SERTÃ/Covid-19: Papelarias registam quebra de vendas mesmo estando abertas

Volume de vendas diminuiu em tempos de pandemia. Jornais e revistas foram as publicações menos procuradas.

SERTÃ/Covid-19: Papelarias registam quebra de vendas mesmo estando abertas

Nos confinamentos a que o país esteve e está ainda sujeito por causa da situação pandémica atual, foram e continuam a ser muitos os estabelecimentos encerrados ao público.
Da lista dos que nunca encerraram portas, estão as papelarias, acontecendo também na Sertã com a papelaria Paulino.
Poder-se-á pensar que, por terem estado de porta abertas, continuaram a fazer o negócio de anteriormente, mas isso não é verdade. Notaram-se diferenças, como revela ao programa da Rádio Condestável, que conta com o apoio do Município sertaginense, “Todos juntos no combate à pandemia”, Eugénia Paulino, proprietária do espaço. “Sentimos as pessoas mais retraídas pois, como não saem tanto de casa, os consumos também são menores”, confirma, explicando que “procuram só o essencial”.
Com estes dois confinamentos, e com o encerramento das escolas, as crianças ficaram mais tempo em casa, logo necessitaram de mais entretenimentos e por isso o material mais procurado foram os “lápis, as canetas, as tintas, os cadernos, a cola e o que era útil para ajudar a passar o tempo”, exemplifica. No que respeita a quebras, Eugénia não pensa duas vezes e revela que foi “nas publicações diárias, como jornais e revistas” que elas mais se sentiram. Ao nível global, foi na altura em que se registaram mais infeções no concelho da Sertã que o volume de vendas baixou significativamente pois “tínhamos que fechar mais cedo e as pessoas tinham um horário diferente do nosso e notou-se muito. Isto parecia uma pequena aldeia”, ilustra.
As papelarias são espaços onde acorre sempre muita gente. Houve necessidade de implementar regras, de adaptar espaços e de colocar à disposição das pessoas instrumentos para que se sentissem seguras. “Colocámos dispensadores de gel desinfetante, um acrílico separador no balcão e passou só a entrar uma ou duas pessoas de cada vez” e assim “tentámo-nos proteger a nós e aos clientes”, lembra a proprietária. Quanto à reação das pessoas, não foi das piores. “Sempre que lhes explicávamos para que era, elas adaptaram-se, percebendo que era para o bem de todos”, diz.
Sendo a papelaria Paulino um espaço antigo na Sertã, já faz parte da vivência de muitos sertaginense e de muitos que por esta terra foram adotados. Ir à papelaria é também usufruir de um momento de lazer e de conversa. Eugénia Paulino revela que agora, a maior mágoa que lhe transmitem, é o facto de “não poderem sair, de estarem privadas de liberdade”. Este estado de espírito reflete-se “principalmente nos de mais idade que falavam do seu dia a dia, que vinham pagar as suas contas ou que se encontravam com os amigos”, explica, lembrando que “isto no fim da vida não é vida”, uma das expressões que um dos clientes lhe transmitiu e que mais a marcou.
Nesta papelaria sertaginense nunca se baixou os braços, nunca se virou as costas a esta problemática e por detrás do balcão saiu e continua a sair o talão da esperança. “Está quase, já falta pouco”, termina a proprietária.
Como diz o ditado popular, “a esperança é a última a morrer”. Por enquanto os negócios ainda correm a meio gás, ainda se espera por dias melhores. Ainda se espera pela normalidade.

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