PEDRÓGÃO GRANDE: Desilusão e descrédito marcaram discursos do Feriado Municipal

Autarca em fim de mandato não poupa nas palavras.

PEDRÓGÃO GRANDE: Desilusão e descrédito marcaram discursos do Feriado Municipal

O concelho de Pedrógão Grande assinalou, no passado sábado, dia 24 de julho o seu Feriado Municipal que, por causa da pandemia da Covid-19, viu reduzidas ao mínimo as cerimónias oficiais. Decorreu assim o habitual hastear da bandeira e a sessão solene na Casa da Cultura, na qual participaram apenas os convidados.
A terminar o seu mandato e a sua passagem na autarquia pedroguense, Valdemar Alves fez um balanço de oito anos de governança e deixou claro o seu desencanto para com “os mais altos responsáveis deste país”, os quais, na sua opinião, “ainda não entenderam que este território, altamente desertificado e com a sua população envelhecida, não pode ser continuadamente votado ao abandono e a ficar sem possibilidade de aproveitamento do seu enorme potencial económico”. Para o autarca é “imperdoável” este ato de abandono do Governo em relação ao Pinhal Interior, principalmente “depois dos trágicos acontecimentos de 2017”, disse, deixando claro que não se identifica com a classe política que hoje governa o país pois “independentemente do partido há uma discriminação que se acentua sobre aquilo que nós somos para eles, ou seja a minoria do interior, a qual não conta para a estatística das legislativas”.
No seu discurso, Valdemar Alves confessou ainda que em 2013, quando aceitou ser candidato, “não esperava encontrar uma câmara com falta de estrutura, pouco modernizada e com recursos humanos escassos e, algumas vezes, com o seu potencial retido. Não esperava também tanta resistência à mudança, à abertura e à liberdade de ação”, enumerou, acrescentando também que não era expectável “verificar a existência de uma estrutura organizada no seio da câmara municipal para atividades ilícitas, situação que ainda se encontra nas mãos da justiça”.
Nesta ocasião enumerou ainda algumas obras concretizadas, outras em curso e que no futuro darão frutos. Sobre o que foi feito após os grandes incêndios de 2017 considera que se fez pouco sobre a floresta e a agricultura, áreas que cobrem quase 90% do território do concelho, no entanto reconhece que os recursos são escassos e por isso, o Estado Central “poderia e deveria ter feito algo, e deveria estar a fazer neste momento algo pelo nosso território e por todo o território do interior florestal de Portugal”.
Nesta sessão solene, e considerando que este mandato foi marcado pelos incêndios, o presidente da Assembleia Municipal de Pedrógão Grande, Tomás Correia, confessou sempre ter pensado que este poderia ter sido um marco para o tão falado virar de página prometido pelos políticos.
Ao invés disso o que constatou foram medidas dispersas, sem articulação entre ministérios. Quanto ao julgamento que está a decorrer, onde estão sentados no banco dos réus, autarcas e bombeiros, disse que é apenas uma necessidade de encontrar alguém a quem descarregar uma culpa que nunca será deles.
Presente nesta cerimónia esteve também, e na qualidade de amigo e em solidariedade para com as gentes de Pedrógão Grande, o presidente da câmara de Oliveira do Hospital, José Carlos Alexandrino. Sublinhando as palavras de Tomás Correia, o autarca classificou o atual julgamento como o “julgamento da vergonha”. Deixou claro que não são dez metros de limpeza para cada lado da estrada que evitam uma tragédia e exemplificou com um caso concreto na Barragem da Aguieira onde, uma ilhota cheia de árvores “ardeu completamente e estava rodeada de água”. A limpeza dos referidos dez metros “não podem servir de bode expiatório”, adiantou, lamentando ainda que alguns responsáveis pela feitura das leis não estejam igualmente sentados no banco dos réus.

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