ao máximo estas candidaturas pois estamos a falar de 85 % de apoio. Daí termos feito um empréstimo para termos fundos disponíveis para aproveitarmos ao máximo as oportunidades que nos surgirem.

RC – Nos tempos que correm, a Sertã ainda tem obras de saneamento para fazer?
JFN – Sim. Felizmente há equipamentos com os quais conseguimos ultrapassar diversos constrangimentos. O concelho da Sertã tem mais de 300 localidades e a população está muito dispersa, o que acarreta muitos custos. Em termos de saneamento era impossível haver uma rede única e cada localidade é um caso diferente. Temos que encontrar equipamento com o mínimo de custos possível para dar resposta às localidades mais pequenas.

RC – Teme estar a investir e daqui a pouco tempo, com a anunciada desertificação, estes equipamentos fiquem inutilizados?
JFN – Nunca tive esse problema. Tenho muita esperança que esta seja uma fase transitória. Não vamos certamente continuar assim e alguma coisa tem que mudar para inverter esta situação. Têm que ser tomadas medidas sérias, substanciais e válidas. Quando elas vierem as pessoas começarão a tomar decisões diferentes, a aumentar o número de filhos, por exemplo.

RC – Como vê as medidas saídas da Unidade de Missão para a Valorização do Interior?
JFN – Há 164 medidas e são complementares, mas são um passo. Não quer dizer que vão resolver o problema de um dia para o outro, mas temos que as agarrar. O primeiro passo está dado, agora é preciso dar outros com alguma substância. É necessário emprego e as famílias terem mais condições para terem mais filhos e mudar este cenário de desertificação humana.

RC – Durante vários anos o concelho era tido como atrativo. Isso ainda se mantém?
JFN – Por natureza o concelho da Sertã é atrativo e foi um concelho rico no tempo em que a agricultura era o maior bem. Neste momento a agricultura, a floresta e as pescas foram abandonados. Quando se abandonam as nossas potencialidades não é possível ter um país rico e equilibrado. É necessário criar condições para que a agricultura apareça como fonte de rendimento, em que as pessoas se dedicarão voluntariamente a essa vertente, a qual cria emprego sustentável, tal como acontece noutros países. O concelho da Sertã foi um caso de sucesso na agricultura e isso pode continuar. O que não pode acontecer é que a propriedade seja tão dividida. Emparcelamento é fundamental. Criar escala vai permitir a dedicação à agricultura, por exemplo mecanizada, e isso já é rentável e assim criam-se postos de trabalho. A Sertã tem terra de qualidade, água em abundância e temos todas as condições para que a floresta e a agricultura sejam exploradas de forma rentável.

RC – Quanto ao cadastro. Não há forma de resolver o problema de forma barata e rápida.
JFN – O cadastro é o primeiro passo. Não quer dizer que fiquem todos os problemas resolvidos. O cadastro não pode ter custos elevados mas, à semelhança do que aconteceu com as casas, cada proprietário fez o levantamento. No rústico também deveria ser assim. Terá de passar por aí ou por uma forma semelhante, já que está ao alcance de todos. Se algum proprietário não tivesse condições financeiras, essas propriedades teriam de ser entregues a um banco de terras ou a uma entidade semelhante. Tem é que haver uma alternativa.

RC – Outro problema é que muitas pessoas não conhecem o que é seu!
JFN – É verdade e quanto mais tarde pior. Este problema é urgente. Entendo que deverá haver uma candidatura a fundos europeus para o emparcelamento e para o cadastro.

RC – E como está o processo na Sertã?
JFN – A Sertã tem condições para ter agricultura e floresta de qualidade mas não tem. Enquanto essas medidas e regras não forem criadas, nada disto, em qualquer concelho, funcionará. O cadastro já está a ser estudado. A câmara já reuniu com uma empresa para a sua criação. Será feito um levantamento do concelho e será depois mais fácil entregar o trabalho às juntas para que os proprietários tenham curiosidade e encontrem mais facilmente as suas propriedades. Assim penso que vamos conseguir criar o cadastro no concelho.

RC – Já estão criadas as três Áreas de Reabilitação Urbana do concelho, ou seja Sertã, Cernache e Pedrógão Pequeno. O Governo apoiou na ARU da Sertã e as restantes são da responsabilidade da autarquia. Era importante dar este passo?
JFN – Era indispensável porque os centros urbanos estão abandonados e por isso tinha que se fazer algo para contrariar essa tendência. Tal passa pelas autarquias. O Poder Central abriu candidaturas que estamos a aproveitar. Ainda há pouco me ligaram para ver se uma determinada freguesia também podia ser incluída. Significa que as pessoas querem aproveitar esses incentivos. Há a dificuldade das casas construídas em contínuo. Deviam ser criadas outras alternativas e, quem pretendesse, ter hipótese de viver em moradias isoladas. Neste caso existe o constrangimento do Plano Diretor Municipal que proíbe a construção fora dos centros urbanos. Se a legislação não tivesse sido tão exigente, garantidamente que havia mais pessoas no concelho da Sertã e nos concelhos do interior. Penso que este rigor foi intencional para levar as pessoas para os grandes centros urbanos que têm uma legislação diferente das comunidades intermunicipais. Tudo isto faz com que tenhamos um país a duas velocidades. Onde há milhões de pessoas existe um tratamento e tudo é possível e onde há milhares de pessoas é tudo difícil e quase impossível criar condições para as pessoas se fixarem. O Poder Central tem que contrariar esta diferença entre áreas metropolitanas e comunidades intermunicipais. São realidades que deveriam ter o mesmo tratamento.

RC – Uma das obras neste contexto de Regeneração Urbana é a Avenida Gonçalo Rodrigues Caldeira…
JFN – Sim. Começámos por ali mas podíamos ter começado por outra obra, mas ali os empresários também estão a puxar pela câmara. Querem ter condições para haver uma diferença. Em termos empresarias a rua está bem entregue. Na Rua Cândido dos Reis é precisamente o contrário. É a câmara que está a tentar criar algumas condições para que depois as empresas, pessoas e casais se fixem naquela que é a rua mais antiga da vila.

RC – A questão do Mercado de Cernache do Bonjardim também tem sido muito falada. Poder-se-á integrar nesta regeneração ou terá de ser feita uma candidatura diferente.
JFN – Só há uma candidatura e optámos pela maior quantia, ou seja a ARU da Sertã. Não havendo para Cernache temos que seguir as mesmas condições. Em relação ao mercado temos mesmo que requalificar aquele espaço.

RC – O que se poderá fazer daquele edifício?
JFN - Queremos dar-lhe uma dinâmica diferente e que o projeto convide as pessoas a irem para aquele edifício e criar condições para que seja atraente. Depois das obras feitas garantidamente que terá procura. O rés-do-chão será para mercado e o primeiro andar ficará mais amplo para ver depois as tendências.

RC – E quanto à biblioteca para Cernache do Bonjardim, já descartaram a hipótese da Casa do Dr. Abílio Marçal?
JFN – Sim. Temos que ser razoáveis. Nenhuma avaliação atribuiria aquele valor, que é muito elevado e não conseguimos dá-lo. Se por acaso fosse um preço razoável, era um local provável. Atendendo aos proprietários penso que deveria ser preservado porque estava-se a reconhecer as pessoas que por ali passaram. Há entretanto outros locais para a biblioteca.

RC – E quanto ao edifício espaço dos CTT, o que poderá surgir ali?
JFN – O edifício é da PT. A empresa mostrou vontade de vender e penso que continua disponível, mas há algumas nuances e perdemos muito tempo. Depois não se conseguem fazer projetos porque tudo tem uma oportunidade. Os serviços técnicos da câmara e da PT estão em conversações. Quando tudo estiver concluído teremos tudo preparado para fazer a escritura. Ali poderá funcionar um Espaço do Cidadão, tal como em Pedrógão Pequeno e uma Loja do Cidadão na Sertã.

RC – Mas aquele edifício dá para mais?
JFN – Sim. Quando aquele espaço for nosso vamos ver o que é possível ali instalar. Até a própria biblioteca podia ficar naquele espaço. O processo esteve quase concluído, depois houve uma alteração. No entanto estou convencido que em pouco tempo tudo se resolverá.

RC – Por falar em biblioteca, a da Sertã está no limite da sua capacidade e a precisar de um espaço novo!
JFN – A Direção Geral do Livro e das Bibliotecas tem regras e essas regras têm exigências e as mesmas não satisfazem aquele espaço, que não tem as condições exigidas e não podemos prestar o serviço que poderíamos prestar. O edifício está bem requalificado mas falta espaço e pensamos encontrar outro local e na devida altura teremos que fazer alguns contactos para conseguir fundos.

RC – O antigo Quartel dos Bombeiros, era o local ideal?
JFN – Era um dos locais. No entanto a Santa Casa da Misericórdia da Sertã já mostrou interesse em ficar com o edifício e com o terreno, que é deles. Dentro de dias teremos uma reunião a três (Câmara da Sertã, Bombeiros Voluntários e Santa Casa) para ver se há algum entendimento e definitivamente resolver a situação do quartel. Penso que é mau não haver decisões. Foi o que aconteceu com a Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Pequeno. Por não haver corpos sociais o edifício acabou por cair e é isso que quero evitar com o quartel antigo da Sertã.

RC – Na saúde, a questão do edifício do Centro de Saúde da Sertã também tem sido uma luta e a requalificação não era o pretendido!
JFN – Não. A minha ideia sempre foi fazer um edifício novo e requalificar o atual transformando-o em Unidade de Cuidados Continuados. Tive reuniões nesse sentido, mas é o que sempre digo: é preferível decidir do que não decidir e continuar na indecisão toda a vida é que era mau. Em relação ao terreno que tínhamos vamos dar-lhe outro destino.

RC – Qual?
JFN - É uma empresa que pretende criar 19 postos de trabalho na área da saúde e vai ocupar uma parte do espaço.

RC – Fala-se em duas fases para a obra do Centro de Saúde…
JFN – Relativamente a esse processo sei que esta é uma primeira fase num investimento de seiscentos mil euros e depois haverá uma segunda fase. Depois de tudo concluído ficará no valor que era previsto para um espaço novo. O que me parece é que o que será feito nesta primeira fase será bem feito e isso é ótimo. Depois a segunda fase gostaria que não demorasse muito e estou convencido que no próximo Quadro Comunitário de Apoio se conseguirá encontrar alguma verba. Não podemos deixar morrer esse assunto.

RC – Como sempre disse, somando estas duas fases, far-se-ia um edifício novo?
JFN – Sim. A recuperação de um edifício tem praticamente os mesmos custos que um novo. O que pretendíamos era, com o pessoal da câmara recuperar o atual edifício. Seria um esforço grande mas depois criaria postos de trabalho na Unidade de Cuidados Continuados. Seria um bom investimento.

RC - A par das questões da saúde, está a Estrada Nacional 238 . Como está o processo para a sua requalificação?
JFN – É um processo que está a demorar mais do que eu gostaria. Pois todos gostávamos que estivesse resolvido. O primeiro passo a fazer é que a Ascendi deixe de ter a sub-concessão para passar à Infraestruturas de Portugal. Aí sim, vamos começar a referida requalificação e será tomada uma decisão. O processo está assim encaminhado. Durante o Inverno deverão cair mais pedras das barreiras e a estabilização caberá à Ascendi.

RC – Quanto ao turismo. Para além de todo o potencial do concelho, a tentativa de cativar turistas é uma aposta?
JFN – A nossa preocupação é criar postos de trabalho, desenvolver a economia, criar emprego e empresas e isso leva-nos a que tenhamos que encontrar forma de atrair pessoas que estão na área da gastronomia ou no desporto. Lembro por exemplo o Campeonato Nacional e Mundial de Wakeboard no Trízio. Isso traz turistas com poder de compra e são eles que precisamos. Vêm, estão durante um determinado período e voltam ao longo do ano. Têm pretensões de adquirir terrenos e moradias. Isso faz com que a câmara continue a investir nestas atividades.

RC – Falando em Zonas Industriais. As da Sertã e de Cernache já estão definitivamente legalizadas?
JFN – Era fundamental. O processo foi muito burocrático mas neste momento estamos em condições de entregar terrenos e fazer a escritura de terrenos que ainda não estão escriturados. Vamos adquirir terrenos para satisfazer os pedidos que temos. Quem quiser investir tem condições para isso.

RC – Existe também um regulamento que ajuda à fixação de empresas.
JFN – Nunca mexemos no valor de preço por metro quadrado nas Zonas Industriais. Se criarem um determinado número de postos de trabalho têm regalias que podem chegar a custo zero para o terreno. Facilitamos ao máximo.

RC – Vai-se recandidatar?
JFN – Vamos pensar nisso seriamente no princípio do ano. As eleições são no final de 2017 e vamos passar o Natal e o Ano Novo de forma tranquila em termos políticos. As coisas não podem ser feitas em cima do joelho. Tem de haver um tempo para refletir e pensar nessa situação que é das mais sérias.

RC – Mas está disponível?
JFN - Temos que estar sempre disponíveis. A regra do partido é que quem está possa continuar. Agora tudo tem que ter um tempo e que ser discutido. Dentro de pouco tempo decidiremos.


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