SERTÃ/Covid-19: Quando as famílias passam a professores domésticos

Em tempos de confinamento, foram e são muitas as mães que se mantiveram em casa a ajudar os filhos nas tarefas escolares. Deixaram os seus trabalhos em suspenso para serem professores numa sala repleta de trabalhos domésticos.

SERTÃ/Covid-19: Quando as famílias passam a professores domésticos

Neste tempo de confinamento, mães e pais e, em alguns casos, irmãos mais velhos, assumiram o papel de professores. Em casa, com aulas à distância, os familiares desdobraram-se e ainda se desdobram em tarefas, abdicam do seu tempo em prol das crianças que, pela segunda vez num ano, estudam distantes da escola. Para esse estudo é necessário material informático, instalar aplicações, aceder a diversas plataformas, perceber como funcionam os meandros da internet, entre muitos outros aspetos e no primeiro confinamento as dificuldades foram algumas, principalmente no acesso ao material informático que acabou por ser cedido pela Câmara Municipal da Sertã, ao fim de algum tempo.
Neste segundo confinamento, quando se pensava que tudo iria ser mais fácil, pela experiência adquirida no primeiro, as dificuldades mantiveram-se para alguns pais, como foi o caso de Lídia Cotrim, mãe de três filhos, uma menina com oito anos e meio e dois bebés de colo. Ao programa da Rádio Condestável “Todos juntos no combate à pandemia”, confirma que o início deste segundo confinamento foi complicado, principalmente porque “deveria estar tudo mais preparado com a disponibilização dos materiais necessários”, nota, recordando que foi perguntado a todos os pais de que precisariam na eventualidade de surgir um segundo confinamento. “Eu disse que precisaríamos de um computador, no entanto deparei-me com uma situação difícil na aquisição do computador”, revela, considerando mesmo que foi alvo de descriminação. “Não foi fácil conseguir a aquisição do computador para a filha”, vinca. Para esta mãe, devia ter-se começado “em grande pois já se tinha passado pelo mesmo. Se tivessem preparado o que cada um precisava, quando a escola à distância começou a minha filha não tinha perdido quatro dias devido à falha na entrega do computador”, lamenta.

Gerir aulas à distância com matérias cada vez mais complicadas, dois filhos bebés com as rotinas normais nesta faixa etária e uma casa para cuidar é tarefa hercúlea. “Não tenho muitos estudos e por vezes tenho que pesquisar para a ajudar a estudar”, diz. Para dificultar, há alturas em que os ficheiros têm que se alterados de formato o que faz com que estejamos sempre presentes no tempo da atividade escolar”, explica. Deste modo, e porque o tempo não estica, “há trabalhos que têm que ir ficando para trás para depois fazer conforme a minha disponibilidade de parar as tarefas para a poder acompanhar”.
No caso particular desta família, com duas pessoas empregadas antes deste confinamento, a opção foi mesmo a mulher ficar em casa, em layoff para amparar o dia-a-dia “porque a falta do salário do marido seria mais notória na nossa vida”, confirmou.
Para crianças que gostam dos bancos de escola, está a ser cada vez mais difícil sentarem-se na secretária de casa ou num banco improvisado de uma qualquer divisão caseira. Ter aulas à distância começa a ser desmotivante em casa de Lídia Cotrim. “Ela está muito desanimada com a escola desta forma. Levantar-se é como uma obrigação e depois voltar ao quarto para estudar é como se este deixasse de ser um local de conforto e de abrigo. Não noto nela o ânimo como quando vai para a escola onde vai aprender coisas novas e ao fim do dia partilha com os pais”, ilustra. No ano passado queria voltar para estar com os amigos, este ano não. Diz que assim nem aprende bem”, sustenta. No seu caso, continua ciente de que “não consigo ser professora e ser mãe porque há muita coisa que tem que ser explicada e ensinada de forma diferente, como na escola e eu não consigo”, remata.
Como o governo anunciou esta quinta-feira, o regresso à escola acontece já na próxima segunda-feira, 15 de março. 
Recorde-se que o “Todos juntos no combate à pandemia” conta com o apoio do Município da Sertã.

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