SERTÃ/Covid-19: Várzea dos Cavaleiros gostava de ver mais diálogo entre entidades

A Junta de Freguesia da Várzea dos Cavaleiros mantém-se firme no apoio à população. Fá-lo à medida das necessidades desta mas considera que, neste contexto de pandemia, a atuação das juntas deveria ter sido acertada em conjunto e que deveria haver um maior diálogo entre entidades.

SERTÃ/Covid-19: Várzea dos Cavaleiros gostava de ver mais diálogo entre entidades

Contactos primordiais de proximidade com a população, as juntas de freguesia têm estado, na medida dos seus possíveis, ao lado da sua população, apoiando-a no que mais necessita. Fazem-no, em muitos casos, por iniciativa própria, porque não há uma matriz comum. Mas fazem-no porque têm por obrigação apoiar os que mais necessitam. É assim na Várzea dos Cavaleiros.
Gracinda Marçal é a presidente da junta e, neste “Todos juntos no combate à pandemia”, dá-nos conta do modo como tem apoiado os seus fregueses. “Há um ano, logo no primeiro confinamento, iniciámos um procedimento de distribuição de máscaras”, relembra a autarca, esclarecendo que “essas máscaras foram encomendadas por nós”. Porque a procura deste material foi grande e o mercado não estava preparado, as máscaras esgotaram. Deste modo a junta contactou uma costureira local, encomendou máscaras e “fizemos essa entrega porta a porta”, reforça.
Tal como nas restantes juntas, esta edilidade foi o braço direito das pessoas. “Fizemos as compras a alguns idosos, àqueles que não tinham cá os filhos e fomos também à farmácia, ainda antes do setor social da câmara começar a fazê-lo”, explica.
As pessoas foram-se adaptando às circunstâncias e estes serviços passaram a ser feitos muito esporadicamente. De momento, o que impera é a necessidade de transporte dos idosos para os centros de vacinação e, uma vez mais, a Junta de Freguesia da Várzea dos Cavaleiras, apesar das limitações, está na linha da frente cedendo o transporte a quem necessitar. Ações tomadas por livre iniciativa da junta que, por esse facto, se mostra incomodada pois, “há falta de diálogo entre o centro de saúde, a câmara municipal e as juntas de freguesia”, refere, considerando que “devia haver mais união”, pois parece que “há uma tentativa de ver quem é que manda mais”, continua exemplificando a sua opinião com as reuniões da Comissão Municipal de Proteção Civil (CMPC). “Temos um representante nessa comissão, que é o presidente da Junta de Freguesia da Sertã, e em quatro anos nunca reunimos para dizer o que se passa nas reuniões da CMPC, muito mais agora que havia necessidade”, aponta a edil, sentindo que, com estes tempos “há necessidade de reunir, de falar sobre a pandemia, o que há ou se poderá fazer ou a melhorar”. Gracinda confessa que “muitas vezes temos conhecimento de algumas coisas, da ordem de trabalhos destas reuniões através do setor social e florestal da câmara” para dizer que “poderia haver uma entreajuda muito maior entre as três entidades e não há porque parece que cada um está a puxar para seu lado”, lamenta, reforçando que “estamos a fazer o transporte dos idosos porque eles nos pediram, mas não sabemos o que a câmara ou o centro de saúde pensam acerca desta nossa dinâmica”, sustenta.

A propósito desta situação, a Rádio Condestável contactou o presidente da Junta de Freguesia da Sertã, José Nunes, que nos explicou que, nas aludidas reuniões, sempre solicitou que fosse a própria comissão a passar as informações consideradas importantes e relevantes, às juntas.
Outra das preocupações sentidas na Várzea dos Cavaleiros são os doentes de risco e aqueles que, a esta circunstância, somam o fator idade. Gracinda recorda ter notado que houve idosos, em situação de urgência, a ficar para trás. Esclarecida que foi uma situação em concreto, a autarca continua a dizer que “não sabemos muito bem o que se passa porque ninguém nos diz”, mas, “a verdade é que lutamos para que os nossos idosos sejam vacinados”, vinca.
Com este processo de vacinação concluído, outras áreas sociais recomeçarão a funcionar, como é o caso do Centro de Dia. Com esta valência encerrada outros problemas sociais surgem, nomeadamente em termos de higiene pessoal e habitacional, bem como de acompanhamento pessoal. “Isto é tudo uma preocupação. Se os idosos não tiverem o acompanhamento do Centro de Dia, ou se alguns voluntários, e as juntas têm sido voluntárias, entramos num caos. Os idosos entregam-se ao 'passivismo' e a tudo o que não interessa nas suas vidas”, nota, logo esta é a faixa etária que mais precisa de acompanhamento. “Se a pessoa não sai de casa e não tem acompanhamento, a pessoa parou e isso provoca outras doenças nos idosos”, disse. Também por este motivo, reitera, “se conversarmos entre todos a situação torna-se mais leve”.
A terminar a autarca deixou uma mensagem de coragem, de força e de que “vamos vencer”.
De referir que o “Todos juntos no combate à pandemia” conta com o apoio da Câmara Municipal da Sertã.

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