SERTÃ: Resultados preliminares dos Censos 2021 em análise

Na reunião do executivo municipal.

SERTÃ: Resultados preliminares dos Censos 2021 em análise

Tal como tinha prometido, o presidente da Câmara Municipal da Sertã, José Farinha Nunes, pronunciou-se esta segunda-feira, 2 de agosto, na reunião do Executivo Municipal da Sertã sobre os resultados preliminares dos Censos 2021. O autarca disse que são um problema para todo o país, mas principalmente para os concelhos do interior, pois todos desceram o número de pessoas. A culpa disse, é de todos, ou seja, do poder local, central e dos partidos políticos e da falta de união entre todos. Considera assim que é “necessário alterar políticas”, que tem que “haver uma convergência para alterar a taxa de natalidade” e não podem ser só as câmaras a intervir neste processo pois, “por muita base sólida financeira que um município tenha, os casais não vão começar a ter mais filhos com medidas isoladas”, disse. Considerou igualmente que é importante haver acordos para atrair pessoas de outros países.
José Farinha Nunes notou também que destes resultados há que ter em conta que há pessoas a residir neste concelho mas que mantém a morada no cartão de cidadão em Lisboa por lhes ser mais conveniente, principalmente em termos de saúde. Assim, “estes dados não comportam as pessoas que vivem permanentemente no concelho da Sertã, e não podem ser incluídas na estatística deste concelho porque têm a morada do cartão de cidadão em Lisboa”, disse. Na opinião do presidente da câmara, se o interior tiver mais condições de saúde, de segurança e educação, será mais fácil para atrair pessoas e, no caso da saúde, atrair médicos. “Abrem-se concursos e os médicos não querem ir para a província”, reforçou, defendendo que, também neste aspeto, “deviam ser abertos concursos a nível internacional, com preferência para os países de língua oficial portuguesa”.
Sobre este assunto, e concordando com a maior parte da intervenção do presidente da câmara, o vereador do Partido Socialista, Carlos Miranda analisou os dados e, entre pessoas que partiram e que se fixaram, há um dado que para si é mais importante e que tem por base o tipo de habitantes que partem. Socorrendo-se dos números das escolas da Sertã, deu a conhecer que “nos últimos dez anos as escolas têm perdido uma média de 100 alunos por ano letivo” e por isso Carlos Miranda não tem dúvidas, “há famílias com filhos em idade escolar que estão a deixar o concelho, ou seja, estamos a perder muitos jovens e isto é uma situação dramática”, considerou.
A certa altura a aposta nas infraestruturas ajudou a desenvolver o país, mas não houve uma continuidade, por exemplo na aposta em políticas capazes de gerar emprego e em eficazes políticas de natalidade.
O vereador considerou ainda que as câmaras deveriam estar mais unidas para pressionar o Governo e apontou o abandono do setor primário como sendo um outro erro para este estado de coisas. “As câmaras foram assistindo de forma passiva à implementação de um modelo económico onde a província não tem lugar”, sustentou.
Carlos Miranda terminou dizendo acreditar que, apesar de tudo, “se começa a olhar para o interior com outros olhos. Os políticos têm que perceber que isto é uma prioridade nacional. Se não mudarmos a nossa mentalidade estamos a matar o país aos poucos”, vincou.

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