REGIÃO: Autarcas reagem aos resultados dos Censos 2021

Faltam políticas públicas para o interior, acusam.

REGIÃO: Autarcas reagem aos resultados dos Censos 2021

Na sequência da publicação preliminar dos resultados dos Censos 2021, verifica-se que todo o país perdeu população nos últimos dez anos e a nossa região não foi exceção. Numa ronda pelos concelhos da nossa região, obtivemos a reação dos presidentes de câmara aos resultados já conhecidos. Na sua maioria defendem a concretização de políticas públicas dirigidas ao interior para que a situação não se agrave.

Vila de Rei

O concelho de Vila de Rei foi aquele que, no distrito de Castelo Branco, menos população perdeu. Apesar do resultado negativo, em declarações à Rádio Condestável, o presidente da câmara Ricardo Aires está consciente que os apoios dados pela autarquia na fixação de população, juntamente com as entidades privadas, foram importantes, uma vez que “vão mantendo postos de trabalho”. “Sem esses apoios era difícil aguentar tanto a nossa população”, reconhece.
Em dez anos morreram 800 pessoas e nasceram 200 naquele concelho que, de acordo com os censos perdeu 176 pessoas. Assim, e fazendo as contas, em dez anos “conseguimos absorver 434 pessoas” e por isso o autarca destaca o trabalho dos privados que classifica de “heróis”. “São eles que dão emprego”, diz, considerando que “se houvesse políticas públicas nacionais para o interior do país não estaríamos a falar disto” e alerta “é preciso fazer algo”, para inverter esta tendência de perda.

Proença-a-Nova

O concelho de Proença-a-Nova perdeu, nos últimos 10 anos, 14% da sua população. João Lobo, presidente da câmara, considera que a falta de políticas públicas assertivas levou a esta realidade. Os municípios há muito que tomaram consciência deste problema e, de uma forma ou de outra, vão tomando medidas, mas estas não são acompanhadas pelas políticas nacionais. Reconhecendo que o problema é nacional e europeu, o autarca diz que “temos que olhar para a migração e a forma como podemos povoar estes territórios infraestruturados e captadores de pessoas e isso faz-se com habitação e trabalho”.
A formação e competências que se devem dar aos jovens e adultos “de forma continuada no tempo e articulada com o tecido empresarial” é outro dos aspetos apontados como relevante pelo presidente da câmara.

Figueiró dos Vinhos

Apesar do concelho de Figueiró dos Vinhos ter perdido menos população que nos Censos 2011, Jorge Abreu, presidente da câmara, confessa que já esperava o resultado pois “todo o interior está a perder população”, reconheceu. O autarca mostra esperança de que o Governo tenha acordado para esta realidade e que os apoios que vão chegar nos próximos anos, através do Plano de Recuperação e Resiliência, possam servir para inverter este desequilíbrio entre o litoral e o interior. Ciente de que equilibrar o país demora tempo, “tudo o que temos a fazer é trabalhar em conjunto, com medidas mais abrangentes e isso demora o seu tempo”, sublinhou.

Oleiros

O presidente da Câmara Municipal de Oleiros, Fernando Jorge, considera que é difícil inverter esta tendência de perda de população, tendo em conta a taxa de natalidade que se verifica. Comparando o número de funerais e de nascimentos “é fácil constatar que o envelhecimento da população é uma realidade”, disse. Este foi outro dos concelhos que perdeu gente e o autarca aponta ainda o dedo ao Governo por não investir nestes territórios, dizendo que os fundos comunitários, quando vêm “ficam todos na grande Lisboa ou no grande Porto”. Assim, mesmo que haja vontade dos responsáveis locais ou das populações, “estes concelhos não têm outra forma de lutar contra o despovoamento”, adiantou. Deste modo, inverter esta perda de população só se conseguirá com um forte investimento ao nível das famílias. Refira-se que a câmara de Oleiros é considerada a nível nacional, como aquela que mais apoia as famílias.

Mação

A realidade é “confrangedora” e esta é uma situação “complexa”, definiu Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal de Mação que viu o seu concelho perder, em dez anos, 921 pessoas. Durante vários anos esta “denunciámos esta evidência que agora os números transmitem de forma nua e crua”, refere à Rádio Condestável, adiantando que “ao longo de anos seguimos um caminho errado” e confessando que não percebe “como é que 51% da população vive em 31 concelhos”.
O cenário “é arrasador” mas o autarca não se escusa de assumir a sua parte de responsabilidade pelo estado de coisas. Agora o caminho é, no seu entender de “tentar suster, mitigar e encontrar soluções e melhorar a qualidade de vida dos que cá estão e dos que podem vir e constituir família. Não devemos desistir. Devemos olhar friamente para os números e estudar o que foi mal feito”, mesmo por que para Vasco Estrela “é determinante para termos um país coeso”.

A Rádio Condestável espera ainda uma reação por parte do presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, sendo que o autarca da Sertã informou que se pronunciará sobre este assunto na reunião do executivo municipal que terá lugar na próxima segunda-feira, 2 de agosto.

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