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Cinco meses depois, imagens em direto do fatídico dia 17 de junho foram apresentadas… Durante o dia de ontem, 16 de novembro, a Escola Tecnológica e Profissional da Zona do Pinhal (ETPZP), em Pedrógão Grande, acolheu uma conferência intitulada “A Tecnologia nos Fogos Florestais”. Esta teve como objetivos a divulgação de imagens captadas, do grande incêndio do dia 17 de junho, por um sistema criado pelos alunos da escola e ainda a apresentação de quatro novos projetos, que se baseiam na videovigilância de fogos florestais.

O sistema experimental instalado na torre do quartel dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande (BVPG), permitiu observar, em tempo real, aquele que viria a ser o dia mais trágico em Portugal. Agora, cinco meses depois, as imagens são divulgadas após um estudo feito por investigadores. Foi Xavier Viegas, professor do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais (CEIF) da Universidade de Coimbra que elaborou um relatório a pedido do Governo sobre este incêndio e que estudou estas imagens. “Se não tivéssemos estas imagens, muitas das coisas que se passaram tínhamos que estar «a inventar». É claro que fizemos um grande trabalho no terreno, falar com pessoas que nos fizeram relatos de muitas coisas mas as imagens são muito objetivas, estão referenciadas no tempo, permitem ver os locais e como se diz «uma imagem vale mais do que mil palavras»”, referiu o especialista. Tudo começou às 14:38 e, as imagens captadas por estas câmaras de videovigilância, ajudaram a fixar a teoria de que a partir das 18:00 o incêndio ficou descontrolado. Xavier Viegas esclarece que as imagens foram vistas “muito cedo” quando ainda não tinham grande conhecimento sobre o incêndio.

No entanto, quando mais tarde observaram o efeito que este fogo teve a partir de uma certa hora “o modo como se desenvolveu, compreendemos que, neste caso, a partir das 18:00, este era um incêndio incontrolável. Talvez até lá se pudesse ter combatido, mas a partir dessa altura não havia nada a fazer” disse, realçando que “tudo o que se passou entre essa hora e as 21:00, que está associado a uma grande tragédia humana, era muito difícil de ser contrariado”. Estas imagens são obtidas a partir de um sistema de quatro câmaras fixas que a ETPZP tem a funcionar no referido quartel, sob orientação do professor Ricardo Pereira. O sistema de videovigilância de fogos florestais deverá ser melhorado e alargado, numa segunda fase, aos municípios vizinhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, referiu o responsável. O professor explicou que agora existem quatro frentes de trabalho, a primeira “aumentar a videovigilância e chegar aos concelhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera” e a segunda fase, “conseguirmos criar tecnologia nos veículos de combate, ou seja, sabermos onde está, termos imagens ao redor do veículo, online, ter um registo da localização da viatura e comunicar com ela”. Posteriormente, a terceira fase é a utilização de drones, “não é muito consensual mas seria importante a sua utilização tanto na prevenção, como no combate e no pós-incêndio. Sabemos que durante o combate não é permitido, neste momento e legalmente, subir um drone, mas queremos provar que se calhar temos que repensar isso”, defendeu.

Ricardo Pereira, sustentou dizendo que os drones “podem ser úteis, não têm que andar na mesma zona dos helicópteros mas podem dar imagens que ajudam na coordenação”. Por último será a criação de um veículo de comando que “os BVPG não têm e aqui à volta não existe corporação nenhuma com veículo de comando (deste tipo) e os nossos alunos querem desenvolver esse carro”. Na abertura deste seminário João Marques, diretor geral da ETPZP, lançou o desafio à sociedade, à autarquia e empresas, para ajudar na criação destes projetos. “Faço um apelo às autoridades e um pedido de ajuda para estes projetos que iremos apresentar à Fundação Ilídio Pinho” disse. O diretor sublinhou que são uma escola e que não produzem nada que possam vender, “vivemos dos apoios do Estado, não temos folga orçamental para podermos fazer determinados projetos, por isso é que utilizamos equipamento barato no projeto inicial”. Para os interessados em ajudar estes estudantes a meter a segunda fase do projeto em pé, poderá fazê-lo através da conta com o IBAN: PT50 0035 0591 00009596230 28. De referir que para avançar com a nova fase do projeto, agora apresentado, é necessário um investimento que ronda os 15 mil euros. Valdemar Alves, presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, elogiou desde logo este trabalho que ajudou a desmistificar este incêndio, no entanto, continua a ser cedo para uma conclusão. “Efetivamente em boa hora estava aquela câmara que gravou e ajudou a esclarecer muita gente. Surpreendeu e levou muita gente a mudar de conclusões mas ainda hoje é cedo para as conclusões deste incêndio”, concluiu.

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