SERTÃ: Museu Avô do Bigode já abriu ao público

O sonho ganhou vida. Laureano Esteves, já abriu o seu museu ao público

SERTÃ: Museu Avô do Bigode já abriu ao público

Está situado na aldeia de Salgueiral, concelho da Sertã, a poucos metros da Estrada Nacional 2 e exibe variadas peças em ferro que foi construindo ao longo dos últimos anos. Uma “dedicação ao ferro” que é moldado à mão com a ajuda apenas de uma rebarbadora e de um berbequim. “É uma dedicação que dá luta, mas eu gosto de tudo o que dá luta”, confessa, mostrando a primeira peça que fez. Precisamente uma guerreira sertaginense. A Celinda de 25 cm de altura e de dourado vestida é a menina do olhos deste avô que cedeu ao pedido dos netos em dar um lugar digno às centenas de peças que já construiu até hoje. O tempo foi trazendo o aperfeiçoamento e mais peças, como S. Pedro, Nuno Álvares Pereira (santo e guerreiro), Viriato, Lopo Barriga, o General Sertório, “tudo peças relacionadas com a Sertã”. A coleção foi crescendo e, na casa ao lado, por estarem “muito em monte, já não sobressaíam”, recorda. Foi então que os netos o aconselharam a colocar a sua arte num espaço maior e mais digno e para as pessoas verem.

Nasceu assim, cerca de 10 anos depois, este museu na cave da sua oficina. Está aberto a toda a gente, todos os dias, exceto aos domingos, sempre na parte da manhã, entre as 09:30 e as 13:30. Além das personagens já descritas conta-se uma aldeia indígena e a formação da Filarmónica União Sertaginense. A arte sai-lhe das mãos, mas principalmente do coração e por isso nunca conseguiu vender nenhuma das peças a que deu vida. “Eu sofria. A peça é feita com tanto carinho, é feita e desfeita e ganhamos uma intimidade tal com a peça que não me consigo desfazer dela. Se vendesse um elemento da banda, depois já não batia certo. Aconteceria o mesmo com a aldeia indígena e as estátuas? Essas deram-me muito trabalho”, desabafa, satisfeito por ter consigo cada memória de um trabalho que ainda não deu por acabado.
Utiliza algum material novo mas a maior parte é desperdícios de ferro, principalmente de sucateiros que ali deixam os restos que já não precisam.
O museu foi construído a expensas próprias. Por estar situado no meio rural, tem ainda expostas algumas peças da lavoura e da vida de antigamente como sendo as peneiras, roca, amontelias, rodilhas, botijas de água quente e pirolitos, entre outras peças.
Laureano Esteves gosta do que faz e gosta de mostrar o que faz e por isso é com tristeza que desabafa que até hoje, apesar dos contactos que já fez, ainda nunca foi contactado para mostrar a sua arte em parte alguma do concelho. Promete que vai continuar a trabalhar nesta área, mas provavelmente noutro tipo de material para construir peças mais abstratas.
De referir ainda que cada peça tem uma memória descritiva para que nada fique esquecido.

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