SERTÃ: Futuro desta região assente no PRPI

A execução do Plano de Revitalização do Pinhal Interior (PRPI) pode ser a última oportunidade para estes territórios de baixa densidade. Foi uma das principais considerações deixadas esta manhã, na Sertã.

SERTÃ: Futuro desta região assente no PRPI

Decorreu esta manhã, na Casa da Cultura da Sertã, o debate sobre o Programa de Revitalização do Pinhal Interior (PRPI). A iniciativa, promovida pelo Ministério da Coesão Territorial e pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), com o apoio do Município da Sertã, contou, na sessão de abertura com José Farinha Nunes, Presidente da Câmara Municipal da Sertã, que destacou a pertinência do tema e dos convidados presentes, facto que em seu entender “deve ajudar a uma reflexão séria e objetiva”, disse, acreditando que hoje sairão da Sertã contributos importantes nesta temática. Recordando que o Governo concordou sobre a necessidade e urgência de “proceder à integração entre o ordenamento e o planeamento, por um lado, e o desenvolvimento territorial por outro, que têm que estar perfeitamente sintonizados e em interdependência”, José Farinha Nunes lembrou que “esta região há muito reclama por atenção e por um plano que promova um desenvolvimento sustentado do espaço rústico, reforce a segurança das populações e a proteção dos espaços florestais e promova uma estratégia de desenvolvimento económico e social destas regiões”.

Consciente de que o futuro se constrói a partir deste programa, o qual “tem uma grande ambição” e que “a maioria das 55 medidas previstas está já em curso”, o autarca considera que “é preciso ir mais longe”. Recordando a introdução de novas medidas de orientação estratégica, “que privilegiam o rejuvenescimento populacional, a fixação de emprego qualificado ou a diversidade da atividade económica”, conclui que “este é um programa que deve ser periodicamente afinado em articulação com outros instrumentos e programas operacionais já existentes no território”. A terminar deixou a nota de que “o sucesso deste plano está dependente da capacidade de atração de investimento para a região, gerador de emprego e que fixe a população”, porque “sem gente não há soluções mágicas”.
José Carlos Alexandrino, Presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, também ali presente, considerou este dia 19 de abril “importante” e “um passo de afirmação do interior”, por isso lançou o apelo à capacidade de união que, não existindo, muitas vezes é prejudicial. “Este é o momento de mobilização, de dar o salto em prol da defesa deste território e das suas gentes” e por isso pediu confiança ao Governo para “acreditar em nós, agentes de mudança do pinhal interior”, disse, consciente de que “a materialização do PRPI deve assentar num conjunto de projetos âncora centrados na capacitação e qualificação do território, na inovação enquanto fator de competitividade, nos conhecimentos e na oferta de serviços qualificados e, acima de tudo, nas pessoas que cá estão e naquelas que queremos fixar”.
Ciente de que territórios diferentes merecem respostas diferenciadas, José Carlos Alexandrino destacou que é precisamente isso que se está a propor e mostrou-se disponível para operacionalizar este programa também com outras comunidades intermunicipais.

Por seu lado, Isabel Ferreira, Secretária de Estado da Valorização do Interior, deixou alguns números e ações já implementadas no terreno, como sendo a criação de um Sistema de Informação Cadastral simplificado e projetos piloto ligados à compensação dos serviços ambientais na área florestal do Pinhal Interior, o Condomínio da Aldeia e o Programa Emparcelar para Ordenar e projetos ligados à valorização da agricultura familiar, à gestão de combustível e recuperação dos povoamentos florestais e à proteção e manutenção dos recursos hídricos e estabilização de emergência para recuperação das áreas ardidas. Em curso está também o projeto de relançamento da fileira silvo industrial da resina e o projeto piloto de vigilância e proteção das florestas e das aldeias seguras, o programa de voluntariado dos jovens para a natureza e floresta e as equipas de intervenção permanentes, entre outros.
Deste modo, disse a Secretária de Estado, “a revitalização do pinhal interior passa assim por ações e projetos concretos e mobilizadores que enderecem os principais desafios da região e contribuam para a inovação e a capacitação das pessoas e das empresas instaladas neste território, nomeadamente no setor florestal, mas não só, também assente na diversificação da base económica deste território”. Para a governante “é neste trabalho de identificação de ações e projetos concretos que estão a decorrer os trabalhos, num projeto que é flexível”, finalizou.

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