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Cooperativa de apicultores apostada em ganhar escala... Tal como o incêndio do ano passado em Vila de Rei, contam-se outros três em anos espaçados pelo tempo.

A fauna e a flora têm sido severamente afetadas e a consequência é direta para as abelhas. Já dizia Albert Einstein que “quando as abelhas desaparecerem da face da Terra, o homem tem apenas quatro anos de vida”. É que elas são essenciais para o nosso ecossistema sendo responsáveis pela polinização, o processo em que se dá a passagem de células reprodutivas masculinas (através dos grãos de pólen) para o recetor feminino de outra flor. Tal contribui para a produção de muitos dos alimentos que chegam às nossas mesas.
Aos poucos a natureza vai-se recompondo. As flores já brotaram mas a urze e o rosmaninho, bases do mel desta região, ainda não estão na sua máxima força. As abelhas que sobreviveram às chamas ainda não podem colher daí o que precisam para a sua labuta diária. A essas chamas de agosto sucumbiram mais de mil colónias no concelho. O número “é bastante elevado tendo em consideração a quantidade de apicultores que temos, que são pequenos apicultores”, contextualiza Salomé Peralta, presidente da cooperativa de apicultores do concelho – MelRei. Esta cooperativa reúne cerca de 50 sócios ativos e outros de concelhos limítrofes. Sendo um dos objetivos desta organização incentivar a pequena produção para fazer escala e ajudar os pequenos produtores a escoar o seu produto, este desiderato foi igualmente afetado na medida em que os pequenos produtores viram a sua aposta comprometida. O incêndio foi “dramático” pelo “número considerável de perdas e depois diretamente também a perda de flora, de pasto apícula para as nossas abelhas”, disse Salomé.

Como as abelhas não tinham e ainda têm muito pouco que comer, continuam a ser alimentadas à base de açúcar, o objetivo é que não morram e “temos que comprar esse alimento”. Tal “vai incrementar o custo de produção e vai também depois aumentar o preço do mel, o custo final”, desvendou, falando num consequente aumento de despesas. Além deste facto, “os apicultores que perderam as abelhas vão ter que recuperar esse efetivo”, comprando enxames ou multiplicando os que têm. As consequências dos incêndios são assim prolongadas no tempo e Salomé Peralta aponta um prazo de dois ou de três anos para que tudo regresse à normalidade. Enquanto estiverem a ser alimentadas com açúcar, o mel não será aproveitado, pois “é produzido através do açúcar, portanto não tem as características do pólen, das flores, do néctar que lhe confere as características benéficas”, desvenda.
No que diz respeito a apoios, para a apicultura não existem. “A autarquia apoia sim em termos de projetos de reflorestação, nomeadamente na compra de medronheiros e oliveiras, o que já é um bom incentivo porque o medronheiro faz bastante falta à apicultura, é um arbusto com potencial apícula bastante elevado. Depois tem apoios que são dirigidos a todos os empresários de Vila de Rei que queiram fazer um investimento na sua propriedade, na sua exploração, na sua atividade”, elucida.

A recuperação da atividade depende, portanto, da recuperação da natureza. Será tudo muito lento mas porque o apicultor trabalha por amor, Salomé sabe que a recuperação irá acontecer e ninguém irá desistir de produzir mel, até porque, confirma, “regra geral, o apicultor é uma pessoa que trabalha por amor, que gosta daquilo que faz e portanto não desiste. Vai-se buscar forças a esse amor de ver as abelhas a trabalhar, depois a produzir e todo esse processo que é tão fantástico”.
Assim, no futuro e porque o mercado quer escala, “o trabalho da cooperativa passará por aí”, acalenta esta apicultora.
Por agora há que esperar que a natureza faça o seu trabalho e o ciclo de vida regresse ao normal, no seio de uma normalidade humana que dificilmente será a mesma.


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