PAMPILHOSA DA SERRA: Vinha poderá vir a ser imagem nas encostas do Zêzere

Projeto visa adaptar o território às alterações climáticas.

PAMPILHOSA DA SERRA: Vinha poderá vir a ser imagem nas encostas do Zêzere

Com o objetivo de criar áreas de descontinuidade florestal para aumentar a resiliência aos incêndios rurais e adaptar o território às alterações climáticas, o Município da Pampilhosa da Serra vai apostar no setor vitivinícola, plantando vinha nas encostas do Vale do Zêzere. O projeto foi apresentado ontem, 21 de junho. A ideia da câmara foi “olhar para o território e perceber o que se podia fazer de diferente na encosta do Zêzere, na freguesia de Portela do Fojo/Maxio”, disse o vice-presidente da câmara, Jorge Custódio. Esta é uma zona que apresenta muitas semelhanças com as encostas do Douro, ilustrou ainda o autarca.
O estudo deste projeto foi feito pela Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC), segundo o qual, a introdução da vinha é uma das opções para criar áreas de descontinuidade florestal e reforçar a capacidade de prevenir e travar a propagação dos incêndios.
Numa segunda fase, adiantou Jorge Custódio, vai haver necessidade de envolver os privados, sendo que “alguns porque querem participar financeiramente, outros porque têm terrenos e querem uma solução para os mesmos”. Na sua opinião “é este somatório de interesses (público e privado) que queremos achar neste modelo de governação e desenvolver este projeto que terá que ter escala”, vincou.
Integrada no Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas, da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIMC), a iniciativa tem em conta a previsão de "um aumento das condições propícias para a ocorrência de incêndios rurais nesta área específica do território". Como
foi apontado algumas destas áreas já arderam nos últimos 20 anos, cinco e algumas sete vezes, por isso é necessário procurar alternativas para este território.

No programa de mitigação às Alterações Climáticas no território de CIMC, a floresta e a agricultura são enfoque e Jorge Brito, secretário executivo da referida comunidade, explicou que a ideia “não é olhar para as alterações climáticas como uma inevitabilidade e de forma negativa mas, neste caso perceber o que podemos tirar de positivo destas alterações climáticas e, porque não o aproveitamento da vinha neste território”, disse, ciente que “poderá ser uma oportunidade”.
O caminho é longo mas Jorge Custódio demonstrou que a autarquia está disposta a fazer e a ajudar a fazer esse caminho. “Para já a ideia é a câmara funcionar como motor de arranque”, sustentou.
Este projeto visa intervencionar as encostas do Rio Zêzere pertencentes à União de Freguesias de Portela do Fojo/Machio. Henrique Marques presidente desta união de freguesias considera que o mesmo é “importante para o desenvolvimento da parte sul desta freguesia. Caso se concretize irá ajudar a criar emprego e a desenvolver a nossa freguesia”, disse.
De referir que o estudo do potencial vitivinícola do concelho de Pampilhosa da Serra está a cargo de uma equipa de investigadores da Escola Superior Agrária de Coimbra e tem tido o acompanhamento técnico do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária e do Instituto da Vinha e do Vinho.

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