REGIÃO: Arte dá FÔLEGO contra as alterações climáticas

Projeto foi apresentado hoje em Oleiros e vai durar dois anos.

REGIÃO: Arte dá FÔLEGO contra as alterações climáticas

O projeto FÔLEGO vai abranger os concelhos de Mação, Oleiros, Proença-a-Nova, Sertã e Vila de Rei. Trata-se de um projeto no âmbito das artes. Os referidos concelhos vão, nos próximos dois anos, ser palco de várias iniciativas culturais que pretendem juntar a arte e chamar a atenção para os problemas das alterações climáticas como explicou hoje, 24 de novembro, em Oleiros, Rita Guerreiro da organização. “É um projeto de intervenção cultural com uma ligação muito forte ao território, com uma vontade muito forte em ir além do território dando voz às tradições e aos costumes”. Para tal existem “parcerias importantes estrangeiras com uma companhia de dança da Noruega, a Universidade da Islândia, entre outros. Por cá temos parcerias com a empresa Mapa das Ideias para fazer o diagnóstico sociológico do território”, adiantou.
As atividades serão variadas, sendo objetivo “chegar ao maior número possível de pessoas”, reforçou.

Câmaras abraçaram com bons olhos este projeto

Para os presidentes das câmaras desta região, este é um tema que urge levar a cada uma das pessoas deste território por forma a sensibilizar para esta problemática. A arte pode assim ser uma boa forma para se compreender esta situação, disse o vice-presidente da câmara de Mação, António José Louro, explicando que “estando nós na aldeia global, as alterações climáticas vão sentir-se aqui tal como na Islândia e nós já sentimos na pele esse fenómeno com os grandes incêndios”. Tal, “vai exigir mudanças nas sociedades e as mudanças, porque não serem feitas pela cultura”, questionou.
Por seu lado, Miguel Marques, vice-presidente da autarquia de Oleiros, considerou que, “sendo a cultura um veículo transversal, é importante esta interligação da população e da cultura com os artistas locais e os que vierem de fora, para que todos possam ter, e aumentar, os seus conhecimentos. Isso só irá engrandecer este território”, focou.
Proença-a-Nova também entra nesta equação e João Manso, vice-presidente da autarquia explicou que “este projeto virá trazer certas situações que as pessoas vão gostar. Vão estar disponíveis para participar porque, apesar de estarem, muitas delas, isoladas, sempre mostraram grande abertura a tudo o que é novo”, salvaguardou.
Destacando os vários tipos de atividades propostas, Carlos Miranda, presidente da câmara da Sertã, mostrou-se confiante que esta mistura de cultura com ciência tem tudo para dar certo. “Nós vivemos num mundo em que muitas vezes o conhecimento é compartimentado, de um lado a cultura, do outro o conhecimento científico. Aquilo que nós temos aqui, e que é muito interessante, é que temos um projeto que integra perfeitamente ciência, cultura, desenvolvimento económico e, dentro de cada uma destas áreas todas as subáreas que podemos considerar, estão aqui perfeitamente integradas”, explicou. 
Por último, Carlos Luís, técnico da área da cultura e do turismo da câmara de Vila de Rei, ressalvou que “a mais valia deste projeto é o facto da cultura servir como veículo para a mudança de mentalidades”, pois “todos falamos nestes temas mas muitos de nós não liga ao que isto quer dizer na prática”. Assim, “a cultura pode ser o gatilho para fazer despoletar mentalidades e ver com outros olhos o que está a acontecer a nível mundial”, sustentou.

Assim, ao longo dos dois anos irão ser desenvolvidos seis grandes projetos. São eles:

“Ice & Fire”, intercâmbio de residências académicas/artísticas entre a Islândia e Portugal – gelo e fogo –que culminará na elaboração de num manual de Boas Práticas para o Clima entre os dois países.

“Migrantes Climáticos”, projeto de criação sobre as memórias das populações migrantes no local pela companhia Teatro O Bando.

“Planta Party”, série de eventos musicais nas praias fluviais que levarão à reflorestação de áreas ardidas.

“Vilas Mutantes”, trabalho sobre as memórias, costumes e saberes da comunidade pela coreógrafa Alice Duarte e o músico Alexandre Moniz.

“H2Dance”, um “festival do futuro”, com foco nos desafios climáticos será preparado pela estrutura norueguesa H2Dance, envolvendo jovens e artistas locais profissionais.

Fernando Mota criará instrumentos musicais a partir de galhos de árvores e Capicua apresentará o projeto Mão Verde.

O FÔLEGO aliará as artes, a ciência e o ambiente, trabalhando a problemática do clima em várias frentes - não apenas numa abordagem conceptual e artística, mas também pela sensibilização e envolvimento da comunidade em ações concretas no sentido da mitigação e adaptação aos efeitos da crise climática.
Esta grande missão cultural e climática arrancará já este sábado com um concerto de Bruno Pernadas, na Casa da Cultura  da Sertã.

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