SERTÃ/Covid-19: Professora destaca papel dos pais no novo modelo de escola

Professora do ensino básico faz uma análise destes tempos de pandemia e destaca o papel da família no apoio nas aulas à distância.

SERTÃ/Covid-19: Professora destaca papel dos pais no novo modelo de escola

A novidade do primeiro confinamento obrigou a muitos reajustes nas escolas e o processo de implementação de novas regras demorou a produzir os efeitos necessários. Havia falta de material informático, dificuldades de aceder à internet para que os alunos usufruíssem das aulas síncronas com qualidade e muitas dúvidas no processo de ensino à distância.
No segundo confinamento, a experiência e os conhecimentos adquiridos fizeram com que tudo corresse melhor e o processo foi implementado no imediato, confirma ao programa de hoje da Rádio Condestável “Todos juntos no combate à pandemia”, Conceição Santos, professora coordenadora da Escola Básica S. Nuno de Santa Maria, de Cernache do Bonjardim.
Nos pais e nas crianças também houve diferenças entre confinamentos, “estavam todos mais ansiosos e apreensivos”, mas agora, continua a professora, “os pais estão mais confiantes e as crianças estão mais desinibidas, participativas e empenhadas”. Este período começou de forma ativa, com as crianças “já familiarizadas com a situação” e a saber o que tinham e como tinham que fazer relativamente às novas tecnologias. “Já sabem ligar e desligar o microfone quando a professora fala, estar com atenção e já não é preciso estar a fazer tantas chamadas de atenção como dantes”, confirma.

Apesar de tudo nada substitui o ensino presencial. Para esta professora “não há comparação possível. O ensino à distância é um remediar da situação atendendo àquela que vivemos e o presencial é o ideal”, pois “é no presencial que se consolidam as boas aprendizagens”, sustenta. A somar a estes aspetos, existe o fator social e de convívio, bem como o “desenvolvimento pessoal e de inter-relações que as crianças estabelecem entre si e com os adultos”, fatores considerados igualmente “muito importantes” pela docente.
Neste novo processo de aprendizagem a professora destaca o papel precioso que os familiares têm assumido, ajudando as suas crianças com as aprendizagens. “Têm dado uma ajuda preciosa e fundamental, pois têm sido professores deles”, diz, considerando que a transmissão das matérias tem sido bem conseguida. Apesar de tudo, há conteúdos que necessitam “de muita consolidação e observação. É necessário que os professores lhes dediquem mais tempo e isso não é possível no ensino à distância. Não é possível abordar, aprofundar e sistematizar os conteúdos à distância do mesmo modo que se faz presencialmente”, explica, falando essencialmente das disciplinas curriculares como a matemática, o português e o estudo do meio. No seu caso em concreto, confessa, está a deixar conteúdos, propositadamente, para o terceiro período por considerar que "só presencialmente serão bem transmitidos, consolidados e abordados mais profundamente".
Conceição Santos teme que, nos casos em que não há tanto acompanhamento em casa, o insucesso escolar se venha a verificar porque “há alunos que faltam às aulas, que não fazem os trabalhos que se nota que andam desorientados. Ficam sempre lacunas”, explica e por isso, no seu caso particular no regresso às aulas presenciais, parte do tempo será despendido a aprofundar e a abordar vários conteúdos.
Este segundo confinamento dura há quase dois meses, tempo suficiente para alunos e professores já demonstrarem que querem voltar à escola. “É o maior desejo de todos”, diz, revelando que quando lhes pergunta o que queriam se acaso lhes fosse concedido um desejo, todos respondem que é “voltar à escola para estar com os amigos”. Quanto aos colegas, o sentimento é semelhante. "Estamos todos desejosos de voltar. Quanto mais depressa voltarmos mais depressa limamos algumas falhas. A escola é onde nos sentimos bem e temos condições para desenvolver o nosso trabalho”, salienta.
A terminar a coordenadora da Escola Básica S. Nuno de Santa Maria dirige uma mensagem aos pais para que continuem o bom trabalho que estão a desenvolver. “A família tem tido uma sobrecarga grande e louvo os familiares que têm sido verdadeiros professores, mais do que nós que, em 45 minutos, nas aulas síncronas, não conseguimos fazer o que os pais fazem o dia inteiro”, vinca, apelando a todos que se “mantenham firmes e pacientes”.
De recordar que o “Todos juntos no combate à pandemia”, conta com o apoio do Município da Sertã.

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