SERTÃ/Covid-19: A responsabilidade entre um passado desconhecido e um futuro incerto

“Isto não acabou”: diz o presidente da Câmara Municipal da Sertã. O Município tem exercido o seu papel, estando ao lado dos vários setores da sociedade, apoiando, no passado, no presente e preparando o futuro.

SERTÃ/Covid-19: A responsabilidade entre um passado desconhecido e um futuro incerto

“Lidar com a Covid-19 foi difícil”, começa por referir ao programa da Rádio Condestável “Todos juntos no combate à pandemia”, o presidente da Câmara Municipal da Sertã (CMS), José Farinha Nunes. Essa dificuldade sentiu-se principalmente, confessa, “no início quando era completamente desconhecido. Não havia experiência e tivemos que nos adaptar ao longo do tempo”. Para o autarca foi o mesmo que ter a terceira guerra mundial entre nós pois “atacou todos os países, não se conhece o inimigo nem se sabe onde está e quando vai atacar”, refere. Atendendo a que agora já existe a vacina, o autarca lembra que “não havia armas para nos defendermos. No início foi terrível”, concorda.
O primeiro possível caso de infeção que se falou no concelho tratou-se de um homem que por aqui teria passado. Esta situação colocou muita gente em alvoroço e veio confirmar que o mal não acontece só aos outros, explica o presidente que se mostrou sempre consciente da sua responsabilidade enquanto presidente de câmara. “Temos que estar atentos e ser realistas, informar as pessoas do perigo e nós também temos que ter a consciência que é perigoso para nós”, nota, reforçando que todos devem partir do princípio que têm Covid e que os que nos rodeiam também. Se assim suceder “estamos a cumprir as regras impostas pela Direção Geral de Saúde (DGS). Hoje não temos casos mas temos que estar sempre preocupados e cumprir as regras da DGS”, reforça.
O mês de janeiro último complicou-se no país inteiro e complicou ainda mais a vida de toda a gente. O concelho da Sertã superou os 200 casos diários, algo impensável, confessa José Farinha Nunes que destaca e enaltece o papel dos serviços de saúde locais e distritais no sentido de tentarem controlar a situação. “Esforçaram-se muito. Não é por acaso que as coisas se controlam, é preciso muito trabalho, esforço e dedicação”, diz, lembrando que houve muita gente que abdicou de horas de sono para não deixar descontrolar essa mesma situação. Foram tempos duros mas nos quais, confessa, “nunca me senti abandonado pelos serviços de saúde locais e pela Unidade Local de Saúde de Castelo Branco”, vinca.
A Comissão Municipal de Proteção Civil da Sertã reúne semanalmente para analisar, discutir e decidir o que for preciso. Quando considerado necessário, a comunicação da câmara faz sair para o exterior alertas e conselhos à população, lembra o edil sertaginense.
Braço direito da câmara junto da população, as juntas de freguesia e as coletividades também merecem um elogio por parte do autarca. “São parceiros incondicionais das câmaras. Não é possível querer apoiar a população sem conjugar com as juntas e vice versa”, diz, considerando ainda que “câmara, juntas e coletividades têm que estar sempre de mãos dadas”.

No decorrer destes tempos houve necessidade de dar respostas, não só às pessoas, mas também ao tecido empresarial do concelho. “Fomos ao encontro das famílias e de quem não podia sair de casa e precisava de alimentos e de medicamentos. Distribuímos equipamentos de proteção individual e fomos ao encontro das empresas dando-lhes algumas regalias como a redução de 5% na fatura da água. Na educação adquirimos computadores portáteis e internet para alunos que não tinham esses equipamentos e apoiamos nas refeições. Nos espaços que são propriedade da câmara isentámos temporariamente o pagamento das rendas”, exemplifica, ciente de que foi um esforço considerável mas que tinha que ser feito e que ajudou e ajudará a ultrapassar algumas dificuldades”, observa.
Mas as dificuldades não se irão esgotar com o fim da pandemia. Existirá um tempo futuro, de um ou dois anos, em que é necessário redobrar a atenção. “Os problemas serão grandes e temos que estar preparados para os enfrentar”, explica, salientando que algumas empresas “estão numa situação difícil. Houve apoio por parte do Estado mas algumas não conseguem sobreviver e há famílias também com muitos problemas”. Neste aspeto, o presidente destaca a saúde mental das pessoas, a qual tem sido igualmente afetada e continuará a sê-lo. “Temos que acompanhar mais de perto”, reforça.
No concelho houve e há famílias com dificuldades e que ainda irão necessitar de um apoio extra. José Farinha Nunes garante que “a câmara está atenta através dos serviços de Ação Social e das instituições. Vamos continuar a estar atentos pois não queremos que haja pessoas a passar fome”, sublinha, ciente de que “os problemas não estão resolvidos e tão depressa também não o serão”.
Os tempos de pandemia vieram também demonstrar que estas terras do interior são refúgio para quem optou, a certa altura da vida, por rumar às grandes cidades. Nos últimos tempos muitos regressaram, sendo que alguns se fixaram por cá. José Farinha Nunes reconhece que “há uma procura muito grande e aqui estamos perante a evidência de que é preferível viver no interior do que nas grandes cidades, mesmo em termos de saúde. Não tem comparação”, vinca, confirmando que “há pessoas a adquirir imóveis na Sertã e que não têm cá ligação familiar”. Para o autarca, optar por estes territórios, “é uma boa opção pois as grandes cidades estão saturadas. Aqui o ar e a água são de qualidade e em termos ambientais é preferível viver aqui”, convida.
A terminar, e dirigindo-se a cada pessoa em particular, alerta que “temos que continuar atentos porque isto não acabou. A Covid continua e as regras são para continuar a prevalecer. Se nos descuidarmos e deixamos passar essas recomendações, regredimos”, reforça, desejando “melhorar de dia para dia”. “Estejam atentos aos alertas da DGS e que acompanhem a comunicação social para que as coisas corram bem e cada dia que passe seja menos uma preocupação”, finaliza, encerrando assim este ciclo de programas apoiados pelo Município.
De recordar que desde o passado dia 21 de janeiro, todos os dias da semana, a Rádio Condestável levou até aos seus ouvintes, mensagens e experiências, saberes e receios, conselhos e vivências de vários quadrantes da sociedade que, de uma ou de outra forma, ajudaram a encarar e a perceber a pandemia da Covid-19.
Foram mais de oito horas de informação exclusiva e privilegiada na Rádio Condestável, durante três meses, sobre a pandemia da Covid-19.

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