SERTÃ: Maratona de Leitura - Há dez anos a resistir e a quebrar o inconformismo

Cerimónia oficial de abertura aconteceu ontem à noite.

SERTÃ: Maratona de Leitura - Há dez anos a resistir e a quebrar o inconformismo

Decorreu na noite passada a abertura oficial da 10ª Edição da Maratona de Leitura da Sertã. A cerimónia aconteceu no Cineteatro Tasso do Clube da Sertã onde, Carlos Miranda, presidente da câmara se socorreu da canção de Paulo de Carvalho para, tal como ele diz, sustentar que “10 anos são muitos dias, muitas horas a cantar”. Nesta iniciativa, embora também haja momentos musicais, o objetivo é mais o de ler e, em voz alta. Este é hoje um veículo de promoção da leitura e, no caso deste evento, “um ato de inconformismo”, explicou Carlos Miranda:

Uma outra função desta atividade é ser um veículo de promoção do território uma vez que, as mais de 80 atividades que acontecem durante estes três dias, vão a todos os recantos do concelho, contextualizou o autarca:

Esta dinamização de atividades um pouco por todo o concelho abarca em si o papel de dinamização social, vincou Carlos Miranda:

Este evento também se quer irreverente e, como referiu ainda o presidente da câmara, serve para abanar, inquietar e até, em certos momentos, ser ousado. Com todos estes verbos e adjetivos, em três dias, a Sertã é um território cosmopolita, definiu:

Eduardo Marçal Grilo protagonizou encontro com população

Após a abertura oficial da Maratona de Leitura da Sertã, seguiu-se uma conversa com o professor Eduardo Marçal Grilo. Entre muitas outras funções, foi Ministro da Educação e entre as duas obras por si publicadas estão dois livros que assentam na temática desta maratona, ou seja, o futuro. Um dos livros denomina-se “Quem só espera nunca alcança” e o outro, “Não tenham medo do futuro”. Na conversa que protagonizou, moderada pela jornalista Sara Belo Luís, deu nota da sua preocupação com os jovens de hoje e com os riscos que têm pela frente:

O futuro analisado por uma pessoa natural do concelho de Castelo Branco. Eduardo Marçal Grilo deixa a sua marca nesta décima edição também com a presença nas “24 horas a ler em voz alta” e numa “Festa da Aldeia”, dia 9 de julho.

Apresentação de livro que brinca com as palavras

A tradição dos contadores de histórias está ainda muito enraizada no Sertão do Brasil e hoje existem mesmo escolas que exploram esta arte.
Uma dessas escolas está a participar na Maratona de Leitura e esta quinta-feira, dia 7 de julho, o coletivo Narradores Cariri, uma região do Estado do Ceará, esteve na Igreja da Misericórdia da Sertã para apresentar um livro onde sete narradores contam as suas histórias. Chama-se “Entrou pela porta, saiu pelo canivete! O senhor meu Rei mandou que conte sete” e a impulsionadora desta escola, Josy Correia, falou-nos na raiz desta tradição que vem de Portugal:

Este livro concentra sete histórias contadas por outros sete contadores. Esta é uma tradição muito do interior do Brasil, referiu ainda à Rádio Condestável, Josy Correia:

Este livro foi idealizado por sete autores do grupo Narradores Cariri, alunos da Escola de Narradores, preserva sobretudo as marcas da oralidade no ofício de narrador que elas carregam com a simplicidade de quem conta um conto e aumenta um ponto. Marcas das vozes de sete contadores de histórias que abraçaram o desafio, primeiro, de transposição da literatura oral para a literatura escrita, e talvez por isso mesmo, apresentem, como resultado desta delicada travessia, uma escrita franca e deveras fiel ao que ouviram e viveram. O repertório contido na obra reúne um conjunto de histórias transpostas da oralidade para a escrita a partir das memórias, vivências e relatos ouvidos ou criados pelos autores-narradores do grupo Narradores Cariri.
Entre histórias de vida, contos de tradição oral, relatos biográficos, textos memorialísticos e crónicas, o grupo partilhou os seus contos com os leitores e também com os ouvintes através de sessões de narração oral da obra. O livro é resultado da aprovação do Projeto Território da Palavra, no edital Cultura Viva, da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará – SECULT- CE, através da Lei Aldir Blanc (Brasil).

Workshop “Chá de poesia dançado”

O Livro da Dança, de Gonçalo M. Tavares, foi o ponto de partida para Filipe Lopes e Ana Cristina Pereira voltarem a dinamizar o “Chá de Poesia Dançado”. Uma sessão fora da forma do mundo, das palavras e dos livros. Facilita um envolvimento ativo dos participantes, que encontrarão nas palavras e em pequenas pautas musicais o mote para se movimentarem no espaço, dançando a poesia, como nos explicou Filipe Lopes, um dos dinamizadores desta atividade:

"Chá de poesia dançado" é um workshop dinamizado várias vezes ao longo destes três dias, ao ar livre, em locais onde o contacto próximo com a natureza complementa uma experiência sensorial.

Ação de sensibilização: “Lixo no mercado? Não, Obrigado!”

Esta manhã, dia de mercado semanal na Sertã, a Planet Caretakers esteve junto dos feirantes para, numa ação de sensibilização, denominada “Lixo no Mercado? Não obrigado!”, transmitirem-lhes que têm que guardar e reciclar o lixo que produzem na sua atividade. Cada um tem que ser responsável pelo lixo que produz, é a mensagem que se tentou passar, como nos explicou Fábio Marçal, do núcleo de Castelo de Bode da Planet, um dos dinamizadores desta iniciativa:

A atividade da recolha de lixo que este núcleo tem feito ao longo das margens do Rio Zêzere está visível numa exposição patente no jardim da Fonte da Boneca na Sertã e pode ser olhada até dia 9 de julho.

 “Lixo de Água Doce” revela realidade chocante

O jardim da Fonte da Boneca tem patente ao público uma exposição fotográfica de vários autores que documenta o trabalho semanal de recolha de lixo na albufeira de Castelo de Bode, por uma equipa de voluntários ligados à organização Planet Caretakers, como nos explica Miguel-Manso, coordenador desta exposição:

Nas margens da ribeira podem ser olhados diversos cartazes onde as fotografias provocam e deixam uma provocação. 

Escritores falaram sobre o futuro nas escadarias da Igreja Matriz

Esta manhã os escritores Carlos Neto e Margarida Louro estiveram na escadaria da Igreja Matriz da Sertã à conversa com a população. Numa intervenção moderada por Jorge Serafim, falaram sobre “O futuro vai ser o tempo que precisarmos”.
À Rádio Condestável Carlos Neto disse que esta iniciativa é um “excelente momento para refletir sobre temas da atualidade e o futuro é um deles":

Carlos Neto e o futuro, os seus desafios, oportunidades. O escritor vai ainda estar nas 24 horas a ler em voz alta e nas Festas da Aldeia, amanhã, dia 9 de julho.

Ler em voz alta durante 24 horas sem parar começa esta madrugada

Há 10 anos a Sertã inovou. Fez o que parecia impossível de ser concretizado e ao longo de 24 horas, conseguiu-se, de forma ininterrupta colocar gente a ler em voz alta. A Maratona de Leitura 24 horas a ler é, assim, o expoente máximo de um evento que se tornou, ao longo dos anos, maior e mais abrangente. Nunca perdeu esta alma e vai mantê-la, até que o futuro queira, como nos relembra Ana Marçal, diretora da Biblioteca Municipal Padre Manuel Antunes:

As 24 horas a ler começam na próxima madrugada no Cineteatro Tasso do Clube da Sertã.

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