DISTRITO/Castelo Branco: Deputadas do PSD e do PS falam sobre Coesão Territorial

No parlamento, no âmbito de uma interpelação do PSD sobre a matéria.

DISTRITO/Castelo Branco: Deputadas do PSD e do PS falam sobre Coesão Territorial

Na sequência de uma interpelação do PSD ao Governo sobre a Coesão Territorial, Cláudia André, deputada do PSD eleita por Castelo Branco, questionou a ministra da tutela, Ana Abrunhosa, sobre os problemas do interior do país, zona considerada como “o território mais valioso de Portugal”, lembrou. Aconteceu no âmbito do debate sobre Coesão Territorial de dia 13 de maio e foi requerido pelo PSD.
Em nota enviada à comunicação social, Cláudia André recorda que falou sobre educação para dizer que os jovens do interior que ingressam na universidade de uma grande cidade acabam por não regressar “porque os empregos qualificados e bem remunerados multiplicam-se nas grandes cidades”, porque os grandes desafios estão lá e porque “não encontram futuro no interior do país”, apontou, acusando o Governo de enganar, dando como exemplo a “história da Unidade de Missão para a Valorização do Interior” que, após ter sido criada, hoje em dia “não se conhecem nem atividades nem funcionários que marquem essa diferença no Pinhal Interior ou em qualquer outra parte do interior do país”.

Desta forma Cláudia André quis saber se “a ministra já fechou a Unidade de Missão”, tendo ficado a saber da própria Ana Abrunhosa que “a Unidade de Missão desapareceu, porque foi criado o Ministério da Coesão Territorial”. A deputada social-democrata criticou ainda o facto de as medidas anunciadas pelo ministro Siza Vieira não se terem refletido na fixação de novas empresas ou de pessoas no interior do país.
Em suma, para a parlamentar, “a valorização do interior não está a acontecer” e por isso “não se encontram sinais de retrocesso no processo de perda da população”, afirmou.
Em contraponto, a deputada do PS, igualmente eleita por Castelo Branco, Hortense Martins, nesse mesmo debate, rejeitou a ideia de um “interior assistencialista e quer mais desenvolvimento e coesão para um país mais igual”, explica em nota enviada à comunicação social. A também vice-presidente da bancada socialista sublinhou o contributo do PS para a coesão territorial e para o desenvolvimento do interior, defendeu "menos portagens" para um país "melhor" e "mais igual" para todos e lembrou ainda o recente prémio de Região Empreendedora Europeia atribuído a Castelo Branco, que destaca o apoio ao "empreendedorismo jovem" e à "cooperação transfronteiriça" numa cidade do interior.

Em contraposição à ideia de um "interior assistencialista" apontado pelos partidos da direita, a deputada fez notar que o interior é hoje "um território mais desenvolvido, com infraestruturas que podem proporcionar uma melhoria de qualidade de vida e oferecer melhores condições de atração de empresas e de população", como foi também referido durante o debate pela ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa. "No entanto, temos que acelerar o desenvolvimento e a coesão", advertiu, defendendo que é necessário "complementar as vias importantes, como as vias transfronteiriças" e outras vias em falta "que ligam os territórios do interior", como o IC31 e o IC6, disse, não mencionando a tão almejada retificação do troço da EN238, entre Cernache do Bonjardim e Ferreira do Zêzere.
Recorde-se que no primeiro trimestre do ano passado a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo incluiu esta via no Programa Nacional de Investimentos até 2030. Esta CIM “incorporou e priorizou este projeto como uma das vias estruturantes para a competitividade empresarial de caráter intermunicipal”, dava conta, na ocasião, o presidente da Câmara Municipal da Sertã na reunião do executivo camarário de 2 de março de 2020. Ainda sobre a importância desta via, em novembro seguinte a mesma CIM mostrou-se disposta a avançar com a obra de requalificação da EN 238, desde que o Estado garantisse o financiamento da mesma.
Hortense Martins expressou igualmente o desejo de "um país com mais igualdade de oportunidades, um país melhor para vivermos, trabalharmos, estudarmos e fazermos turismo", para o qual conta "com a senhora ministra, com o senhor Primeiro-Ministro e com todos os governantes e também com o Parlamento", reforçou.

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