SERTÃ/Covid-19: A vida num comércio que nunca fechou portas

Conceição Farinha é a proprietária do Talho do Armindo na Sertã. Um espaço comercial que nunca fechou portas em tempos de pandemia de Covid-19. Atrás do balcão a proprietária sentiu o medo e a angústia dos clientes perante um desconhecido que também a afetou.

SERTÃ/Covid-19: A vida num comércio que nunca fechou portas

Agora vive-se mais descontraidamente, mas no início a adaptação à pandemia, dentro e fora de portas, foi complicada de atingir no Talho do Armindo, na Sertã. Por ser considerado um local de venda de bens essenciais, este espaço nunca encerrou e teve que se readaptar para continuar a receber os clientes. Essa readaptação, recorda ao programa da Rádio Condestável, que conta com o apoio do Município da Sertã “Todos juntos no combate à pandemia”, Conceição Farinha, passou por guardar distância no atendimento presencial, o que no talho não é difícil porque “entre o cliente e eu existe um balcão largo que faz a devida separação”. Quanto aos clientes “passaram a ter que usar máscara e desinfetar as mãos”, explica.
Mais difícil neste processo foi o facto de as pessoas terem que esperar na rua pela sua vez e “não é muito agradável para elas. Com a chuva e com o frio, estarem à porta, é complicado”, concorda, recordando que “foi difícil explicar-lhes que tinham que sair quando entravam todos para dentro”. Fazia-o “a bem, mas uns aceitavam, outros não e tive casos de pessoas que acabaram por se ir embora e dizerem: se não querem que eu esteja cá dentro, vou a outro lado”, recorda, confessando que foi preciso “muita calma para lidar com estas situações”.

Os estados de espírito dos clientes foram-se modificando consoante o tempo de pandemia ia decorrendo e “no início estavam muito assustados. Houve muitos que deixaram de vir por medo. Agora já estão mais habituados e a lidar melhor com esta situação”, relembra. Os que continuaram a ir ao talho, diziam que “isto era o fim do mundo e falavam muito da gripe espanhola. Diziam que o que agora estávamos a viver, era idêntico ao que se viveu na época dos seus pais”, lembra, acrescentando igualmente que muitos clientes se questionavam também sobre quando é que esta pandemia acabaria. “Eu não sabia o que lhes responder. Nem eu própria sabia o que aí vinha”, diz, ciente de que atrás do balcão, muitas vezes, procura-se uma pessoa para desabafar, um amigo “e eu aqui, sem saber muito bem o que dizer, procurava escutá-los, serená-los e transmitia-lhes confiança na ciência”. Atos que contradiziam, muitas vezes, o medo que também sentiu. “Nem lhe digo nada. Eu ficava apavorada. Desligava a televisão ou passava para um canal onde não falassem de covid que era para não ver as notícias. Quando acabavam voltava a mudar”, explica. Os tempos atuais trouxeram mais serenidade e confiança. A vacina ajuda neste processo e “já enfrentamos melhor tudo isto. Já vimos a luz ao fundo do túnel”, reconhece.
No que diz respeito a quebra de vendas, elas não se sentiram muito, apenas se notou alguma redução na altura dos confinamentos decretados pelo Governo, com a consequente proibição de circular entre concelhos. “Principalmente aos fins-de-semana vivemos muito das pessoas que vêm de fora e nessa altura (confinamentos) ressentimo-nos bastante”, confirma.
A terminar, esta comerciante deixa uma mensagem ao Governo. Numa altura em que a vacinação decorre, a diversos ritmos, Conceição Farinha gostava que “ o Governo também visse a situação de todas as pessoas que estão a lidar com o público pois também precisamos das vacinas”.

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