SERTÃ/Covid-19: Pobreza envergonhada é um dos problemas da pandemia

Na Cáritas Paroquial da Sertã os pedidos de ajuda aumentaram com o segundo confinamento mas há muita gente a necessitar e que não a pede por vergonha. Semana nacional da Cáritas decorre até dia 7 de março.

SERTÃ/Covid-19: Pobreza envergonhada é um dos problemas da pandemia

O Grupo Cáritas Paroquial da Sertã, ou ação social da Igreja, está organizado desde 2007. Ajuda muitas famílias sertaginenses seja com bens alimentares, com valores monetários para pagamento de diversos serviços e necessidades, ou através do encaminhamento para outros serviços como por exemplo a Segurança Social ou ação social da Câmara Municipal da Sertã, entre outros.
Em contexto de pandemia alteraram-se vidas, suspenderam-se rotinas e atividades, e o acompanhamento das situações como o espiritual que levava a Palavra de Deus às pessoas, teve que ser readaptado, conta a presidente da Cáritas Paroquial da Sertã, Lurdes Sequeira, ao programa da Rádio Condestável “Todos juntos no combate à pandemia”, um programa que conta com o Apoio do Município sertaginense. Desde março de 2020 que houve uma paragem da vivência da fé presencial, como sendo junto dos utentes da Santa Casa da Misericórdia da Sertã. Esse acompanhamento é agora feito por telefone. Ficou igualmente suspenso o trabalho dos ministros extraordinários da comunhão que, “além da comunhão também levavam uma palavra de conforto”, dá nota Lurdes Sequeira. Também o trabalho que era feito em grupo foi alterado, incluindo as reuniões do grupo da Cáritas sertaginense. “A resolução dos problemas e a tomada de decisões faz-se por telefone, minimizando-se assim o contacto físico entre pessoas”, explica.
Ao nível de apoios, não se registou um aumento no primeiro confinamento e mantiveram-se os 16 beneficiários regulares. Tal deveu-se, no entender de Lurdes Sequeira, à rede de apoio aos mais vulneráveis desencadeado pelo Município da Sertã, no âmbito da Covid-19, e à ajuda das próprias juntas de freguesia. “Eles foram-se substituindo às pessoas não as deixando ficar sem os bens essenciais”, diz. No contexto dos apoios, há situações que chegam à Cáritas encaminhadas pela Segurança Social ou pela câmara municipal, tudo para que tenham uma resolução imediata e sem burocracias.

Neste segundo confinamento houve um aumento de pedidos de ajuda quer para alimentação ou mesmo para pagar a renda de casa. São mais seis famílias a necessitar de um apoio extra para além das que já existiam. “São situações em que as pessoas viram os seus rendimentos reduzidos. Há pessoas colocadas em lay off a aguardar os respetivos pagamentos ou que ficaram a trabalhar apenas a meio tempo. Em alguns casos até ficaram desempregados”, descreve.
Além dos casos sinalizados, Lurdes Sequeira tem a certeza que existem mais situações de necessidade “mas as pessoas têm vergonha de pedir ajuda”, confirma. “São situações difíceis de gerir. Muitos destes casos são pessoas que até tinham rendimentos garantidos e deixaram de contar com isso”, adianta, contando que muitas vezes os casos surgem na Cáritas porque outros alertaram para tal. Esta responsável apela assim às pessoas para que não passem dificuldades por terem vergonha de pedir ajuda. “É nossa obrigação moral, como cristãos, participar solidariamente e em nome da Igreja. Temos que acolher o nosso irmão que precisa de ajuda”, nota, reforçando que “temos o dever de trabalhar por uma sociedade melhor e mais justa. O importante é o amor que dedicamos ao próximo e devemos trabalhar para o bem comum e ajudar no desenvolvimento de uma vida humanamente digna. Não nos sentimos bem sabendo que há pessoas a passar fome, que não têm o que pôr na mesa”, realçou, evidenciando que “o serviço da Cáritas é o serviço da Igreja Católica, ou seja, um serviço de amor ao próximo em que a caridade é igual a amor pleno”.

Semana Nacional da Cáritas

A rede nacional Cáritas está a promover desde o dia 28 de fevereiro e até dia 7 de março, a sua Semana Nacional. Uma iniciativa que procura evidenciar a ação da Cáritas no combate à pobreza e exclusão social, com o tema “Cáritas 65 Anos: O Amor que Transforma”. Vivida em contexto de Pandemia, a Semana Cáritas reveste-se este ano de um peso especial, num período em que a Covid-19 deixou muitas famílias em situações difíceis.
Tendo em conta outras atividades desenvolvidas pela caritas, a nível cultural ou angariação de fundos para dar resposta aos pedidos que vão chegando, Lurdes Sequeira deixa o apelo aos ouvintes do “Todos juntos no combate à pandemia”, para que colaborem no peditório nacional de rua que, este ano, face ao contexto pandémico, decorre online. Este peditório tem como objetivo a angariação de verbas que vão reforçar a capacidade da rede Cáritas na resposta aos atendimentos sociais e no desenvolvimento e implementação de projeto sociais locais. “Nós só podemos ajudar se pudermos contar com a ajuda de todos. O verdadeiro poder é o serviço e quando ajudo o próximo sinto-me mais útil”, sublinhou Lurdes Sequeira.

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