MAÇÃO: Museu - Experiências digitais ligam realidades

Cinco novas experiências e um arqueoparque prometem dinamizar ainda mais o Museu de Mação que, desta forma, liga a realidade passada ao presente e ao futuro.

MAÇÃO: Museu - Experiências digitais ligam realidades

O Museu de Arte Pré-histórica e do Sagrado no Vale do Tejo reabriu ao público hoje, dia 6, abrindo igualmente novas portas ao conhecimento através da disponibilização de atividades digitais e de realidade aumentada que pretendem proporcionar ao visitante uma experiência diferenciadora e ainda mais enriquecedora. Este é, de resto, um caminho que o museu tem feito ao longo dos tempos para dar a conhecer o património concelhio aos de dentro e aos de fora, e que agora conhece uma nova estação que responde às exigências dos tempos atuais, concordou Vasco Estrela, presidente da câmara municipal de Mação, no final da apresentação dos novos projetos. “Estamos mais perto dos cidadãos de todo o mundo. Com uma simples aplicação as pessoas podem aceder ao que aqui vamos fazendo”, disse, adiantando que a ideia é as pessoas verem que “aqui há potencial, muito trabalho feito e esta é uma boa forma de divulgar o concelho, as nossas ideias e a nossa história”, sustentou.

Foi assim apresentada a app de acesso ao Património Arqueológico e Etnográfico do Concelho, incluindo experiências de realidade aumentada na vila de Mação. As experiências da Anta da Foz do Rio Frio, da Praça Gago Coutinho, da Pesqueira e do Coreto são algumas das que estão disponíveis e que visam demonstrar como eram estes lugares e estas atividades em tempos antigos. A ideia é que a pessoa se mova pela vila, sinta e aprenda, na envolvência física atual, a realidade de antigamente, explicou Luíz Oosterbeck diretor do museu. “A ideia é que as pessoas aprendam como eram as coisas no passado e que ao mesmo tempo exercitem o seu corpo a fazê-las”, elucidou, explicando que “é preciso usar os dedos e os olhos, deslocarmo-nos no território, caminharmos e conversarmos com as pessoas na vila”. As experiências estão espalhadas no território “e se as pessoas forem lá (Vale do Ocreza, Rio Tejo, Anta da Foz do Rio Frio, entre outros) terão uma experiência interativa, mas o grande benefício será o de experimentar o território”, reforçou o diretor.
Foi igualmente feita uma explicação da aplicação para telemóvel do primeiro projeto de Ciências Participativas em Portugal. Esta app permite e convida à participação de toda a população na identificação e registo do património arqueológico, histórico e imaterial.
Esta aplicação procura promover um trabalho conjunto entre investigadores e cidadãos nos processos de recolha e processamento de informação científica. Assim, um cidadão voluntário com a app instalada, ao visitar determinado ponto de interesse pode adicioná-lo à informação constante da app seguindo um conjunto de opções, podendo adicionar fotografias. Esta recolha é feita com apoio de equipas especializadas. Falamos de património edificado, sítios arqueológicos e património imaterial. Esta aplicação acaba por ser uma forma nova e inovadora de fazer prospeção.
No que diz respeito à experiência específica do Ocreza, permite que o utilizador, através de um dispositivo de realidade virtual a 3D, viaje no tempo que medeia o Mesolítico e a atualidade, passando pelo ano de 1970 (descoberta das gravuras rupestres) e desfrute de várias sensações relacionadas com as gravuras rupestres aí existentes. 

Outro dos projetos em desenvolvimento no jardim do Calvário, nas traseiras do museu, é o arqueoparque Andakatu. São dois hectares de terreno onde estão a ser desenvolvidas demonstrações da altura da idade do Bronze, do Paleolítico ou do Neolítico para depois apresentar aos visitantes que também poderão “fazer uma viagem pela história”, disse o autarca maçaense. Este é um espaço antigo no concelho mas que nunca foi devidamente aproveitado pelos munícipes. Agora ganhará outra vida, espera Vasco Estrela, confessando ter pena de “não ser mais vivido”, mesmo após a beneficiação que aconteceu em 2010 para o tornar mais atrativo.
“Daqui a alguns meses haverá ali novos motivos de interesse para que as pessoas e as crianças possam usufruir daquele espaço”, que classificou de “uma mais-valia para o concelho”.
Este parque está a ser edificado com o envolvimento dos utentes da Universidade Sénior, utilizando matéria-prima local de árvores não autóctones e vai permitir reaprender e experimentar as tecnologias do passado, reavivar saberes tradicionais e transmiti-los às novas gerações e criar espaços de experimentação participativa. Prevê-se que este parque esteja pronto em agosto próximo. O projeto é igualmente sustentável e por cada árvore cortada, serão replantadas cinco.
Este parque é cofinanciado pelo Programa Operacional de Inclusão Social e Emprego (POISE), Portugal 2020 e União Europeia.

Partilhar: