CERNACHE DO BONJARDIM: Novo executivo divulga situação financeira da UFCBNP

Assembleia reuniu extraordinariamente ontem, dia 22 de outubro.

CERNACHE DO BONJARDIM: Novo executivo divulga situação financeira da UFCBNP

A Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais (UCBNP) reuniu ontem, dia 22 de outubro, em Assembleia Extraordinária para apreciar uma informação da presidente acerca da atual situação financeira e discutir a conta de gerência relativa ao período entre 1 de janeiro de 2021 e 13 de outubro último.
Assim, Maria João Ribeiro, presidente da UFCBNP, depois de fazer uma caracterização exaustiva das despesas fixas da união de freguesias, deu nota que, “tendo em conta o número de habitantes e área territorial, recebemos anualmente 142 mil euros e um valor mensal atribuído à transferência de competências, de 5 mil euros”. Para além destes, há ainda outros valores que são variáveis mas que totalizam anualmente cerca de 277 mil euros.
Do lado oposto, existem dívidas a fornecedores de cerca de 28 mil euros e dívidas à banca de aproximadamente 46 mil euros. Estas são fruto de dois empréstimos a curto prazo, um de abril deste ano de cerca de 26 mil e 500 euros e que tem ainda 500 euros disponíveis e um segundo de junho, de 20 mil euros, “gasto e não liquidado”, acrescentou a autarca. Maria João Ribeiro demostrou assim alguma preocupação, uma vez que a dívida é superior ao permitido por lei e, caso não seja saldada até ao final do ano, o financiamento por parte do fundo de financiamento das freguesias fica comprometido.

Antigo executivo justifica contas

Miguel Vieira, anterior tesoureiro da UFCBNP fez questão de justificar alguns dos valores apresentados, referindo que, o que o Estado dá para funcionamento de uma junta não chega para fazer face aos vencimentos dos funcionários. Quanto à questão da candidatura dos fontanários, falta receber a verba. “O financiamento da Caixa de Crédito Agrícola (20 mil euros) foi para compensar a questão dos fontanários, e essa verba será paga até final do ano”, disse Miguel Vieira.
Quanto ao empréstimo do Santander (26.500,00 euros) é para fazer face a despesas anteriores. Miguel Vieira recordou contudo que esta junta até está em vantagem porque a transferência de competências atribui uma verba superior à que, até aqui, era dada por parte da câmara.
Se as contas da junta andaram sempre no vermelho ou próximo disso, nos últimos anos pioraram por causa do assalto aos correios, sendo que a junta teve que suportar a verba subtraída pois não havia seguro. “Tivemos que repor os valores furtados e foi de mais de uma dezena de milhar de euros”, deu conta, referindo ainda que também as despesas sociais pesaram, e muito, para que o défice fosse ainda maior. O antigo tesoureiro deu ainda o exemplo do transporte de cerca de 400 pessoas para a vacinação contra a Covid-19, assegurado pela união de freguesias, mas cujos gastos daí inerentes nunca foram compensados por parte do poder central.

Também Filomena Bernardo, anterior presidente da UFCBNP prestou alguns esclarecimentos essencialmente no que se refere aos gastos com a contratação de pessoal dizendo que “entraram no quadro mais quatro funcionários, e não foi escolha deste (anterior) executivo, mas por causa da lei dos precários”. Nos últimos dois anos (2019 e 2020), todas as receitas da união de freguesias “caíram para mais de metade”, pois houve “menos atestados, menos licenças e o aluguer da casa mortuária, apesar da redução na renda, teve que ser pago e o espaço nunca foi utilizado”, vincou Filomena Bernardo. Além disso, “limpámos, durante três anos, as três freguesias, com uma verba de 14 mil euros”. A antiga presidente admitiu que as contas ficaram desarrumadas mas que, ainda assim, “o acordo com os CTT passa dos 700 euros, e é certo, e chega para pagar à funcionária. O Espaço do Cidadão, embora dê pouco lucro, com muita luta conseguimos ficar com a autonomia total. Foi este executivo (anterior) que lutou, como nenhum outro, para que a delegação de competências fosse uma realidade, e dos 14 mil euros anuais passámos a receber 63 mil”, atestou.

Anterior executivo lamenta atual postura da união de freguesias

Rui Antunes, antigo secretário desta união de freguesias, lamentou os boatos anteriores a esta reunião extraordinária, os quais, no seu entender, “colocaram em causa o bom nome dos anteriores elementos quando tudo poderia ter sido esclarecido com uma reunião entre atual e anterior junta”.
Maria João Ribeiro esclareceu que o objetivo desta reunião foi “mostrar como a junta está estruturada, que o nosso financiamento é curto, mas temos que gerir com o que temos”, disse, ciente de que vai ser difícil gerir os próximos anos “porque a despesa anterior é muito maior”, sustentou.
Quanto aos boatos, “não podemos fazer nada com eles”. A reunião visou assim “mostrar de forma aberta”, o ponto de situação atual, finalizou.
Na hora do público, o antigo elemento do PS daquela assembleia de freguesia, Vítor Cavalheiro, que durante quatro anos votou sempre contra a conta de gerência, reforçou que continua a sentir-se enganado pois as várias contas de gerência não refletem o atual estado financeiro da junta. Por seu lado, o freguês Eduardo Patrício, lamentou o facto de o anterior executivo não ter conseguido fazer muito pois em seu entender “a anterior câmara apenas se preocupou em governar para a vila da Sertã”.

Partilhar: