SERTÃ: “Conciliação: trabalho, família e escola em tempos de pandemia"

Decorreu esta segunda-feira, 8 de março, na Sertã, um encontro online sobre “Conciliação: trabalho, família e escola em tempos de pandemia”. A iniciativa foi organizada pela Câmara Municipal da sertã e visou assinalar o Dia Internacional da Mulher.

SERTÃ: “Conciliação: trabalho, família e escola em tempos de pandemia"

Três mulheres, de áreas distintas, deram o seu contributo para analisar o assunto. Participaram assim, Maria José da Silveira Núncio (professora Universitária no ISCSP, mediadora e coach familiar,) Filipa Cristina (Gestora Educacional, fundadora da "Coração de Criança") e Rita Figueiredo (Professora de Mindfulness, fundadora da "Crescer Singular").
Considerando interessante a escolha do tema que colocou a temática nas mulheres da linha da frente no combate à covid-19, Maria José Núncio, sublinhou que “a maioria dos profissionais de saúde são mulheres e estamos nesta linha da frente também porque somos mais representativas nessa área”, disse. No seu entender, esta crise causada pela pandemia “veio agudizar as desigualdades e vulnerabilidades que já existiam”, exemplificando que são vulnerabilidades a existência de “uma maior suscetibilidade das mulheres à pobreza, sobretudo as que têm famílias monoparentais, maior probabilidade de desemprego ou sujeição a trabalho precário”. No entender desta profissional, a duplicação de tarefas a que se assiste nesta pandemia pode igualmente despoletar casos de violência doméstica que são ainda mais graves pois “é uma violência calada que se está a agravar”, atenta Maria José Núncio.
A conciliação entre trabalho e família, que ainda é uma tarefa maioritariamente de mulheres, deve passar a ser uma preocupação de todos. Tal consegue-se, no entender de Maria José, “se houver um compromisso empenhado de todos, principalmente nas crianças”. Este ensinamento deve ser passado através de exemplos, considerou.
Filipa Cristina, do projeto Coração de Criança defendeu que, seja em tempos de pandemia ou fora dela, a divisão de tarefas é fundamental e “a responsabilidade não pode cair toda nos ombros das mulheres. Há que dividir tarefas”, vincou. Defende igualmente que estas mensagens devem começar a ser passadas nas idades mais jovens, nas crianças que aprendem por imitação. “As crianças não fazem o que dizemos, mas sim o que fazemos, por imitação”, atestou.
Por último, Rita Figueiredo do projeto “Crescer Singular”, referiu que, para além das mulheres, as  crianças são também grandes vítimas desta pandemia e por isso é preciso muita atenção aos ensinamentos que lhe estamos a passar e “é preciso ser e saber o que se quer educar”, num projeto conjunto entre pais, escola e meio envolvente, “para que possam crescer com algumas estruturas”. Esta profissional chamou a este processo, “sementes de autoconhecimento, curiosidade autoconceito, aceitação, gratidão”, acreditando que “para que consigamos aprender a justiça nos direitos, temos que aceitar as nossas diferenças”.
Este webinar contou com uma considerável adesão por parte do público onde se voltou a discutir, mais uma vez, o papel da mulher na sociedade e ainda com mais acutilância nos tempos que vivemos. Ficou também a mensagem de que este dia, na maior parte das vezes, não passa de uma efeméride que fica bem assinalar e no dia seguinte tudo volta ao normal.

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