SERTÃ/Covid-19: "A pandemia está a afastar as pessoas da fé" - Padre Paulo Jorge

Em tempos de pandemia a igreja católica viu diminuídas todas as atividades religiosas. Em Cernache do Bonjardim a paróquia reduziu ao mínimo essas atividades.

SERTÃ/Covid-19: "A pandemia está a afastar as pessoas da fé" - Padre Paulo Jorge

Este é um tempo vivido pelo Padre Paulo Jorge Martins, da Paróquia de Cernache do Bonjardim, com “apreensão” pois “se na primeira fase houve algum controlo, agora não há”. A vida mudou e é diferente, reconhece, explicando que até é “mais calma” pois há menos atividades. O pároco vai encaminhando os fiéis para o mundo digital onde se pode encontrar uma panóplia de caminhos e assim, "cada um pode ir alimentando a sua fé e presença em Cristo". No entanto, sabe que os mais velhos, sem acesso a esses meios, vivem momentos de maior solidão, refere ao programa da Rádio Condestável que conta com o apoio do Município da Sertã, “Todos juntos no combate à pandemia”. Estes, por vezes, “não entendem porque é que não podem estar com o neto. É uma situação que mexe e que cria feridas nos mais velhos. É grave”, vinca.
Nestes casos, o apoio possível é feito através de vários organismos da sociedade, incluindo o “grupo de voluntários da União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais, como em Cernache do Bonjardim, recorda, explicando que “nesta freguesia tem havido muito acompanhamento às pessoas idosas”. Por outro lado, também o pároco ajuda neste combate à solidão. “Estou constantemente a receber telefonemas”, confessa. “Ofende sentir a ausência das pessoas” e neste mundo de tecnologias, os telemóveis funcionam, em muitos casos, como elo de proximidade.
A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) determinou a suspensão da celebração pública da Eucaristia desde o passado dia 23 de janeiro, por isso, todos os domingos o Padre Paulo Jorge celebra missa para uma igreja vazia. A igreja está vazia mas as casas dos ouvintes da Rádio Condestável enchem-se com a palavra de Deus pois a missa dominical é transmitida por esta estação emissora que, também assim, ajuda no combate à solidão. O Padre Paulo já se habituou a estar a celebrar sozinho e por esse facto “consigo viver mais intensamente a celebração”, refere. Tirando os domingos, durante a semana “sempre que lá vou para celebrar a missa, aproveito para rezar e cantar sozinho. É outro modo de rezar e acaba por ser mais profundo, acolhedor e interior”, explica, reconhecendo que “é chato e difícil pois faz falta o grupo coral e a resposta das pessoas. A grande celebração é com as pessoas”.

A CEP suspendeu igualmente as catequeses e outras atividades pastorais que impliquem contacto. As celebrações religiosas ficaram cingidas aos funerais. Os tempos são diferentes e difíceis e o Padre Paulo sente que “a nível de igreja estamos a perder muito com esta situação porque a fé e o amor a Deus é como o amor humano e entre um casal: ou se alimenta e vive ou morre. O mesmo está a acontecer com as pessoas que, deixando de vir à igreja começam a perder esse amor a Deus”. "A pandemia está a afastar as pessoas da fé" e quando tudo passar será necessário um recomeço, “tipo uma primeira evangelização”, nota, reconhecendo que “temos que começar uma tarefa árdua como se fosse de novo, a nível de motivação e incentivo das pessoas a viverem a fé em comunidade”. Quando tudo passar será necessária uma nova esperança, "criando um mundo novo à imagem de Deus, sem ódios e sem guerras", deseja o pároco.
Em jeito de mensagem final, acredita que “no meio de tanta turbulência continuamos a sentir a mão de Deus que nos vai protegendo e ajudando no meio das dificuldades e convida-nos à vida e devemos ser colaboradores de Deus, criando um mundo de solidariedade e compreensão. A sociedade precisa de homens e mulheres que sejam responsáveis por todos”, reforça.

 

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