SERTÃ/Covid-19: Idosos - Quando a solidão da pandemia fala mais alto

Situação de confinamento agrava solidão

SERTÃ/Covid-19: Idosos - Quando a solidão da pandemia fala mais alto

A atual situação de confinamento a que o país ainda está sujeito está a agravar situações de solidão. Idosos que, tendo encerrado os centros de dia, estão entregues aos dias, sempre solitários. No Castelo, espera-se que esta valência reabra e que a companhia de outros, como eles, esbata o sentimento de vazio criado pela pandemia da Covid-19.
No Centro Social Nossa Senhora da Assunção, vivem-se dias diferentes. Lida-se com um tempo que teima em regressar à normalidade de há um ano.
Carlos Lopes é o presidente da direção desta Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) e ao programa da Rádio Condestável que conta com o apoio do Município da Sertã, “Todos juntos no combate à pandemia”, confessa que “estes novos tempos têm sido vividos com bastantes restrições”.
O Centro Social do Castelo funciona com as valências de Centro de Dia e Estrutura Residencial para Idosos e estes tempos têm sido “duros para as pessoas que lá trabalham e para a instituição, que faz um investimento bem diferente do que era feito antes da pandemia”, explica, confirmando que houve necessidade de reinventar situações para evitar que a Covid-19 entrasse nesta IPSS. “O pessoal do lar começou a trabalhar "em espelho", com intervalo de 15 dias”, lembra, explicando que “foi a forma que encontrámos para o vírus não entrar”, mesmo porque “o problema não são as pessoas que estão dentro da instituição, são os que vêm de fora, ou seja os trabalhadores”, atesta.
Ter encontros com a família através de um monitor, seja de telemóvel ou de computador é estranho mas foi uma das medidas adotadas no Castelo. Alguns utentes reconhecem que tem que ser assim mas outros não percebem e “andam um pouco perturbados com esta situação”, confirma, ciente de que “é complicado, mas não é possível fazer de outra forma”.
Também os utentes acompanhados em Centro de Dia, e que agora estão em suas casas, “têm sofrido, e muito”, sustenta, recordando que “as pessoas não concordam com esta situação. Estão tristes”. Os funcionários continuam a acompanhá-los em casa, fazendo a sua higiene pessoal e levando as refeições mas “não é a mesma coisa”, nota, pois “não podem lá estar o dia inteiro como eles queriam”, complementa. “Há pessoas a pedir, por amor de Deus para abrirmos, porque se sentem sozinhos”, ilustra, reconhecendo que “estarem assim, de manhã até à noite, sem conversarem com ninguém, não é fácil”.
O presidente da direção espera assim que a reabertura destas valências traga outro descanso a estas pessoas que sofrem de uma solidão que agrava estados de espírito e uma saúde já de si débil.

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