REGIÃO/Floresta: Transformação da paisagem deu os primeiros 47 passos

“Vamos financiar a área ardida para que ela não volte a arder” – Primeiro-Ministro, António Costa.

REGIÃO/Floresta: Transformação da paisagem deu os primeiros 47 passos

Foram assinados ontem, dia 19 de julho, no Centro de Meios Aéreos, em Pampilhosa da Serra, os 47 contratos programa para redesenhar a paisagem no âmbito das Áreas Integradas de Gestão de Paisagem (AIGP). Aconteceu no decorrer da cerimónia de apresentação da componente florestas do Plano de Recuperação e Resiliência, que contou com a presença do Primeiro-Ministro, António Costa, do Ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes e do Secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território, João Paulo Catarino.
O programa das AIGP é a imagem que se quer para o futuro do país com destaque para a área florestal. Deste modo, e como afirmou o Primeiro-Ministro, “vamos financiar a transformação da área ardida para que ela não volte a arder”.
A vontade de intervir no território é grande. A essa vontade soma-se “um aliciante financeiro com expressão” e o projeto é mesmo para avançar, quer os proprietários queiram, quer não queiram, garantiu João Matos Fernandes, lembrando “o regime do arrendamento forçado aprovado pelo Governo e que existe apenas e só dentro das AIGP. Este pode forçar os que não quiserem participar neste projeto. Não têm alternativa. Não é por um ou dois proprietários não quererem fazer parte que vão deixar de se concretizar as AIGPs”, atestou o governante. O projeto tem um investimento “à cabeça” de 170 milhões de euros, ou seja “3 mil euros por hectare para transformar o território”, sublinhou o ministro.

Contratos assinados para a região

Em Proença-a-Nova foi assinado o contrato para a constituição das AIGP de Corgas, Fórneas, Penafalcão e Alvito da Beira. Este foi um “passo importante” dado por todos, considerou João Lobo, presidente da autarquia proencense, sublinhando que a concretização do projeto dará trabalho, muito porque o território é de minifúndio, “mas é para os vindouros que se promovem estas AIGP”, notou.
Para o concelho de Vila de Rei foram contratualizadas duas áreas e Ricardo Aires, presidente da câmara, reconhecendo o trabalho árduo que se tem pela frente, mostrou-se certo que “esta será a última oportunidade” e que “estas áreas serão um complemento para valorizar o nosso território”. Neste processo, “será impossível para as autarquias, sem os proprietários, fazerem a transformação da paisagem”, alertou o edil vilarregense.
Mação é o concelho exemplo no trabalho de inversão do abandono das áreas florestais. Tem já contratualizadas oito AIGP numa área total de cerca de 20 mil hectares. Estes contratos “vêm de encontro àquilo que há muitos anos andamos a tentar fazer. Vem ajudar a consubstanciar as nossas ideias”, agradeceu o presidente da autarquia Vasco Estrela, considerando este “um passo fundamental para conseguirmos inverter este ciclo vicioso de incêndios” e desejando que “o nosso território possa ter alguma resiliência só com esta alteração da paisagem”.
Em Figueiró dos Vinhos o trabalho segue no sentido de ter uma AIGP na freguesia de Aguda e para Jorge Abreu “só assim podemos evitar tragédias como 2017. É um passo importante que o país está a dar, principalmente a nossa região que precisa de uma transformação consistente”, disse.
Em Pampilhosa da Serra será a AIGP da Travessa a marcar o início desta transformação num território marcado pelo abandono, pois, segundo avançou José Brito, presidente da câmara, as pessoas deixaram de investir porque sabem que a seguir, mais ano, menos ano, vai arder. “Não queremos que a paisagem regenere sem intervenção”, vincou.
Foi também assinado o contrato programa para a constituição da AIGP do Caniçal, no concelho de Oleiros, esta dinamizada pela União de Freguesias de Oleiros Amieira.
Estas áreas serão geridas por um período de 25 anos, de acordo com um modelo que irá potenciar intervenções de fomento da agricultura e da pastorícia, da responsabilidade de uma entidade gestora e suportada por um programa multifundos de longo prazo que disponibiliza apoios ao investimento inicial, às ações de manutenção e gestão ao longo do tempo e à remuneração dos serviços dos ecossistemas.

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