SERTÃ/Covid-19: A cultura e a pandemia

O consumo de cultura tem sido uma das soluções mais recorrentes para combater a fadiga pandémica ou tão-somente para aliviar os dias em que o confinamento mais aperta.

SERTÃ/Covid-19: A cultura e a pandemia

Nem todos consumirão o mesmo tipo de produtos ou formatos culturais, todavia é consensual a importância da cultura não apenas nestes tempos mais difíceis mas também durante o resto do ano, quando o corpo e a alma pedem mais do que a simples rotina laboriosa do quotidiano. É sobre este aspeto que o programa da rádio Condestável “Todos juntos no combate à pandemia” se foca.
Segundo o Município da Sertã, a cultura manifesta-se das mais diferentes maneiras. “Neste período de confinamento, a população tende a privilegiar a leitura, a visualização de programas de televisão, sejam filmes, séries ou simplesmente telenovelas, a navegação pela Internet, desfrutando de espetáculos de música, de teatro, de ópera ou de bailado. Há também os que ocupam o seu tempo de ócio a ouvir música ou a folhear as páginas de um jornal”, refere.
A cultura está tão presente nas nossas vidas que mal damos por ela e por isso, analisa a autarquia, “temo-la por adquirida e raramente questionamos as dificuldades que este setor, tão vital à sociedade, habitualmente atravessa, dado o seu caráter efémero e a constante precarização que lhe está associada”.
“O drama dos agentes culturais tem sido notícia recorrente ao longo desta pandemia. Embora aparentemente consumamos mais cultura, isso não se reflete naqueles que a produzem. Basta lembrar que na instável equação da cultura não entram apenas os autores, mas também técnicos, designers, produtores, engenheiros, pessoal de apoio, entre muitos outros. São aqueles que, por exemplo, num concerto de música ou num espetáculo de teatro, não aparecendo em cima do palco, permitem que tudo aconteça. São figuras invisíveis que tornam a magia possível”, adianta, recordando que “os debates sobre a cultura em Portugal redundam quase sempre em questões de financiamento, de percentagens do PIB ou de valores a incluir no Orçamento de Estado. Ter cultura não é tão importante como ter comida na mesa. As coisas têm de ser vistas em perspetiva. Numa sociedade desenvolvida e que aposta na educação como meio de combater as assimetrias e de tornar iguais as oportunidades para todos, a cultura tem um papel fundamental. Não apenas porque sendo acessível a largas camadas da população, transforma-se numa ferramenta de inclusão, como também permite alargar os horizontes a muitos dos que por vezes estão condenados a não enxergar mais do que aquilo que está em seu redor”.

O Município da Sertã reconhece que “tem privilegiado a aposta na cultura, muito assente nesta premissa de inclusão. A quantidade de espetáculos que apoiámos nos últimos anos procuraram dar resposta às necessidades da nossa população. As atuações dos ranchos, os concertos das filarmónicas e dos grupos musicais, os espetáculos com artistas consagrados, as performances artísticas e literárias, os encontros com escritores que agora nos habituámos a ter no concelho da Sertã não aconteceram por caprichos ou questões de vaidade. Aconteceram, isso sim, porque a cultura é fundamental ao nosso desenvolvimento enquanto cidadãos e, mais do que isso, para combater formas de desigualdade social, tornando acessível a todos aquilo que só as elites poderiam ter no passado. A cultura permite democratizar a sociedade”.
Nestes tempos de pandemia, a edilidade sertaginense considera que “é decisivo refletir sobre aquilo que é importante. Já aqui destacámos o facto de podermos contar com um conjunto de profissionais inexcedíveis e competentíssimos que estão na linha da frente do combate à pandemia da Covid-19, sejam médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico, assistentes, bombeiros, polícias, funcionários de lares. Porém, também devemos lembrar muitos dos outros que, embora numa escala menor de importância, garantem que os nossos dias sejam menos penosos – e nesse caso a cultura oferece uma ajuda tremenda”.
Quando a pandemia terminar ou a imunidade de grupo for alcançada, seria conveniente, no entender do Município da Sertã, “olhar para a cultura de um modo diferente e valorizar o papel daqueles que nos mostram que o mundo pode ser sentido de várias formas”.

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