SERTÃ/Covid-19: AES - “É difícil planear o futuro em tempos de pandemia” – José Carlos Fernandes, diretor

As dificuldades que surgiram neste novo método de ensino à distância foram sentidas tanto por alunos, como por professores ou pelos pais. Deseja-se que o ensino presencial seja retomado o mais depressa possível.

SERTÃ/Covid-19: AES - “É difícil planear o futuro em tempos de pandemia” – José Carlos Fernandes, diretor

A pandemia da Covid-19 trouxe situações inesperadas e difíceis à sociedade. No setor educativo, a situação é desagradável para todos e ao programa “Todos juntos no combate à pandemia”, que conta com o apoio do Município da Sertã, José Carlos Fernandes, diretor do Agrupamento de Escolas da Sertã (AES), confirma que “o ensino presencial e à distância não são a mesma coisa, não têm o mesmo resultado. É importante o convívio entre alunos e com os professores”. Além disso, “à distância é mais difícil fazer passar os conhecimentos e ter os alunos concentrados e atentos”, explica, acreditando que acarreta “dificuldades na aprendizagem”.
Alunos e professores mostram-se cada vez mais com vontade de regressar à escola, reconhece o diretor que se mostra igualmente ciente de que, quando acontecer, “deverá ser em segurança”, continuando a cumprir-se todas as normas impostas pela Direção-Geral de Saúde (DGS). As dificuldades surgem também a nível de direção uma vez que “temos que organizar tudo de forma diferente do inicialmente planeado. Não se consegue planear o futuro, somente dar as respostas à medida que os problemas vão surgindo”, diz. A adaptação “é a possível”, sublinha, recordando que, ainda assim, no início foi tudo mais difícil. “Há um ano atrás ninguém estava preparado e todos tivemos que nos preparar num fim-de-semana. Desde então tem sido uma aprendizagem diária, uns com melhores resultados que outros”, refere.

Neste processo, José Carlos Fernandes considera que a adaptação dos alunos foi mais fácil que a dos professores, principalmente no nível secundário. O nível de adaptação vai-se complicando consoante os níveis de ensino vão descendo e no primeiro ciclo a situação agrava-se pois os filhos necessitam dos pais que, muitas vezes, também têm dificuldades e têm as suas atividades profissionais.
Por enquanto ainda não se sabe quando será o regresso à escola e até lá José Carlos Fernandes teme um agravamento das desigualdades de aprendizagem.
Como já foi referido, o método de ensino não é o mais desejável mas, por outro lado, este diretor acredita que esta pandemia abriu uma janela de oportunidades ao nível da educação e, em momentos mais complicados e em que será necessário dar apoio aos alunos à distância, por exemplo, este modelo poderá “ajudar a resolver algumas situações no futuro”.
Há um ano, a maior dificuldade em preparar o ensino à distância foi o acesso aos meios informáticos. Na ocasião o Município da Sertã e o AES conseguiram dar uma boa resposta com o empréstimo de cerca de 130 portáteis. Neste segundo confinamento foram disponibilizados 150 computadores para todos os níveis de ensino e outro material para acesso à internet.
Na sequência do confinamento obrigatório decretado pelo Governo, à semelhança do que aconteceu no confinamento anterior, estão disponíveis escolas de acolhimento. No concelho da Sertã, essas escolas são a Escola Básica Padre António Loureço Farinha / Jardim de Infância da Sertã (crianças de 3 a 12 anos) e Santa Casa da Misericórdia da Sertã (valência de creche - crianças até 3 anos). No caso do AES há 60 alunos na Básica Lourenço Farinha, revela o diretor, explicando que, além do pressuposto desta valência, que se destina a alunos de pais com atividades profissionais que os impossibilita de estar em casa, também frequentam a escola de acolhimento alunos com dificuldades de aprendizagem significativas, que necessitam de apoio presencial e cujos alunos tem dificuldades de acesso à internet. “Esta acaba por ser uma medida que colmata algumas falhas”, nota.
A terminar, José Carlos Fernandes deixa uma mensagem de esperança no ultrapassar de todas as dificuldades causadas por esta pandemia.

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