SERTÃ/EN2: Caminhos que ligam e que unem : “Os caminhos da indústria”

Os caminhos da Estrada Nacional 2 (EN) levam-nos hoje a atravessar a Zona Industrial (ZI) da Sertã onde várias empresas assistem ao passar dos turistas.

SERTÃ/EN2: Caminhos que ligam e que unem : “Os caminhos da indústria”

O benefício que as empresas retiram do projeto da Rota da EN2 não é direto. Acabarão por retirar ganho através das compras nos comércios que vêm abastecer à única cooperativa abastecedora de mercearias do país, através de um posterior contacto com os stands de automóveis ou com a fábrica de conhecimento que é o Centro de Inovação e Competências da Floresta (Serq).
Fora desta ZI estão os postos de abastecimento de combustível e as reações não podiam ser melhores à existência deste projeto.

Conceito de desenvolvimento liga SerQ e EN2

Paredes meias com a Estrada Nacional 2 (EN2) está o Centro de Inovação e Competências da Floresta, o SerQ. Trata-se de uma associação científica, tecnológica e de formação. Tem como objeto a investigação e desenvolvimento experimental, formação, transferência de tecnologia, consultoria, certificação e validação de produtos e soluções, com especial enfoque no setor agro-florestal. É um polo de desenvolvimento, tal como o foi, na sua génese, a EN2. Há portanto um conceito que liga o SerQ e a N2, acredita Paulo Farinha Luís, presidente do SerQ. “A EN2 foi, primeiro, uma estrada ligada à indústria e à necessidade das pessoas na sua própria mobilidade e também de mercadorias e serviços. No SerQ, o que fazemos de investigação tem como fim último a atividade económica e a N2 foi criada com esse fim e por essa via também estamos ligados”, compara.
Paulo Farinha Luís também esteve na primeira reunião de apresentação do projeto da Associação de Municípios da Rota da EN2. Apesar de ter percebido que era um bom projeto, confessa que nada faria adivinhar o sucesso e o retorno, quase imediato, que teve no território. “Foi uma feliz iniciativa e onde a Câmara Municipal da Sertã (CMS) esteve desde o início”, reforça, garantindo que “fico contente porque, para lá do conhecimento da região, os atores estão felizes por verem os seus negócios crescerem à boleia deste projeto”.
Também este espaço de investigação não beneficia diretamente com a Rota da EN2. No entanto a estrada dá-lhe visibilidade e isso já é importante, é que “se passarem e souberem que aqui podem fazer ciência e investigação das suas peças, pode ser que nos liguem e assim cumprimos o nosso objetivo de estar próximos da N2”, nota Paulo Farinha Luís.

 No âmbito da sua ação, o SerQ tem contribuído para este projeto com a produção de artigos de publicidade e promoção para diversas entidades e associações.
Pelo que se tem verificado, também Paulo Farinha Luís considera que a questão da sinalética tem mesmo que ser melhorada e aponta a falta de “placas que dizem 'Rota da EN2', que é diferente da EN2”, lembra, referindo que “são caminhos diferentes”.
Se o trabalho de promoção continuar como até agora, as próprias localidades terão que se readaptar e apanhar a boleia deste desenvolvimento, considera, acalentando a ideia de que “estas associações só andam se todos tiverem o compromisso de fazer igual em todo o lado. A promoção do todo beneficia cada um em particular”, observa.
Para o presidente do SerQ, este é mais do que um projeto turístico, “é um projeto de coesão territorial, de união. É o exemplo de que, se os municípios se juntarem e traçarem um objetivo e trabalharem para ele, é possível de ser realizado. Estamos a juntar municípios, de Chaves a Faro e conseguiu-se fazer, em pouco tempo, o que o Governo, turisticamente, não conseguiu”. O presidente do centro confessa igualmente que gostava de ver esta dinâmica e união noutros setores da sociedade como na fileira florestal ou na produção de conhecimento. “Se calhar teríamos sucesso mais rápido e já tínhamos ajudado na mitigação dos fogos e os produtores florestais estariam mais satisfeitos com a produção e valorização da madeira”, explicou, na esperança que se perceba que “juntos, o caminho não é fácil, mas será seguramente mais fácil”.

Comércio local foi um dos beneficiários do projeto

As portas estão viradas para a EN2 mas não se abrem para receber os turistas. Na Zona Industrial da Sertã está a única cooperativa abastecedora de mercearias do país. A Sóprei, confirma Carlos Marçal, presidente da direção, ganha com a ida dos turistas aos restaurantes e ao comércio tradicional. “A Sóprei, vendendo a estes comerciantes, e atendendo ao volume de turistas que este ano fez a rota, acaba por também ganhar”, confirmou.
O ano de 2020 foi o melhor em termos de ganhos relacionados com a N2, facto que não surpreendeu Carlos Marçal que já contava que o ano trouxesse mais pessoas ao interior, mesmo porque “desde que as companhias áreas deixaram de levar turistas para o estrangeiro e desde que as pessoas passaram a não querer grandes aglomerados, acabariam por vir para o interior”, sustenta, reforçando que nas conversas que teve com algumas dessas pessoas foi notório que “ficaram admirados com esta zona” e ficou a certeza de que este turista EN2 procura calma e tranquilidade, vinca o empresário, sentindo assim que “o melhor ainda está para vir”, até porque “a N2 é um complemento do turismo que aqui se instalou. Temos a felicidade de estarmos no meio e as pessoas pernoitam aqui”, explica.
O trabalho de promoção desta rota tem sensivelmente quatro anos mas tem que, na opinião do presidente da Sóprei, continuar a ser melhorado, principalmente ao nível da “sinalética e da promoção ao que existe e que está mais afastado da estrada principal, num raio de 15 a 20 quilómetros”. No entanto, “todo o trabalho que está a ser feito é de louvar”, diz, dando os parabéns aos municípios que integraram este projeto e destacando Santa Marta de Penaguião pela ideia inicial.
A comemorar 47 anos de vida, a Sóprei alia-se ao espírito desta rota ao proporcionar aos seus melhores clientes uma viagem ao longo desta estrada, confirma Rui Pires, diretor executivo da cooperativa. "A viagem será feita iniciando na Sertã e indo até Chaves. De lá o cliente Sóprei passará pela autoestrada até Faro e do Sul do país rumará ao Centro através, de novo, da N2", descreve, convencido que “será uma forma de dar a conhecer um produto turístico a quem não o conhece”.

Stands de automóveis ganham visibilidade com a Rota da EN2

De frente para a Sóprei está o Stand João Maia Automóveis. Tiago Ferreira, comercial da empresa, vê passarem centenas de turistas, acima de tudo, de mota. O movimento cresce à medida que o tempo passa. Tiago Ferreira recorda que em 2015, ano da mudança do stand para a ZI da Sertã, “a EN2 não tinha tanto impacto como hoje está a ter. Na altura já circulavam algumas motas mas hoje em dia tem-se notado uma afluência muito significativa”.
Quando passam, os turistas não param para comprar um automóvel. Acontece sim, mais tarde, “pesquisarem o que há para venda e há contactos, por curiosidade” e por isso considera que “a visibilidade do stand é importante e é benéfico para nós”.
Atendendo ao que se tem vindo a verificar, Tiago Ferreira considera que o futuro será cada vez melhor e para quem tem dúvidas sobre a posição e importância da Sertã nesta rota, o comercial desfaz qualquer equívoco, explicando que "a Sertã é a Princesa da Beira, uma vila muito bonita com uma boa gastronomia. Em termos de beleza a Sertã é das vilas mais bonitas que conheço em Portugal, pelas ribeiras, paisagens ou geografia local. É uma Vila bonita e acolhedora”.

Rota acarretou um dinamismo muito positivo para Sertã

O dinamismo que esta estrada tem trazido ao concelho da Sertã tem sido muito bem visto pelos postos de abastecimento de combustíveis. Francisco Laia Nunes tem três lojas à beira desta via, ou seja, na Picha (Pedrógão Grande), na Sertã e na Cumeada e a afluência de pessoas “é um registo muito importante para a área onde residimos”, realça.

Não fosse este projeto e o cliente continuaria a ser o habitual. Foi outra empresária que lhe falou desta rota e o empresário logo tratou de desenvolver esforços para o dinamizar junto da Repsol, “mas não foi visto como tal, no entanto, sei que hoje existe intenção de fazer algo com este tema da N2” e não existem dúvidas de que, “tanto para os que passam como para os que estão, o projeto é maravilhoso”, daí achar que “deveria existir mais empenho na divulgação, até mesmo nas multinacionais, pois esta estrada tem valor em muitos negócios e as marcas de combustível, e todas as outras associadas às rodas, são as pioneiras”, nota. Laia Nunes dá o exemplo do novo jipe Jaguar, veículo que conheceu “na Cumeada pois andavam a fazer a promoção do produto”, e do número 2 da Shell mundial, que também por aqui passou. “É de salientar este tipo de pessoas fazerem este percurso”, observa, vincando que "este é um projeto turístico que acarreta benefícios económicos para todos", afinal, “passear tem preço”.

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