SERTÃ/Covid-19: Proximidade e afeto ajudam a passar os dias na Casa dos Mestres

Nesta instituição da freguesia do Marmeleiro, tal como em todo o país e mundo, anseia-se pelo regresso à normalidade. Até lá continua a primar-se pela transparência na comunicação e pelo diálogo constante com os utentes.

SERTÃ/Covid-19: Proximidade e afeto ajudam a passar os dias na Casa dos Mestres

Foi em março de 2020 que surgiram os primeiros números da pandemia de Covid-19 no nosso país. Ao longo de um ano muitos foram os que contraíram a doença e também muitos os que não a superaram. Foi um tempo de novas aprendizagens e de fazer passar mensagens, muitas vezes incompreendidas para os mais velhos. Na freguesia do Marmeleiro, na Casa do Mestres, a planificação dos tempos, a atuação e os procedimentos do dia a dia tiveram que ser alterados. A responsabilidade de lidar com os utentes somou-se às emoções já vividas por eles, “uma faixa etária mais vulnerável e que tem um dano maior com esta pandemia”, dá conta ao programa da Rádio Condestável, “Todos juntos no combate à pandemia” Paula Lourenço, diretora técnica da instituição. Esta responsável confirma assim que “o ano tem sido complicado, atípico e emocionalmente muito desgastante”, tendo sempre presente que “cada trabalhador tem uma responsabilidade individual, e a equipa a responsabilidade de fazer cumprir as normas e de dar resposta ao panorama atual em termos de procedimentos vários”. Nesta Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) o Plano de Contingência teve e ainda tem que ser alterado, mediante as circunstâncias que vão variando, de tempos em tempos, para que não surjam casos positivos de Covid-19.

Cada trabalhador tem sobre si a responsabilidade de se proteger para proteger os utentes. Para se lidar bem com esta situação baixa-se “a fasquia das coisas”, ou seja, “sabendo que todos os nossos trabalhadores são, acima de tudo, seres humanos, existe a necessidade de proximidade e de sensibilizar para a leitura de notícias, para se conseguir filtrar o que é real e o que é indutor de medo”, explica Paula Lourenço. “Emocionalmente temos os lados pessoal e profissional e tentamos encontrar um equilíbrio. Vamos tentando saber como está a equipa”, complementa.
Ao nível dos idosos, e começando logo pelo lado visual, “a situação foi complexa”. Paula Lourenço explica que, ao contrário do que acontecia habitualmente, “passámos todos a usar fardas brancas, máscaras e a ter o cabelo apanhado” e para que esta mudança não causasse tanta estranheza nos mais velhos, primou-se pela “transparência na comunicação com os nossos utentes. A todo o momento falámos e explicámos o que se estava a passar”. No que respeita à vertente emocional, “os utentes são os mais prejudicados. São pessoas que trabalharam a vida inteira e que tudo fizeram para combater as dificuldades e que agora têm um problema que não depende do nosso investimento nem do nosso querer”. A falta de visitas e do consequente contacto, proximidade e afeto, também não ajudam e “uma videochamada ou estar a dois ou três metros de distância de um familiar, não são a mesma coisa”, reconhece.
É nestas situações que os de dentro de portas passam a ser, sem se substituir a ela, a família mais próxima. Assim, combater este afastamento faz-se com o “estabelecer de laços, estando mais atento a pequenos sinais, escutando-os com atenção e compreendendo que nada disto é fácil”, sustenta.

Esta instituição abarca igualmente o Centro de Dia. Dadas as contingências da pandemia, os utentes desta valência estão em casa e a ser acompanhados pelo apoio domiciliário com a devida adequação de serviços.
Na Casa dos Mestres, tal como em qualquer outra casa do país e do mundo, anseia-se pela normalidade. As atividades de animação continuam a ser realizadas e tenta-se que a equipa se mantenha saudável para que, também assim, se mantenham as mentes saudáveis e se consiga prestar um apoio de proximidade e de compreensão mútuos.
A terminar Paula Lourenço deixa uma mensagem de esperança. “Temos que nos ligar a algo que nos mova para a frente sem perder o foco”, apesar de “estarmos todos muito cansados”.
A pandemia afetou, principalmente, os mais velhos e por isso foram também estes os primeiros a receber ordens de vacinação. Na Casa dos Mestres houve e ainda há, haverá sempre proximidade, afeto e compreensão.
De referir que o "Todos juntos no combate à pandemia", conta com o apoio do Município da Sertã.

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