SERTÃ: Confinamento pode esconder casos graves de violência e maus tratos

A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens da Sertã (CPCJ) registou, em 2020, uma ligeira descida no número de casos acompanhados. Assim, no ano que passou entraram 74 processos, incluindo 25 que transitaram do ano anterior. São dados divulgados no relatório anual da CPCJ.

SERTÃ: Confinamento pode esconder casos graves de violência e maus tratos

A maior parte destes casos diz respeito a violência doméstica (13), seguindo-se os maus tratos psicológicos e negligência. Com as escolas em confinamento foi a GNR quem fez um maior número de sinalizações, referiu ainda este relatório.
Apesar de se ter verificado um decréscimo de sinalizações, isso não quer dizer que houve menos casos na comunidade. Ilda Bicacro, presidente desta comissão explicou à Rádio Condestável que haverá casos que, devido ao confinamento, não foram detetados. “Com as escolas fechadas e as famílias fechadas em casa, a sinalização é mais difícil”, reconhece, constatando que tal “não quer dizer que haja perigo ou perigo, não há sinalização”, diz, reconhecendo que “as crianças e jovens tornadas tornadas invisíveis e isto é mais preocupante ”.
Situações de perigo para as crianças, não são familiares, podem e devem ser denunciadas, mesmo pela comunidade em geral já que “a CPCJ não é judicial, nós não precisamos de testemunhas. Após a sinalização, somos nós técnicos que vamos entrevistar os atores, pai e mãe em primeiro lugar, o jovem se tiver mais de 12 anos, mas a nossa política é ouvi-las mesmo que tenham menos de 12 anos ”, acrescenta Ilda Bicacro que , mesmo em tempos de confinamento “fazemos visitas locais, observamos, falamos com a família restrita e alargada e intervimos”, rural.
O tempo é de pandemia e de confinamento. Como rotinas alteraram-se e sem elas, os jovens estão mais expostos ao perigo. “Pelo facto das famílias estarem confinadas, as escolas fechadas e os jovens não terem a sua rotina, o perigo espreita mais pois eles estão em casa, onde o clima de ansiedade, como incertezas quanto ao futuro, a ansiedade de perder o emprego, a Diminuições das possibilidades econômicas para fazer face às necessidades das necessidades, tornam os ambientes mais ansiosos, tensos e agressivos e por isso há mais situações violência doméstica ”, sintetiza.
A terminar, a presidente da CPCJ deixa o apelo para que não se deixe de denunciar, seja em que circunstância para, seja pelo telemóvel da comissão (962 045 956), para o número nacional (961 231 111) ou para o Município da Sertã (274 600 300).

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