REGIÃO/Incêndios: PJ classifica engenhos como “novos e raros”

Podiam ser temporizados para horas ou dias.

REGIÃO/Incêndios: PJ classifica engenhos como “novos e raros”

A Policia Judiciária (PJ) realizou esta tarde uma conferência de imprensa na Diretoria do Centro com o intuito de prestar esclarecimentos adicionais sobre a detenção do homem suspeito de ter ateado diversos incêndios florestais nos concelhos da Sertã, Oleiros, Proença-a-Nova e Vila de Rei.
O suspeito utilizou diversos engenhos para atear os fogos, algo que já acontecia desde 2018. Fernando Ramos, coordenador do gabinete de investigação de incêndios da Diretoria do Centro da PJ explicou que no caso dos incêndios do ano passado, de Oleiros a 25 de julho e de Proença-a-Nova a 3 de setembro, o autor usou um temporizador (*), por si programado, para provocar as ignições. Os engenhos eletrónicos eram alimentados a bateria ou a pilhas, descreveu, acrescentando que “os temporizadores tinham a possibilidade de ser programados até 11 dias”, mas “os detetados ontem tiveram uma programação de 48 horas”.
Valter Constantino, subdiretor da Diretoria do Centro da PJ, deu conta que o método usado por este homem era “novo e raro” e classificou os mecanismos como “sofisticados em termos de retardamento da ignição”, uma vez que a ignição era retardada “durante horas ou dias para que, quando ela acontecesse, quem a desencadeasse pudesse estar completamente alheio da situação, e não ter nada a ver com o momento em que se está a iniciar o incêndio, pelo menos à primeira vista”. Por outro lado Valter Constantino sublinhou que o suspeito teria “um significativo conhecimento da evolução do incêndio, ou da forma como evoluem em relação às linhas de água, aos declives, ventos e temperaturas”. Destacou ainda a “coincidência”, das ignições com “maiores impactos sociais por haver proximidade com eventos socias de alguma relevância”.
A PJ notou ainda que o engenheiro eletrotécnico de 38 anos “conhece bem a zona, que se informa antes de começarem os incêndios”. “Tudo era preparado por este homem”, reforçou a polícia.

(*)-Temporizador: Dispositivo eletrónico alimentado por uma fonte de corrente contínua (pilhas ou bateria) que, usando um ou mais circuitos integrados, outros componentes e uma chave ou potenciómetro de programação, permite ter um retardo de atuação de horas ou dias, consoante o desenho eletrónico desse circuito, para atuar em conformidade com a programação. A bateria que o alimenta irá, também, através de um outro componente externo acionado pelo temporizador, desencadear o calor ou chama que, neste caso, proporciona a ignição das chamas ou do incêndio. Os temporizadores são muito úteis, sendo utilizados nas mais diversas aplicações e estão presentes no nosso dia-a-dia (numa torradeira, ex.), desde a indústria até à domótica.
Neste caso foram utilizados para fins criminosos.
Fonte: Departamento Técnico da Rádio Condestável.

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