CASTELO BRANCO: Entidades contra possível fecho de maternidade

Deputados, autarcas e sindicatos tomam posição

CASTELO BRANCO: Entidades contra possível fecho de maternidade

A notícia de que um grupo de peritos encarregue de propor uma solução para as urgências de obstetrícia e blocos de partos nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) havia proposto ao Governo o fecho do atendimento SOS em dois hospitais da Grande Lisboa e dois na área geográfica da Administração Regional de Saúde do Centro, ou seja, as urgências obstétricas de Vila Franca de Xira, Barreiro, Covilhã e Castelo Branco fez soar os alarmes.

Deputados do PSD questionam Governo
Os deputados do PSD eleitos pelos círculos de Castelo Branco, Cláudia André, e de Braga, João Prata já vieram questionar sobre as “ameaças do fecho de bloco de partos no distrito”.

Numa missiva enviada ao Ministro da Saúde, Manuel Pizarro, os deputados em causa “pediram explicações sobre as mais recentes notícias que indicam um possível fecho de blocos de parto nos distritos de Castelo Branco e da Guarda”. No mesmo documento, que fizeram chegar à Rádio Condestável, os parlamentares afirmam que este é um tema recorrente “no debate da política de saúde materno-infantil convocando para o efeito que, pelo menos, três ministros da saúde de governos socialistas nomearam comissões técnicas para a elaboração de uma rede de referenciação hospitalar de saúde materna e infantil”.
“Ao que se sabe, e ainda pela comunicação social, o relatório final terá sido apresentado ao governo e, aquele documento, preconiza o encerramento dos blocos de partos dos hospitais de Castelo Branco e da Guarda, mantendo o bloco de partos do hospital da Covilhã ou, noutras notícias, encerram o de Castelo Branco e da Covilhã e mantém-se o da Guarda”, lê-se no documento enviado. Cláudia André e João Prata dizem não ter dúvidas que a recorrência desta circunstância “é lesiva do bom nome daquelas unidades de saúde e de todos os seus profissionais, desincentiva a eventual deslocação de outros profissionais de saúde nestas e noutras especialidades, fomenta o alarme social e condena aqueles territórios a uma continuada assimetria social e territorial”.
Desta forma para os sociais-democratas e “face ao alarmismo social que foi criado junto das populações importa que o governo clarifique a sua posição e, para além, da rápida divulgação pública do documento final produzido”.
Sendo assim os parlamentares querem saber se “é ou não intenção do governo encerrar algum/uns dos blocos de partos supramencionados; é ou não intenção do governo legislar muito oportunamente para contrariar o alarmismo social que deixou criar nas comunidades referidas; que medidas extraordinárias têm sido tomadas, além da simples abertura de vagas a concurso, para reforçar as equipas médicas de especialistas em obstetrícia?”.

Presidente da câmara considera “descabida” a possibilidade de encerramento
O presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, considerou “completamente descabida” a possibilidade do encerramento da urgência da maternidade do Hospital Amato Lusitano (HAL) e estranhou que se faça essa proposta sem ouvir os interlocutores locais, nomeadamente o presidente da câmara e os responsáveis do SNS”, afirmou à agência Lusa.

“No que diz respeito à Câmara Municipal de Castelo Branco, enquanto presidente, não houve nenhum contacto. Penso que o presidente do Conselho de Administração do Hospital Amato Lusitano também não terá tido, o que estranho, para se avançar para uma proposta dessas sem ouvir aqueles que são os responsáveis pelo território”, salientou o socialista, considerando “completamente descabida a possibilidade de a maternidade vir a fechar ou as urgências da maternidade de Castelo Branco virem a fechar”.
Leopoldo Rodrigues salientou que durante todo este período de tempo em que várias maternidades no país tiveram que fechar por falta de médicos, a maternidade de Castelo Branco “manteve-se sempre a funcionar”. “Ainda não houve um dia que tivesse fechado por falta de médicos”, frisou e adiantou que este é o segundo concelho do país com maior área territorial e que a maternidade do Amato Lusitano, onde as grávidas fazem os atendimentos e onde os partos são realizados, serve um conjunto de concelhos vizinhos.
“Depois, estamos também a falar de coesão territorial. Nós não podemos andar aqui todos os dias a promover o interior, a fazer apelos para que as pessoas venham viver para o interior, e depois fechamos serviços que são fundamentais para que isso aconteça”, sustentou. Realçou ainda os apoios que a autarquia albicastrense está a dar no sentido de apoiar as famílias e contribuir para a fixação e atração de novas. “Se lhes tiramos este tipo de serviços fundamentais para que os jovens se fixem aqui, estamos a dizer que afinal não vale a pena estar nestes territórios, não vale a pena pensarmos o interior como um local onde se vive bem, onde temos todas as condições para ter uma vida profissional e pessoal de qualidade”, sublinhou. Leopoldo Rodrigues recusou-se a aceitar que, após tanto esforço, “depois, de um momento para o outro, um conjunto de peritos sem sequer ouvir os interlocutores locais faz uma proposta que ainda tenho algumas dúvidas que seja real”.
“Mas, sendo uma possibilidade, tenho de me pronunciar enquanto presidente, no sentido de mostrar a total surpresa e total discordância. Esta opinião é partilhada por todos os albicastrenses”, concluiu.
O autarca deixou ainda um recado ao Governo: “Sobre os assuntos de saúde no interior, o que esperamos da tutela é um reforço dos meios e não queremos um esvaziamento. Queremos que criem condições para termos mais médicos”.

USCB diz que ideia é “desincentivo à fixação de jovens casais"
Intitulado “Fechar maternidades – mais um passo para o encerramento do interior”, o comunicado da União de Sindicatos de Castelo Branco (USCB) deixa transparecer que o eventual encerramento da maternidade no HAL, naquela cidade, "prejudicará as populações do concelho" e será "um desincentivo à fixação de jovens casais".

No documento o sindicato começa por sustentar que “é público o estudo que aponta para o encerramento da maternidade no Hospital Amato Lusitano em Castelo Branco, com o argumento de que pela A23, qualquer grávida chega à Covilhã em 40 minutos, mas será que querem que as crianças comecem a pagar portagens antes de nascerem?”. Além desta questão, a USCB pergunta se os estudiosos saberão “que em Castelo Branco também nascem crianças da Sertã, Proença-a-Nova, Oleiros, Vila Velha de Rodão, Idanha-a-Nova e Penamacor?”
A Direção da USCB diz que não pode ficar indiferente ao estudo que define de “régua e esquadro, baseado na existência de uma autoestrada, e que a concretizar-se prejudicará as populações dos concelhos já referidos, e significará mais um desincentivo para a fixação de jovens casais”. Diz que “investir no SNS terá de ser a solução. Apostar nos cuidados de proximidade local, dotar o SNS de meios que respondam às necessidades das populações”, também. O sindicato lembra que “investir no SNS é também valorizar as carreiras e as remunerações dos seus trabalhadores” e termina apelando a trabalhadores e populações a defender a maternidade.

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