VACINAÇÃO/Covid-19: Vacinação nas crianças está a ser discutida e analisada

Francisco George recomenda que seja feita após eficácia comprovada.

VACINAÇÃO/Covid-19: Vacinação nas crianças está a ser discutida e analisada

As crianças maiores de cinco anos devem ser vacinadas contra a covid-19, desde que a segurança e a eficácia da vacina estejam comprovadas cientificamente nestas idades, defende o médico especialista em saúde pública Francisco George.
Deste modo a vacinação das crianças está a ser a discutida e analisada, tendo a Pfizer já anunciado que a sua vacina contra a Covid-19 é eficaz em crianças dos 5 aos 11 anos e que vai requerer autorização nos Estados Unidos para este grupo em breve.
Em entrevista à Lusa, o ex-diretor-geral da Saúde, Francisco George, não vê entraves na vacinação deste grupo etário, desde que as vacinas "tenham uma base de comprovação científica, da sua segurança e do resultado positivo".
"Se as coortes estudadas por epidemiologistas perceberem que as crianças são fontes de transmissão do vírus, da infeção, e que precisam de ser protegidas, e se tivermos a certeza da segurança da vacina, não vejo porque não", disse. Em Portugal, as crianças são vacinadas desde a nascença até à entrada no ensino secundário, observa o médico. Quanto à terceira dose da vacina, defende que a sua necessidade é ditada pelo nível de anticorpos produzidos pelas vacinas anteriores e que a decisão terá de ser tomada com base científica. "Não são as opiniões, sobretudo de comentadores, que devem ser ouvidas em termos dos comentários que formulam, que são livres, que são justos, que são legítimos, mas não tem base científica", declara, sustentando que "não há aqui nenhuma opinião a não ser aquela que é baseada na demonstração de que o número de doses anteriores [da vacina] tenha protegido o cidadão, a sua família, a comunidade, através da medição em laboratório dos anticorpos que circulam no soro".
Questionado se a vacina contra a covid-19 devia ser obrigatória, Francisco George afirma que não, mas reitera o apelo deixado na sua última intervenção enquanto diretor-geral de Saúde, para que se altere a Constituição de 1976, que apenas prevê o internamento compulsivo de portadores de anomalia psíquica. "Eu não estou a defender a obrigatoriedade da vacina, estou a defender que, por exemplo, um doente que tenha ébola não possa sair do hospital e entrar no metropolitano. Isso é que eu defendo", justifica.

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