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Presidente Luís Pereira pondera recandidatar-se a um próximo mandato… Em 2014, Vila Velha de Ródão era apontado como o concelho da região mais envelhecido do país. Na altura o Instituto Nacional de Estatística mostrava que por cada oito idosos havia uma criança.

Para combater este flagelo, a câmara tem vindo a trabalhar no sentido de atrair empresas e de, com elas, criar emprego. Nesta altura, Vila Velha de Ródão é um concelho exemplar ao nível de criação de emprego e consequente aumento de população, aspetos que deixam a câmara e Luís Pereira, presidente eleito há três anos, satisfeito com o trabalho desenvolvido, mas ainda é preciso fazer mais, nomeadamente fixar os que para ali vêm trabalhar diariamente.
Apoios em todas as áreas, desde a infância até à terceira idade, fazem igualmente deste, um concelho de eleição para muitas famílias.

Rádio Condestável (RC) – Presidente Luís Pereira, que balanço faz destes seus primeiros três anos à frente da câmara de Vila Velha de Ródão?
Luís Pereira (LP) – É um balanço muito positivo porque as melhores expetativas foram superadas. Nós já tínhamos uma experiência de três mandatos na vereação da câmara. Tínhamos conhecimento daquilo que era a realidade do concelho e estávamos identificados com a estratégia que tinha vindo a ser desenvolvida ao longo de 12 anos. Estes três anos foram o continuar dessa estratégia e seu aprofundamento e traduziram-se num sucesso assinalável que hoje transforma este concelho como uma referência na captação de investimento e fixação de pessoas.
Aquilo que são os maiores desafios do interior, em Vila Velha têm sido superados e hoje este é um concelho com sinais muito positivos no que é o seu desenvolvimento. Passados 16 anos estou satisfeito. Este é um concelho que tem futuro, que marcou a diferença e que soube aproveitar as oportunidades, explorar as suas diferenças, atrair investimento e criar riqueza.
Obviamente que há aqui um envolvimento grande da câmara nessa estratégia e quando ela tem sucesso é o sucesso de toda uma equipa que se envolveu muito. Como responsável por essa equipa, sinto-me muito satisfeito.

RC - Vila Velha de Ródão foi considerado, em 2014, o concelho mais envelhecido do país e foram-lhe colocados alguns rótulos. Neste momento eles ainda o preocupam?
LP – De todo. Esses rótulos nunca nos preocuparam. Entendemos que essa preocupação, e quando se fala na natalidade, envelhecimento e despovoamento do interior, deve ser mais abrangente pois isso não se verifica só no interior. Aqui em Vila Velha, com os investimento que temos conseguimos atrair pessoas e  fixar jovens e hoje temos sinais extremamente positivos. Na creche da Santa Casa da Misericórdia, há quatro anos tínhamos 16 crianças e hoje mais do que duplicámos esse número. No Agrupamento de Escolas tínhamos 180 alunos, crescemos para 190/200 e este ano já ultrapassámos os 210. Estamos a crescer cerca de 10 % ao ano. Isto tem sido conseguido também com um conjunto de políticas da câmara no âmbito social, que vão desde o apoio à fixação das pessoas, pagamento das rendas, manuais escolares e creche e construção de casas, conjugando assim a criação de emprego com medidas sociais muito importantes. Isso deu resultados e hoje marcamos a diferença. Temos muitos jovens a residir e a estudar aqui.

RC – Parte dessa atração deveu-se ao investimento privado?
LP – Vila Velha podia ter aqui um problema muito sério porque tinha instalada uma empresa com 40 anos, que estava ultrapassada e numa situação difícil. Depois da sua privatização conseguimos conjugar esforços e de um problema conseguimos uma solução. Uma solução que para uma empresa era importante e que viabilizou investimentos que a conseguiram transformar numa referência. É uma das empresas de produção de pasta de papel mais eficiente do mercado e com referência a nível internacional. Tal também foi conseguido porque, da parte da câmara houve uma estratégia forte, caso contrário esta empresa poderia estar melhor do que está mas o concelho não. Conjugámos uma estratégia onde foram adquiridos terrenos e elaborados planos de gestão do território com a captação dos investimentos. Hoje há uma competição muito grande para fixar investimento e nós, as autarquias, temos que saber dar respostas e saber que a resposta das empresas tem um tempo diferente dos tempos administrativos. Aqui conseguimos que elas fossem dadas no tempo que era preciso. Foi isso que fez e está a fazer a diferença.
Na próxima reunião de câmara iremos apresentar mais um investimento significativo para Vila Velha de Ródão e que é feito por um empresário do litoral pois encontrou aqui as respostas que queria e a comodidade necessária relativamente aos problemas que tinha para viabilizar o seu investimento.

RC - No âmbito das autarquias, estamos hoje perante o ciclo da competitividade. Neste quadro, um autarca atual poderá será designado como um facilitador?
LP – Não gosto da palavra facilitador mas um autarca hoje tem que ter uma perspetiva diferente da que teve nestes 40 anos de Poder Local Democrático. Investimos nas infraestruturas e hoje temos que as conservar. Hoje um autarca tem que se sentir como presidente de uma agência de desenvolvimento local. Isto significa que temos que ser muito ativos na captação e viabilização de investimento e nas respostas que damos para que esse investimento seja viabilizado e temos que ter um esforço na qualidade de vida das pessoas e nas suas condições sociais.

RC – Temos assim que simplificar!
LP – Temos feito um esforço no sentido de aligeirar a carga burocrática mas ainda há muitos entraves. Um empresário quando decide fazer investimento não se compadece com o percurso das capelinhas. Seria essencial, para que fossemos mais ágeis e competitivos, que todos os investimentos fossem coordenados por uma única agencia que fizesse a coordenação com as várias entidades que têm que dar respostas e depois, que os tempos fossem estabelecidos. Se a entidade deu resposta, muito bem, se não deu seria entendida como positiva e a entidade teria que assumir as responsabilidades pela sua falta de capacidade. Isso responsabilizaria mais os agentes e daria ao país uma competitividade diferente daquela que temos.
No entanto também temos, na Administração Pública pessoas muito empenhadas e que se esforçam para que estas questões tenham resposta em tempos oportunos. Aqui sentimos sempre um forte empenho para que os investimentos fossem viabilizados, pois eram importantes para a economia local, regional e nacional.

RC – Que investimento é esse que será anunciado em breve?
LP – Estamos em conversações com um empresário que no próximo ano, se for concretizado, criará mais postos de trabalho. Para além do investimento industrial terá associado o investimento imobiliário, uma lacuna no nosso concelho. Temos a possibilidade de criar emprego e de fixar mais residências.

RC – A câmara vai assim continuar a política de construção de habitações?
LP – Sim. No próximo ano queremos construir mais 18 fogos e por isso foi importante associar o investimento atrás referido ao imobiliário.

RC – O investimento que falou terá ligação aos restantes que aqui já estão instalados?
LP – Não. Será ligado ao setor do papel mas completamento diferente do que está instalado. Temos a Celtejo, a AMS que tem já perto de 180 postos de trabalho, está a ser instalada a PaperPrime que vai criar 50 e esta nova mais 40. Tudo isto faz com que em Vila Velha ninguém esteja desempregado e quando falamos nestes números, mais de metade dos empregados são dos concelhos limítrofes e o nosso desafio é que elas cá se fixem.

RC – Também por causa da aposta na construção de fogos acontece esta aposta no imobiliário?
LP – O que nos motiva é criar emprego e fixar pessoas, porque quando vêm para aqui têm despesas com a deslocação e podem ter mais qualidade de vida ficando em Vila Velha de Ródão, encontrando também aqui uma oferta de habitação muito competitiva. É ao conjugar esses fatores que estamos a delinear a nossa estratégia.

RC – O que é que Vila Velha tem mais além de investimento industrial?
LP – Vila Velha é muito mais do que investimento industrial. É-o também noutras áreas. Para além destes, que são os mais significativos, a área agrícola está a ter investimentos relevantes. Entre o ano passado e este temos cerca de 10 milhões de euros de investimentos feitos essencialmente na freguesia de Perais e que têm mudado a face do concelho. Também estão a ser feitos investimentos na área das pastagens e dos frutos secos. Investimentos que penso que terão um crescimento substancial a avaliar pelo que têm sido os contactos que os empresários têm tido connosco.

RC – E o turismo?
LP – Também aí tem havido um forte investimento. Até há bem pouco tempo era uma área praticamente estagnada. No ano passado tivemos o investimento da Urgueira de mais de dois milhões e euros. Em Vila Velha mais dois que têm tido muito sucesso e pelos contactos do empresários temos excelente expetativas nessa área, dando aqui um outro incremento ao potencial turístico do concelho.

RC – As pessoas começam a descobrir o concelho mas há que lhes mostrar outras coisas…
LP – O concelho tem enormes mais-valias turísticas, quer pelas suas paisagens ou património natural e cultural. Havia aqui algumas lacunas e investimentos que tinham que ser feitos e também aqui a câmara soube desenvolver estratégia. Recuperámos algum património num investimento significativo mas foi a pedra de toque para começar a valorizar esses investimentos. Juntando a esses o que foi feito na ligação ao Rio Tejo, com as infraestruturas que foram criadas, criaram-se as condições para que os investidores privados surgissem e hoje Vila Velha tem uma atividade turística muito sustentável. As pessoas têm a possibilidade de fazer passeios de barco, de visitar o Lagar de Varas, o Cearte e ver o que é o nosso património arqueológico, o complexo de gravuras rupestres que está submerso mas que as pessoas podem perceber a importância delas visitando o Cearte. Isso gera complementaridades que têm sido bem aproveitadas pelos investidores no turismo e tem tido um sucesso muito apreciável, traduzido em números que até há quatro ou cinco anos eram impensáveis.

RC – O rio volta a ser uma autoestrada para os turistas?
LP – O rio é o ex-libris da Vila Velha com as Portas de Ródão. Quando falamos a alguém e nos identificamos como sendo daqui, obviamente que as Portas de Ródão e o Rio Tejo são incontornáveis na conversa. Infelizmente o rio não tem sido bem tratado por todos nós, a câmara tem assumido as suas responsabilidades e temos trabalhado com as entidades ambientais no sentido de nos articularmos e trabalharmos em conjunto. As próprias empresas têm feito investimentos significativos. Temos, relativamente a uma empresas, algumas dificuldades mas temos estado a fazer algum esforço com o Ministério do Ambiente no sentido de resolver essa situação e a verdade é que queremos que Vila Velha de Ródão, nas questões ambientais seja um bom exemplo. Queremos que seja marcado pelo desenvolvimento, pela criação de emprego e atração do emprego mas não queremos que seja feito a qualquer preço, mas sim com forte compromisso ambiental. E é isso que estamos a fazer. O rio é demasiado importante para os territórios onde passa para ser hipotecado e todos temos a responsabilidade de deixar o rio, no mínimo igual, se possível, melhor, para as gerações vindouras.

RC – Concorda com a ideia de serem as autarquias, junto ao Rio Tejo, a gerirem o território?
LP – A primeira reunião que tivemos sobre esse assunto foi feita aqui, com a Secretária de Estado do Ordenamento do Território e os presidentes das câmaras de Idanha-a-Nova e de Castelo Branco, que são as autarquias que estão abrangidas pelo Parque do Tejo Internacional. Como princípio pareceu-nos interessante juntar a autarquia, o Instituto de Conservação da Natureza e as pessoas que estão ligadas aos territórios e que têm ligação efetiva com o mesmo. As autarquias, com o conhecimento que têm podem marcar a diferença relativamente à gestão do território e aproveitar a sua importância na sua gestão e diferenciação para o futuro do desenvolvimento do turismo e do território.

RC – Será uma forma de aproximar as pessoas e as entidades de um problema e de um território e aligeirar situações?
LP – A presença das autarquias na gestão desse território será positiva e marcará a diferença. Os autarcas são políticos de proximidade e as dificuldades existentes na gestão do parque serão diluídas, e a relação das pessoas com o território sairá reforçada.

RC – Outra luta deste e de outros municípios junto à A23 são as portagens. Continua a ser um problema para este concelho?
LP – Eu acho que, à medida que os problemas económicos do país se vão diluindo, essa questão pode ser abordada de forma diferente e mais racional. Se quisermos desenvolver o território do interior terá que ser com medidas diferenciadoras e com algum arrojo. Criar portagens com o valor com que foram criadas é estar a penalizar o interior e a colocar mais uma barreira ao seu desenvolvimento. Não faz sentido o preço de portagens neste momento. Travaram o seu desenvolvimento. Não tenho dúvidas que se, em 2008, quando foi feito o investimento em Vila Velha de Rodão, tivéssemos portagens na A23 o investimento não teria sido feito. Apelo aos nossos decisores, quando tiverem que refletir nestas questões e no peso das portagens para o Orçamento de Estado, que pensem no fator negativo que tem relativamente à capacidade de atração de investimento no interior.

RC – Existe a expetativa dos empresários que aqui se fixam, de que as portagens possam vir a descer?
LP – Há essa expetativa. O Governo já criou algumas medidas positivas e esperemos que elas sejam reforçadas, caso contrário continuamos a ter um travão relativamente ao desenvolvimento do interior.

RC – A este propósito, vê com bons olhos as 163 medidas apontadas pela Unidade de Missão para a Valorização do Interior?
LP – Sim, vejo com muito bons olhos e acho que é muito positivo que um Governo que, chegado ao seu primeiro ano de atividades, tenha apresentado este número de medidas para o interior. Mostra a preocupação que tem para com o interior. Saudámos a criação desta unidade e demos também um contributo relativamente às medidas que acreditamos que podem marcar a diferença. Acreditamos particularmente nas medidas pela via fiscal porque não introduzem a necessidade do governo ter mais despesa. Acreditamos que, se conseguirmos ir mais além nesse aspeto, podemos ter resultados muito positivos na captação de investimento.

RC – E quanto aos idosos. São igualmente uma preocupação desta autarquia?
LP – Foi uma área em que fizemos um investimento muito significativo. Temos três IPSS que têm feito um trabalho notável e onde a câmara tem dado um forte contributo nos investimentos que têm feito e no seu funcionamento. Hoje temos uma resposta de grande qualidade e os nossos lares são uma referência. É uma atividades que tem tido um peso muito grande na economia local. Temos aqui um excelente exemplo do que é a capacidade de iniciativa das nossas instituições, dos seus dirigentes e do que se pode fazer tendo um bom relacionamento com a câmara.

RC – Tentam igualmente que o envelhecimento seja ativo, com a criação de várias estruturas!
LP – Iniciámos o ano passado a Academia Sénior. Acreditámos nesse projeto desde início pelo significado que poderia ter para as pessoas que o frequentassem. Iniciamos com 80 pessoas e hoje temos cerca de 100. Temos funcionários da câmara que, nas horas de serviços, são disponibilizados para irem à academia dar o seu apoio na informática, inglês ou cozinha. Temos os nossos autocarros que dão apoio nas deslocações para as aulas de natação em Proença-a-Nova. O objetivo é que as pessoas com tempo disponível tenham uma melhor qualidade de vida.

RC – Vai-se recandidatar?
LP – Quando iniciei este desfio tive o privilégio de ser inserido numa equipa muito boa, que se tem mantido muito coesa e tem-se sabido renovar e tem sido muito gratificante trabalhar com eles há particamente 16 anos. Terá de ser uma decisão ainda avaliar pela equipa e se entenderem que eu serei a pessoa certa para continuar à frente dos destinos do concelho, estarei disponível para continuar. O trabalho que temos feito tem sido um trabalho que tem marcado a diferença e que tem feito deste um concelho que se tem sabido desenvolver e apostar nas estratégias corretas. Se não tivéssemos tido a capacidade de implementar estas estratégias, este hoje seria um concelho em que a câmara ou a Santa Casa da Misericórdia seria o maior empregador.


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