CERNACHE DO BONJARDIM: Trízio é “Aldeia Segura”

Como reagir em caso de calamidade

CERNACHE DO BONJARDIM: Trízio é “Aldeia Segura”

O Programa “Aldeia Segura Pessoas Seguras” criado em 2017 após os grandes incêndios já chegou à União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais. A primeira aldeia a ser preparada para de forma organizada responder perante um incêndio rural que se aproxime, é a aldeia do Trízio, na antiga freguesia de Palhais.
Para além das faixas de gestão de combustível, foi criado um circuito de evacuação e um local de concentração e de abrigo que vai funcionar no Centro Social, Cultural, Recreativo e Desportivo.
Por cada aldeia é designado um Oficial de Segurança Local para fazer a ligação entre a população e as autoridades em caso de catástrofe. A ele cabe-lhe encaminhar a população para o abrigo e difundir os avisos que são divulgados pela Proteção Civil. César Rodrigues é um dos mais novos habitantes da aldeia e aceitou de imediato desempenhar este papel, “até porque alguém tem que se disponibilizar para poder ajudar a comunidade e daí a minha opção”.
Ernesto Martins já está reformado mas continua com uma grande vontade de ajudar o próximo. Ele é também Oficial de Segurança Local e não conseguiu resistir ao pedido que lhe foi feito, pois “foi daqueles pedidos que a gente não consegue dizer que não por causa de quem o fez e o espírito de entreajuda das pessoas da aldeia”.
O Comandante Distrital da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Francisco Peraboa, considera fundamental este programa para evitar no futuro situações como as que se viveram no passado recente, já que “este projeto permite envolver não só os responsáveis de nível local mas sobretudo as populações naquilo que é o criar de uma maior resiliência para os grandes incêndios rurais, criando assim um elo de ligação com os agentes locais, com as populações e sobretudo com o cidadão, principal agente de proteção civil”.
O programa tem todas as ferramentas para que, em caso de “um incêndio rural as pessoas possam ser mantidas em segurança e em caso de necessidade serem evacuadas com alguma tranquilidade. Para que isto aconteça foi primeiro preciso que pessoas como as do Trízio mostrassem essa abertura e sentido de responsabilidade para consigo e com os seus vizinhos”, referiu o responsável da ANEPC de Castelo Branco.
Filomena Bernardo, presidente da União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais está satisfeita por finalmente poder ver este projeto implantado no terreno, pois “foi um processo iniciado em 2019 que devido à pandemia se atrasou. Agora sei que estamos no final do verão mas há mais verões e é preciso acautelar a proteção das nossas populações”. A autarca referiu ainda que “este programa poderá vir a ser alargado a outras aldeias da união de freguesias, como por exemplo Várzea de Pedro Mouro ou Foz da Sertã, só para citar algumas”.
Para que este programa possa ser alargado a outras aldeias, a autarca diz que “é preciso voltar a existir o espírito de comunidade que ao longo dos anos se tem vindo a perder”.
Num concelho com mais de 300 aglomerados populacionais, o programa pode continuar a ser replicado, disse Rogério Fernandes, Vice-Presidente da Câmara da Sertã, mas “é necessário que as pessoas assim estejam dispostas a colaborar para a sua própria segurança”.
A partir de agora a mensagem que foi deixada é a de que a população deve treinar os procedimentos para que se tornem rotina e em caso de um incêndio rural saibam o que cada um tem de fazer.

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