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Relatório da Comissão Técnica Independente (CTI) foi entregue hoje na Assembleia da República… Um alerta precoce poderia ter evitado as mortes que aconteceram no incêndio que a 17 de junho começou no concelho de Pedrógão Grande. A conclusão é da comissão técnica independente e pode ser consultada no relatório de 296 páginas, hoje divulgado.

Ainda sem ler este documento Valdemar Alves, presidente da autarquia local, já disse que “era muito difícil combater este incêndio”. “Temos que ter a consciência tranquila”, adiantou, reconhecendo que “isto foi o diabo que andou aqui à solta”.

No item intitulado “O que poderia ter sido diferente”, lê-se que “esta ausência de alerta precoce, por não ter sido feita a leitura do incêndio às 18:00 (e mesmo antes), não permitiu impedir a maioria das fatalidades”.
Este trabalho de antecipação “deveria ter sido feito no seio do comando e planeamento desta operação de socorro e deveria ter resultado na mobilização dos meios necessários, incluindo a GNR, para evitar que se tivesse verificado uma fuga para a morte, tal como veio a acontecer”, acrescenta a comissão.
Outras conclusões do documento dizem que poderiam ter sido tomadas medidas nas primeiras horas do combate ao fogo para evitar consequências mais graves. O presidente da comissão João Guerreiro afirmou que, nas primeiras horas, deveriam ter sido dadas ordens para retirar as pessoas das aldeias em torno de Pedrógão Grande. A partir de certa altura, acrescentou, “tornou-se impossível” combater o incêndio, pela sua intensidade.

A CTI concluiu igualmente terem existido falhas no comando do combate ao fogo. O documento refere que “a presença ativa do comandante nacional teria todo o sentido pelo facto de se estar perante uma das piores catástrofes com que o país alguma vez foi confrontado”. As "opções táticas e estratégicas", tomadas durante o combate ao incêndio de Pedrógão Grande, contribuíram para as "consequências catastróficas" do fogo, que provocou 64 mortos. "A incapacidade para debelar o fogo nascente na primeira meia hora após a eclosão, dado o tempo decorrido desde a ignição e os meios empregues em ataque inicial, que foram insuficientes para as condições do dia", é outra das causas apontadas. As autoridades não tiveram "a perceção da gravidade potencial do fogo", pelo que no combate inicial "não foram mobilizados totalmente os meios que estavam disponíveis", concluiu ainda a referida comissão, adiantando que "não houve pré-posicionamento de forças, nem análise da situação com base na informação meteorológica disponível".
Descarga elétrica na origem do fogo

O incêndio que começou em Pedrógão Grande foi causado por descargas elétricas mediadas pela rede de distribuição de energia. “O incêndio de Pedrógão Grande é muito provavelmente aquele que, em Portugal, libertou mais energia e o fez mais rapidamente (com um máximo de 4.459 hectares ardidos numa só hora), exibindo fenómenos extremos de vorticidade e de projeção de material incandescente a curta e a longa distância”, sintetiza o relatório.
Além dos aspetos já referidos, conclui-se que os sistemas de combate “não estão preparados” para enfrentar as alterações climáticas.
Entretanto, o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoulas Santos, garantiu que o Governo vai acolher as recomendações que considerar pertinentes do relatório da Comissão Técnica Independente aos incêndios na região Centro.
O relatório analisa os fogos ocorridos entre 17 e 24 de junho nos concelhos de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Ansião, Alvaiázere, Figueiró dos Vinhos, Arganil, Penela, Oleiros, Sertã, Góis e Pampilhosa da Serra.

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