SERTÃ/Covid-19: Como a pandemia interfere na pessoa com deficiência

Os efeitos negativos causados pela pandemia são diferentes de pessoa para pessoa. Assumem um papel diferente e que requer ainda mais atenção, num cidadão com deficiência.

 SERTÃ/Covid-19: Como a pandemia interfere na pessoa com deficiência

Habitualmente quando pensamos nas mudanças provocados pela pandemia da Covid-19 e na forma como afetaram as pessoas, só nos ocorrem as ditas normais. Esquecemos aquelas que têm deficiências de vários géneros.
Na Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) da Sertã, que funciona como um polo de Castelo Branco nas valências de Lar Residencial e Centro de Atividades Ocupacionais (CAO), sentiram-se e ainda se sentem os efeitos da pandemia, o que “não tem sido fácil”, confessa ao programa da Rádio Condestável que conta com o apoio do Município da Sertã, “Todos juntos no combate à pandemia”, Ana Nunes, diretora do polo da Sertã.
No caso do Lar Residencial, os 18 utentes mantêm-se na instituição, sendo que os do CAO estão em casa. Para os que permanecem na instituição, sem poderem ver os familiares, a situação torna-se ainda mais difícil. “Têm-nos apenas a nós que, para colmatarmos a situação, fazemos contactos com a família através de videochamadas e através de fotografias que tiramos e que vamos enviando por mail”, explica Ana Nunes, mas, “nunca é a mesma coisa”, concorda. Quanto às pessoas que estão em casa, “fazemos questão de ir sabendo como têm passado e se podemos ajudar de alguma forma, quer em relação a eles, quer em relação à restante família”, diz, pois passar um fim-de-semana em casa é uma coisa, passar semanas inteiras é outra completamente diferente.
Quanto às pessoas que ficaram institucionalizadas, “tentamos que não sintam grande diferença, mesmo porque é difícil explicar a realidade em que vivemos. Se é difícil para nós, para eles é pior explicar-lhes que não podem estar perto uns dos outros, que não podemos fazer determinadas atividades que antes fazíamos”, lembra, explicando que nestes casos, “tentamos ao máximo fazer com que estejam bem”.

A máscara foi um acessório que veio para ficar, pelo menos por mais alguns meses. Este é um dos elementos primordiais de proteção individual mas como “eles não conseguem andar de máscara, andamos nós que os acompanhamos. Também andamos sempre equipados com calçado diferente daquele que era usado antes”, ilustra, pois é importante proteger esta franja da população que, por procurar muito os afetos, o contacto físico é um dos pontos que não pode deixar de existir, daí “a equipa tentar ao máximo resguardar-se para que tudo corra pelo melhor por aqui”, sintetiza.
De referir que, até ao momento, não se registou qualquer caso de Covid-19 na APPACDM da Sertã. Todas as semanas são feitos testes de despiste à Covid-19 nos funcionários da instituição, para além de outras medidas que são tomadas. “Temos um plano de contingência que levamos tudo muito a sério e temos muita ajuda da nossa direção que, sendo em Castelo Branco, está sempre connosco e não nos sentimos em perigo ou abandonados”, enaltece. “São incansáveis e nesta altura difícil estão sempre presentes”, agradece.
Andar de máscara passou a ser comum para qualquer pessoa, mas na cabeça de uma pessoa com deficiência, este ato poderá causar alguma baralhação e “é complicado para eles saberem que estamos assim, mas assim que se habituam levam tudo mais naturalmente que nós e se percebem que tem que ser assim, conseguem lidar bem com a situação e até acham engraçada”, adianta.
Espera-se que em breve aconteça o regresso dos utentes do CAO e a diretora confessa que “é o que todos anseiam”. “Pelas conversas que mantemos, pois pelo menos duas vezes por mês acompanhamos os nossos utentes, seja por telefone ou mails, para perceber como estão e percebemos que têm saudades de estar com os outros utentes e com os colaboradores e sente-se que precisam, e que estão, ansiosos por voltar”, concorda.
Na instituição, as atividades que se realizam diariamente, ajudam a distrair e a manter as capacidades adquiridas e esta situação de afastamento pode originar que depois “venham diferentes, com outras atitudes pois a vida mudou um pouco. Talvez venham estranhos em relação a terem começado outras rotinas”, explica, ciente de que em casa essas rotinas se poderão ter perdido. Assim, no regresso terá que haver uma reaprendizagem mas Ana Nunes acredita que “correrá bem. Eles aprendem tudo e depressa, têm é que ir tentando e acredito que os dias trarão a normalidade que existia”.
A terminar a responsável deixa a mensagem de que “devemos continuar a acreditar que vamos conseguir ultrapassar esta situação e que vai correr bem se continuarmos a fazer tudo o que nos é pedido e aconselhado”. A vacinação, considera, “também é um ponto muito positivo. Se nos ajudarmos uns aos outros, se nos organizarmos e tivermos presente que vamos conseguir, vamos ultrapassar. Em equipa consegue-se tudo de forma melhor”, sustenta.

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